CACHOEIRINHA

Audiência pública vai debater destino da ciclovia abandonada

Obra foi iniciada em 2020 pelo então prefeito Miki Breier e gerou muita polêmica até ser abandonada

Cachoeirinha – O destino do concreto colocado em parte do canteiro central da avenida Flores da Cunha, no que deveria ser uma ciclovia em meio a árvores e postes de sinalizações, será debatido na próxima quarta-feira. A secretaria de Mobilidade Urbana vai realizar uma audiência pública na próxima quarta-feira (19) na Câmara de Vereadores. Será apresentado um histórico da obra e após haverá espaço para manifestações sobre a conclusão, implantação e uso da estrutura com segurança.

Iniciado no final de 2020, o projeto previa uma pista no canteiro central da avenida Flores da Cunha com desvios para as áreas de estacionamento em alguns trechos. Isto porque a avenida não tem canteiro central ao longo dos cerca de 4,6 quilômetros. O então secretário da extinta secretaria de Planejamento e Captação de Recursos, Élvis Valcarenghi, disse na época que não haveria a derrubada de nenhuma árvore na avenida.

Meses depois de iniciada a obra, também iniciaram os problemas. Primeiro, o vereador na época, Marco Barbosa, apontou diversos problemas na obra. Rachaduras começaram a aparecer e a prefeitura reconheceu que era necessário refazer. A empresa contratada foi notificada. Apesar disso, os problemas continuaram. A camada de concreto foi instalada sobre uma lona preta sem nenhum tipo de ferragem. Nos trechos em que há rebaixamento para a passagem de pedestres, o concreto ficou com menos de dois centímetros e hoje há buracos.


Concreto em algumas partes é fino – Foto: Roque Lopes/Arquivo

Além disso, na retirada de terra, as raízes de diversas árvores ficaram expostas e depois foram cobertas com concreto. E a informação de que árvores não seriam removidas não se confirmou, pois a prefeitura anunciou que pelo menos a metade das árvores precisariam ser removidas uma vez que seria impossível um ciclista utilizar a ciclovia sem trombar nelas. O vereador Mano do Parque fez várias denúncias sobre o crime ambiental que estava sendo cometido.

Árvores pelo caminho – Fotos: Cyro Callovy Filho/Arquivo

Das 28 árvores que seriam removidas, 19 são exóticas e não era necessária nenhuma compensação. Já para a retirada das outras 9 seria necessário o replantio de 135 mudas em outros pontos da cidade. A Flores da Cunha tem, no total, 49 árvores. Nunca foi divulgado um balanço do que foi extraído e se houve ou não a compensação. Já com Cristian Wasem na prefeitura, algumas mudas, em parceria com a RGE em outro projeto, foram plantadas em um trecho não pavimentado que faria parte da ciclovia.

Obstáculos pelo caminho

Nos debates sobre a obra, o vereador David Almansa chegou a chamar o projeto de “Ciclovia da Morte”. A denominação foi em função do risco que ciclistas correriam de serem atropelados em um eventual acidente na Flores da Cunha. Nos últimos anos aconteceram alguns com os carros invadindo o canteiro central e se chocando em postes. Também haveria o risco de um ciclista se chocar em uma árvore ou poste e cair na avenida, na frente de veículos.

Para minimizar os riscos de acidente, a prefeitura chegou a ventilar a colocação de uma proteção dos dois lados da pista no canteiro central da avenida, uma obra com custo elevado e que exigiria uma manutenção em poucos anos devido ao fato de as estruturas de ferro serem danificadas nas bases devido a ferrugem. Na época não chegou a ser divulgado um orçamento para este complemento na obra.

Depois do afastamento do prefeito Miki Breier do cargo com a posse do vice, Maurício Medeiros, como interino, a ciclovia foi suspensa e nunca foi divulgado o que aconteceu com o contrato de R$ 1,3 milhão. No portal da transparência, no site da Prefeitura, ele nunca foi publicado. A audiência pública não foi divulgada pela Prefeitura em seus canais de comunicação. Está apenas no Diário Oficial do Município.

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