POLÍTICA

Como a inovação pode transformar Cachoeirinha: a qualificação tecnológica – parte 2/3

Projeto reúne espaço de formação, cursos e banco de talentos para aproximar jovens e mulheres das demandas da indústria

Cachoeirinha – A formação em inteligência artificial, automação e ferramentas digitais pode abrir caminhos para moradores de Cachoeirinha que buscam ingressar no mercado de trabalho ou desenvolver novas competências. Essa é a proposta do Hub de Inovação, que reúne o Containers Lab e o Programa Jovem Industrial, com implantação prevista no Centro das Indústrias de Cachoeirinha (CIC). A iniciativa está em implementação e pretende conectar a capacitação às necessidades do setor produtivo local.

O Containers Lab conta com recursos de três emendas parlamentares do deputado federal Pompeo de Mattos, cerca de R$ 600 mil, destinados à estrutura física, aos equipamentos tecnológicos e à formação do Programa Jovem Industrial.

O projeto integra a atuação da Secretaria Municipal de Inovação, Tecnologia, Qualificação e Novos Projetos (SMIT), criada em maio deste ano. À frente da pasta, Sueme Pompeo de Mattos articula a proposta com instituições de ensino e representantes da indústria. A intenção é que o aprendizado tenha continuidade na aproximação dos participantes com oportunidades profissionais.

“Nós vamos desenvolver um projeto de capacitação, mas é uma capacitação mais assertiva, junto com o Senai e com o Cesuca, que vai ser uma trilha”, explica Sueme. Segundo ela, os participantes que concluírem esse percurso integrarão um banco de talentos voltado à aproximação com o mercado de trabalho e suas necessidades tecnológicas.

O Containers Lab prevê dois contêineres adaptados, equipamentos de informática, recursos audiovisuais, impressora 3D e mobiliário para atividades de formação. A estrutura também contempla espaços de trabalho compartilhado, desenvolvimento de protótipos e realização de encontros e oficinas. O objetivo é reunir, em um mesmo ambiente, aprendizagem e contato com demandas das empresas.

A formação inicial do Programa Jovem Industrial prevê 50 educandos e 120 horas de atividades, com participação do CIC, da Mundial RH, do Cesuca e do Senai. O plano estabelece uma cota mínima de 50% para mulheres e prevê bolsas de permanência para apoiar a participação dos alunos ao longo do percurso.

As atividades devem combinar competências técnicas, digitais e comportamentais. O projeto relaciona a capacitação a áreas como inteligência artificial, automação e tecnologias utilizadas pela indústria, buscando aproximar o conteúdo dos cursos das transformações no ambiente de trabalho.

O banco de talentos é uma das ferramentas previstas para dar continuidade à formação. A proposta é reunir informações sobre os participantes e apoiar sua aproximação com o mercado. A conclusão da capacitação, entretanto, não representa garantia de contratação, que depende das oportunidades disponíveis e dos processos de seleção das empresas.

A participação feminina aparece como uma prioridade do projeto. Além da reserva de vagas na formação inicial, o portfólio prevê capacitações de mulheres em gestão, tecnologia e empreendedorismo. A intenção é ampliar o acesso a conhecimentos que possam contribuir tanto para a busca de emprego quanto para o desenvolvimento de atividades próprias.

A implantação envolve a articulação entre poder público, setor produtivo e instituições de ensino. Sueme destaca que a estrutura será construída em parceria com o CIC, que também deverá participar com investimento. Para ela, a colaboração é parte do funcionamento da política de inovação. “A inovação hoje é muito boa de trabalhar porque a gente trabalha no processo colaborativo”, afirma.

Outra proposta reunida no portfólio municipal é o Programa Jovem Empreendedor. Diferente do Jovem Industrial, seu foco é a formação de estudantes por meio da criação e operação de uma empresa simulada. O percurso prevê atividades práticas para pesquisar o mercado, organizar um negócio, elaborar projeções financeiras e desenvolver ações de comunicação.

A metodologia inclui o uso de ferramentas digitais para pesquisas, planilhas e produção de conteúdo, além de conhecimentos de inteligência artificial. O programa depende da captação de recursos e prevê 96 horas de atividades aplicadas ao longo de 12 meses.

As duas iniciativas abordam caminhos complementares: preparar participantes para demandas profissionais e desenvolver conhecimentos para empreender. No caso do Containers Lab, a estrutura também prevê atividades de inovação, oficinas e encontros que aproximem empresas, instituições de ensino e comunidade.

Essa conexão com o setor produtivo aparece ainda no projeto de participação institucional de Cachoeirinha na Mercopar, em Caxias do Sul, como vem ocorrendo nos últimos anos. A proposta busca apresentar o município, estabelecer contatos com empresas e investidores e aproximar o ambiente produtivo local de novas tecnologias. Seus efeitos sobre emprego e renda são objetivos esperados, que dependerão dos desdobramentos dessas relações.

Para Sueme, o avanço da política de inovação ocorre de forma gradual. “Todos os projetos que a gente vem fazendo, aos pouquinhos, vão dando resultado”, afirma. Na qualificação profissional, a transformação pretendida passa pela criação dos espaços, pela realização das formações e pela capacidade de conectar o conhecimento adquirido às oportunidades de trabalho.

O acesso à tecnologia começa também antes da entrada no mercado profissional e precisa alcançar diferentes públicos e bairros. Amanhã, na terceira e última reportagem da série “Como a inovação pode transformar Cachoeirinha”, O Repórter apresenta as propostas de uma unidade móvel de capacitação, de um laboratório de robótica e impressão 3D e de atividades para aproximar meninas e mulheres da ciência.

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