Tecnologia nos bairros e nas escolas pode transformar o futuro de Cachoeirinha – parte 3/3
Nesta terceira e última reportagem da série “Como a inovação pode transformar Cachoeirinha”, o acesso ao conhecimento se soma às iniciativas de proteção da população, organização da gestão e qualificação profissional
Cachoeirinha – Levar formação tecnológica aos bairros, permitir que estudantes aprendam construindo robôs e aproximar meninas e mulheres da ciência são caminhos previstos em projetos de Cachoeirinha para ampliar o acesso ao conhecimento. As propostas integram a política municipal de inovação e buscam alcançar públicos que nem sempre têm equipamentos, conexão ou oportunidades de capacitação. Parte dessas iniciativas ainda depende da obtenção de recursos para sair do planejamento.
A articulação é conduzida pela Secretaria Municipal de Inovação, Tecnologia, Qualificação e Novos Projetos (SMIT), criada em maio deste ano. A secretária Sueme Pompeo de Mattos iniciou o trabalho com inovação na gestão anterior, quando atuava na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, posteriormente extinta. Na nova pasta, a proposta é conectar diferentes áreas da prefeitura, instituições de ensino e parceiros locais.
Tecnologia em Movimento
Uma das iniciativas é o Tecnologia em Movimento, apresentado para captação de recursos junto ao Fundo para Reconstituição de Bens Lesados (FRBL). O projeto prevê uma unidade móvel, denominada Inova Móvel, para transportar equipe, equipamentos e materiais destinados a atividades em bairros, escolas e espaços comunitários.
A unidade deverá contar com computadores portáteis, tablets, recursos audiovisuais e conexão à internet. A estrutura também prevê mesas, cadeiras e tendas para permitir atividades fora do veículo. A intenção é reduzir barreiras de deslocamento e levar a formação a locais com menor acesso à infraestrutura tecnológica.
Sueme explica que a proposta combina equipamentos e atividades orientadas. “Ela é toda equipada com tecnologia, com a parte também de internet, para que chegue no local e desenvolva capacitações, letramento digital onde estiver”, afirma, ao descrever a van prevista no projeto.
O plano de trabalho prevê 72 turmas de 20 horas, distribuídas em temas como cidadania digital, ferramentas de produtividade, inteligência artificial, segurança na internet, empreendedorismo e sustentabilidade. Ao longo dos 36 meses de execução previstos no documento, as metas são oferecer 1.440 vagas formativas e alcançar 1.080 participantes distintos.
A proposta estabelece prioridade para mulheres em pelo menos 40% das vagas e prevê turmas de cidadania digital desenhadas para a população idosa. Também contempla conteúdos sobre proteção de dados e segurança digital, aproximando a capacitação de questões presentes no uso cotidiano da internet.
A secretária exemplifica a possibilidade de levar as atividades a uma praça do bairro Canarinho, permitindo a participação de crianças, jovens e adultos. O objetivo é aproximar esses públicos da tecnologia e permitir que experimentem suas ferramentas. Segundo Sueme, o projeto está em análise e depende da obtenção dos recursos solicitados.
Laboratório maker
Outra proposta é a implantação de um laboratório maker, voltado à aprendizagem prática por meio de robótica, programação, eletrônica e impressão 3D. A iniciativa busca permitir que estudantes, professores e outros participantes possam montar, testar e desenvolver projetos, utilizando a tecnologia para compreender e enfrentar problemas da comunidade.
O portfólio prevê kits de microcontroladores, conjuntos de robótica, sensores, impressoras 3D e computadores. Também contempla formação de professores e monitores, oficinas e atividades de divulgação científica, com articulação entre a SMIT e a Secretaria Municipal de Educação (SMED). Esse projeto não tem relação com a sala maker, implantado no mês passado na escola Portugal, embora a iniciativa da SMEC, com a ampliação no número de salas, esteja alinhada com a construção de um novo futuro para Cachoeirinha.
Entre as metas iniciais previstas para o laboratório maker estão pelo menos 20 oficinas, a formação de 30 professores ou monitores e o desenvolvimento de 30 projetos ou protótipos. Esses números representam o planejamento da proposta, e não atividades já realizadas.
Sueme destaca a intenção de ampliar o acesso da comunidade ao aprendizado tecnológico. As atividades previstas no portfólio incluem montagem de circuitos, programação de movimentos, leitura de sensores e criação de peças em impressoras 3D. A finalidade é permitir que os participantes compreendam o funcionamento das ferramentas e desenvolvam aplicações relacionadas a temas como meio ambiente, acessibilidade e serviços públicos.
Além desse voltado para estudantes, Sueme revela que tem uma emenda de R$ 300 mil para montar um laboratório menor no Shopping do Vale. A previsão é para 2027.
Ciência Delas
A participação de meninas e mulheres também orienta o Ciência Delas, proposta de divulgação científica vinculada à chamada do CNPq e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação para a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. O projeto prevê atividades gratuitas, com prioridade para estudantes da Educação Básica e ações abertas à comunidade.
O planejamento reúne pelo menos dez oficinas, uma exposição sobre mulheres na ciência, uma mostra de projetos estudantis e rodas de conversa. Entre os assuntos previstos estão inteligência artificial, robótica, dados, indústria, sustentabilidade e empreendedorismo. A meta é alcançar ao menos 600 participantes e envolver seis escolas ou unidades educacionais.
O Ciência Delas busca estimular meninas e jovens mulheres a se reconhecerem como possíveis pesquisadoras, programadoras, técnicas e empreendedoras. Também prevê materiais digitais para que professores possam reproduzir atividades após a programação principal, dando continuidade ao contato dos estudantes com a ciência.
Sueme informa que o projeto encaminhado ao CNPq está em análise. As oficinas, a mostra e as demais atividades do Ciência Delas são apresentadas no portfólio como ações previstas, sem indicação de que já estejam disponíveis à população.
Relação da cidade com a tecnologia
A construção dessas iniciativas envolve uma mudança gradual na relação da cidade com a tecnologia. Para a secretária, a participação de instituições de ensino, empresas e poder público é necessária para ampliar as possibilidades de formação e desenvolver projetos adequados à realidade local.
“A inovação, tu não precisa estar inventando roda. A gente pode estar buscando algumas coisas que deram certo e, claro, fazer sentido para a cidade”, afirma Sueme. Essa construção envolve aproximar os moradores dos espaços de aprendizagem e despertar o interesse pelas atividades.
Nesta terceira e última reportagem da série “Como a inovação pode transformar Cachoeirinha”, o acesso ao conhecimento se soma às iniciativas de proteção da população, organização da gestão e qualificação profissional. Dos bairros aos espaços de formação, a proposta é ampliar as oportunidades de participação, aprendizagem e uso da tecnologia no cotidiano dos moradores.
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