Para liberar ciclovia, Prefeitura vai remover árvores na Flores da Cunha
Elas são consideradas obstáculos para que a ciclovia em construção possa ser utilizada com segurança
Cachoeirinha – A paisagem da Flores da Cunha, que vem sendo transformada com a construção dos novos espaços para estacionamento, vai passar por mais alterações ainda com a construção da ciclovia no canteiro central e a remoção de mais de 20% das árvores. Conforme o secretário de Sustentabilidade, Trabalho e Desenvolvimento Econômico, Francisco Belarmino Dias, o Major, responsável pela Diretoria do Meio Ambiente, de 10 a 15 árvores serão removidas.
A avenida tem hoje, conforme levantamento realizado pelo vereador Mano do Parque, um dos defensores da manutenção delas, 49 árvores no canteiro central. O parlamentar protocolou um pedido no Ministério Público para que a obra seja paralisada imediatamente para que todo o projeto seja rediscutido. Ao longo dos últimos anos, muitas foram perdidas seja por acidentes ou remoção.
O secretário não sabia na manhã desta terça-feira (22) a quantidade exata e quais seriam removidas. A reportagem apurou que na região do supermercado Asun, boa parte delas vão deixar de existir. Ao longo da avenida, as árvores são em grande maioria de espécies exóticas, como tipuanas e ligustros, conforme o engenheiro agrônomo Cyro Callovy Filho. Mas há também jacarandá, árvore que está incluída na lista do Ibama das espécies ameaçadas de extinção e só pode ser cortada com expressa autorização do órgão ambiental.
Ele tem realizado um trabalho de identificação de espécies em algumas praças e é defensor da necessidade de Cachoeirinha possuir um plano de arborização. Para Cyro, a remoção das árvores provoca uma alteração importante no visual paisagístico da avenida com que todos estão acostumados.
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O secretário Major pondera que também é um defensor da permanência delas mas argumenta que há casos em que isto se torna impossível. Ele ainda revela que apesar de elas serem exóticas haverá uma compensação com plantio de mudas em locais ainda não definidos. Major também destaca que tem sido pedido por alguns comerciantes na parceria pela construção dos estacionamentos, a retirada de árvores das calçadas, mas ele tem se posicionado contra. “Por isso, algumas negociações são bem demoradas”, afirma.

No ano passado, quando o então secretário de Planejamento e Captação de Recursos, Élvis Valcarenghi, detalhou ao oreporter.net o traçado da rodovia, ele havia afirmando que o projeto desenvolvido pela empresa Urbana Engenharia, se adequou às arvores e postes de iluminação pública, sendo necessário somente a remoção de placas de trânsito.
A construção da ciclovia, que se arrasta a passos lentos, tem gerado muitas críticas. Primeiro foram as rachaduras e a aspereza do concreto, obrigando a prefeitura a notificar a empresa para refazer os trechos com problemas. Depois, na Câmara de Vereadores, surgiu o debate sobre a segurança dos ciclistas e a informação de que haverá um guarda corpo ao longo do trecho no canteiro central.
O detalhamento de como será o guarda corpo ainda não foi divulgado, mas é uma espécie de cerca que também servirá para acabar com as travessias de pedestres em qualquer ponto da avenida, como é hoje. A Flores da Cunha ficará dividida, como se fosse um corredor de ônibus.
Há alguns anos, quando foi cogitada a construção de um corredor de ônibus na parte central, muitos comerciantes se posicionaram contra com medo de ver a via se transformar em uma avenida Farrapos apontada como responsável pela decadência do comércio ao longo da sua extensão. Na semana passada, a Prefeitura de Porto Alegre anunciou um estudo para acabar com ele permitindo uma revitalização da área.
ATUALIZADA – 22/06/2021 – 11h44min




