Prefeitura pode desistir de concluir ciclovia no meio da Flores da Cunha
Obra está parada há duas semanas e Prefeitura vai fazer uma reavaliação sobre o local mais adequado
Cachoeirinha – A construção de uma ciclovia de 4,6 mil metros de extensão, boa parte no canteiro central da avenida Flores da Cunha, está parada há duas semanas e pode até mesmo não ser concluída. A secretária de Segurança e Mobilidade, Tatiana Boazão, explica que será feita uma reavaliação no início de 2022. A obra, orçada em R$ 1.350.000,00 foi iniciada na segunda quinzena de novembro do ano passado, e consistia na concretagem de boa parte do canteiro central e instalação da sinalização.
Apesar de a prefeitura ter contratado um projeto antes de fazer a licitação para a construção, depois do início dos trabalhos passaram a ser identificados problemas. Muitas árvores e postes de sinalização ao longo do trecho indicaram que não seria possível ciclistas transitarem com segurança.
Sem previsão no projeto inicial, a solução encontrada seria a instalação de um gradil de proteção ao longo de todo o trecho a um custo elevado que nem chegou a ser calculado. Isto, contudo, não traria segurança total para ciclistas. Há poucas semanas, o vereador David Almansa, ao postar uma foto de um carro que invadiu o canteiro central e quase derrubou um poste, comentou em seu perfil em rede social que ciclistas corriam sério risco de vida. Ele chegou a chamar a obra de “ciclovia da morte.”
Os problemas iniciaram semanas depois do início da obra. O vereador Marco Barbosa, em uma vistoria, identificou várias rachaduras no concreto e a prefeitura notificou a empresa CPS para fazer a reforma. Isso não impediu que novos problemas estruturais acontecessem. Em determinados trechos, onde há um rebaixamento para que pedestres cruzem a avenida, a camada de concreto ficou com menos de 1 centímetro.

O resultado é que só com o trânsito das pessoas buracos se abriram e a lona que reveste o solo ficou aparecendo. Outra polêmica foi a decisão de serem removidas 28 árvores. A quantidade corresponde a mais da metade. Segundo o vereador Mano do Parque, existem 49 na avenida. Algumas chegaram a ser retiradas apesar de protestos.
A Associação de Preservação da Natureza e do Rio Gravataí (APN-VG), conforme o coordenador do núcleo a APN-VG em Cachoeirinha, Marcelo Rest, que também é presidente do Conselho Municipal do Meio Ambiente, foi contrário a retirada das árvores, mesmo que algumas espécies fossem consideradas exóticas. Das 28, 19 são exóticas e não é necessária nenhuma compensação. Já para a retirada das outras 9 será necessário o replantio de 135 mudas em outros pontos da cidade.
A prefeitura chegou a iniciar a compensação plantando algumas nos locais de onde foram arrancadas as que mais atrapalhariam os ciclistas. Outro ponto levantado por Rest é que a concretagem estava acabando com a drenagem do solo.
Nas que árvores que ficaram, problemas não deixaram de acontecer. O engenheiro agrônomo Cyro Callovy Filho, um defensor da necessidade de Cachoerinha ter um Plano de Arborização, chegou a fazer uma vistoria nas obras em andamento. As raízes de algumas árvores ficaram expostas para receberem sobre elas lona, brita e concreto, ficando um pequeno espaço para oxigenação e penetração de água da chuva.
“Vamos reavaliar a obra. A opinião pública não foi muito favorável ao local onde está sendo feita, tem a questão custo porque o gradil teria que ser colocado em toda a extensão. A ciclovia corre o risco sim de ser colocada em outro lugar”, diz a Tatiana Boazão. A obra parou por falta de recursos no orçamento. Como ela está sendo executada com rercursos de multas e o pagamento foi flexibilizado em função da pandemia não estão entrando recursos no caixa da prefeitura para dar conta de todos os gastos. A normalização está prevista para o início do ano que vem, caso motoristas não ganhem mais prazos para acertar as contas.
Na reavaliação que será feita, uma opção poderá ser do traçado da ciclovia mudar para as laterais da avenida, mas seria necessário um estudo e nova licitação. Parte do trecho hoje seria nas laterais da avenida já que em determinadas áreas não há canteiro central. Havendo a desistência da ciclovia no local atual, o concreto não seria removido. A única vantagem é que haverá uma redução no custo com a roçada da grama que deixou de existir. Não há um prazo definido para ser anunciada a decisão sobre o destino da ciclovia




