POLÍTICA

Como a inovação pode transformar Cachoeirinha e a vida de seus moradores – parte 1/3

Criada em maio, secretaria articula projetos de modernização da gestão, segurança e monitoramento de riscos de alagamentos

Cachoeirinha – Um botão de emergência instalado em um parque, sensores que acompanham os níveis de água e um escritório responsável por monitorar projetos da prefeitura são algumas das iniciativas pelas quais Cachoeirinha busca aproximar a inovação da vida dos moradores. A proposta envolve tanto ferramentas de proteção da população quanto mudanças na organização da administração, com acompanhamento de prazos, responsabilidades e etapas para que os projetos avancem até a entrega dos serviços.

Criada em maio deste ano, a Secretaria Municipal de Inovação, Tecnologia, Qualificação e Novos Projetos (SMIT) tem à frente Sueme Pompeo de Mattos. Na gestão anterior, ela atuava na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, onde deu os primeiros passos na área da inovação. Com a nova pasta, o trabalho passou a contar com uma estrutura voltada à articulação de projetos com outras secretarias, instituições de ensino e empresas.

Para Sueme, essa atuação deve criar condições para que as iniciativas se concretizem. “As ferramentas hoje que a gente tem de inovação são para agilizar os processos, mas, de uma certa forma, não engessar. É criar possibilidades e entregar”, afirma.

Uma das bases dessa organização é o Escritório de Gestão de Projetos, também identificado pela sigla PMO. Sua função é acompanhar ações do Executivo, reunir informações sobre o andamento dos projetos e ajudar a identificar obstáculos que precisam ser resolvidos. A estrutura funciona como um guarda-chuva de acompanhamento da gestão, conectando o planejamento às etapas de execução nas secretarias.

O trabalho prevê o mapeamento dos projetos, a identificação de responsáveis e o acompanhamento de prazos por meio de um painel de gestão. Também inclui relatórios, capacitação e reuniões periódicas com a prefeita Jussara Caçapava e os secretários para avaliar o avanço das ações e apoiar decisões.

Sueme explica que esse acompanhamento permite sinalizar o que exige atenção e o que precisa ser entregue. Ao reunir as informações, o escritório também oferece à gestão uma visão do desenvolvimento das ações nas diferentes pastas. “Não pode ser ilha, tem que ser compartilhado isso tudo”, ressalta.

Para o cidadão, a finalidade dessa organização é contribuir para que os projetos avancem e cheguem à população. O escritório busca identificar dificuldades entre setores, acompanhar pendências e manter as entregas no centro das decisões, evitando que o planejamento perca continuidade ao longo da execução.

A política municipal de inovação é outra base desse trabalho. Segundo Sueme, a criação da lei buscou oferecer segurança jurídica para testar soluções e desenvolver ambientes de inovação. “Por que eu corri muito para implementar a lei de inovação? Para criar segurança jurídica”, afirma.

Na proteção dos moradores, uma das iniciativas já em funcionamento é o botão do pânico instalado no Parcão da Paz Ignácio Aloysio Herbert, no bairro Parque da Matriz. O equipamento foi acionado já no primeiro dia de operação e permite que uma pessoa em situação de risco estabeleça comunicação com a central de segurança do município.

O posto eletrônico está integrado ao Centro Integrado de Comando e Controle (CICC). A estrutura reúne botão de emergência, comunicação de voz em ambos os sentidos, câmeras de monitoramento, sirene e sinalização luminosa. Sua finalidade é facilitar o pedido de ajuda em situações de perigo e outras emergências no espaço público.

Sueme destaca a proteção das mulheres entre as aplicações do equipamento. “A gente trouxe ele para um quesito de proteção da violência contra a mulher”, explica. O recurso cria um ponto de contato entre quem precisa de socorro e os operadores da segurança pública.

Outra iniciativa já instalada está na fase de testes: os sensores de monitoramento dos níveis de água do projeto Smart Liquid. A proposta é avaliar o uso da tecnologia como ferramenta complementar para acompanhar riscos de alagamentos e apoiar as decisões das equipes municipais.

O projeto prevê medições a distância em pontos críticos de drenagem, como bueiros, galerias pluviais e arroios, com informações disponíveis em uma plataforma de acompanhamento. A iniciativa envolve a SMIT, a Secretaria Municipal de Defesa Civil e Resiliência Climática (SMDCRC) e a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Urbanos (SMISU).

Nesta etapa, os testes devem avaliar a precisão das medições, a estabilidade da transmissão de dados e a resistência dos equipamentos às condições dos locais de instalação. O objetivo é verificar como essas informações podem contribuir para o acompanhamento dos níveis de água e para a tomada de decisões. O monitoramento complementa o trabalho das equipes, enquanto as intervenções na drenagem continuam necessárias para enfrentar os problemas de alagamento.

As iniciativas fazem parte de uma construção que, segundo Sueme, também depende da colaboração e da adaptação de experiências à realidade de Cachoeirinha. “A inovação, tu não precisa estar inventando roda. A gente pode estar buscando algumas coisas que deram certo e, claro, fazer sentido para a cidade”, afirma.

Do acompanhamento dos projetos dentro da prefeitura ao pedido de socorro no parque e aos testes de sensores, a inovação começa a ocupar diferentes espaços da administração municipal. A proposta é conectar essas ações para que a organização da gestão e o uso da tecnologia contribuam para os serviços prestados aos moradores.

A formação para o trabalho é outra frente dessa política. Amanhã, O Repórter apresenta os projetos que buscam aproximar jovens e mulheres das oportunidades profissionais por meio da qualificação tecnológica em Cachoeirinha.

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