CACHOEIRINHA

Cresce a pressão contra a derrubada de 28 das 49 árvores da Flores da Cunha

Prefeitura quer fazer a retirada das árvores que estariam atrapalhando a execução da ciclovia

Cachoerinha – O Ministério Público já recebeu uma reclamação contra a retirada de árvores do canteiro central da avenida Flores da Cunha para a continuidade das obras da ciclovia e agora o Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Condema) pediu explicações à Prefeitura. Quando a ciclovia foi anunciada no ano passado, o então secretário de Planejamento e Captação de Recursos, Élvis Valcarenghi, havia dito que a empresa Urbana Engenharia elaborou o projeto levando em conta a preservação das árvores.

Iniciada a obra, que já apresentou diversos problemas, como rachaduras no concreto, a realidade mudou. Há árvores no caminho. O secretário de Sustentabilidade, Trabalho e Desenvolvimento Econômico, Francisco Belarmino Dias, o Major, responsável pela Diretoria do Meio Ambiente, disse no início da tarde desta quinta-feira (24) que serão 28 árvores e não até 15 como havia falado em outra entrevista ao oreporter.net. São 19 exóticas e 9 que precisam ter o plantio compensatório equivalente a outras 15 novas plantas.

LEIA MAIS


Com o pedido de explicações do Condema, conforme Major, a empresa responsável pela construção da ciclovia recebeu a orientação para não arrancar nada até que o caso se resolva. O presidente do Conselho, Marcelo Rest, explica que os conselheiros decidiram questionar a Prefeitura para se posicionar sobre o assunto.

Marcelo é o representante da Associação de Preservação da Natureza – Vale do Gravataí (APN-VG) no Condema e a entidade, afirma, é contra a supressão das árvores. Não só pelo aspecto estético que elas conferem à avenida, mas por uma questão de evitar que o meio ambiente continue sendo castigado pelo desenvolvimento sem controle.

Outro ponto levantado pelo presidente do Conselho é que o Plano Diretor não está sendo respeitado. No artigo 55, que trata do Corredor Misto Não Residencial da Flores da Cunha, está estabelecido no inciso IV que a taxa de permeabilidade do solo deve ser de 15%. Para ele, a ocupação do solo definida no Plano Diretor também vale para as vias públicas. Hoje, a avenida já não tem os 15% reservados para canteiros mesmo sem a ciclovia. Com ela, o percentual passará a ser insignificante.

O engenheiro agrônomo Cyro Callovy Filho, um defensor da necessidade de Cachoerinha ter um Plano de Arborização, chegou a fazer uma vistoria nas obras em andamento. As raízes das árvores estão ficando expostas para receberem sobre elas brita e concreto, ficando um pequeno espaço para oxigenação e penetração de água da chuva.

Ele cita o caso de uma aroeira, que fornece frutos para a fauna, estar apresentado pontos de galhos sem seiva. “É sinal que teve abalo nas raízes. Talvez máquinas. Mexeram no sistema radicular dela. Uma judiaria”, lamenta.

Muitas das árvores no canteiro central, lembra o presidente do Condema, começaram a ser plantadas na década de 80. Os primeiros plantios foram feitos pelo Colégio Agrícola Daniel de Oliveira Paiva, o CADOP. O secretário de Sustentabilidade argumenta que as árvores são exóticas e muitas já são antigas. Para ele, mais cedo ou mais tarde elas vão acabar morrendo. Major não vê maiores problemas em fazer a retirada agora ainda mais que haverá uma compensação. Apesar disso, ele vai apresentar todo o projeto para o Condema e até que isso aconteça determinou que nenhuma árvore seja arrancada.

O vereador Mano do Parque está aguardando um posicionamento do Ministério Público sobre a representação que fez. Ele não quer a retirada das árvores e ainda pede que o MP avalie todos os procedimentos adotados para a construção da ciclovia para ser apurado se não há nenhuma irregularidade. Foi ele quem contou a quantidade de árvores existentes no canteiro central.

Atualizada – 24/06/2021 – 18h02min – A compensação será apenas para 9 árvores não exóticas e não como publicado anteriormente. A matéria acima foi atualizada.

Artigos relacionados

error: Não autorizamos cópia do nosso conteúdo. Se você gostou, pode compartilhar nas redes sociais.