POLÍTICA

Miki não terá vida fácil na Câmara e já é cobrado

  • Roque Lopes

O prefeito Miki Breier poderia pensar que o relacionamento com a Câmara de Vereadores seria mais fácil já que todos os eleitos são de partidos que o apoiaram na campanha eleitoral. Só poderia. Pelo menos dois deles demonstraram na primeira sessão da nova legislatura, a primeira da história que não tem nenhum representante da oposição, realizada nesta terça-feira (7), que vão cobrar energicamente o Executivo. Parecendo um trem desgovernado de tanto entusiasmo, Jussara Caçapava (PSB) foi a mais enfática. Se fosse uma partida de futebol, ela teria dado uma solada no presidente da Câmara, Marco Barbosa, um carrinho que levantou para cima o secretário da Saúde, Paulo Abrão, e discutido com o árbitro, o secretário de Governança e Gestão, Juliano Paz, que assistia a tudo no Plenário. Jussara, que tinha uma ligação muito próxima ao ex-prefeito Luiz Vicente da Cunha Pires, já vinha demonstrando seu descontentamento nas redes sociais.

A primeira sessão, que teve a presença do prefeito, poderia ser amena, mas não foi. Além de Jussara, o destaque foi o vereador peemedebista Cristian Wasem. Chamado de Cristian Rosa pelo primeiro secretário Fernando Medeiros (PDT) para usar a Tribuna, já demonstrou personalidade dizendo que gostava muito do Rosa mas que queria ser chamado de Cristian Wasem como está escrito na plaqueta da sua mesa. Medeiros só deu uma olhada, sério, demonstrando que entendeu o recado. E na Tribuna Wasem foi com tudo para cima do governo. “Eu vim aqui para fiscalizar”, anunciou.

Ele se centrou em uma das maiores reclamações de motoristas: os pardais. Havia mais de uma centena deles até que, sem planejamento e dinheiro, o último prefeito fez uma redução. Mas antes disso, o vereador deu um puxão de orelhas nos colegas. “Tá uma choradeira, dizem que está ruim, que está complicado e parece que está todo mundo (os colegas vereadores) cansado. Eu vim aqui para fiscalizar. Devemos R$ 1 milhão destes radares e eles servem para o que mesmo? Para multar ou educar? Onde estão os fiscais de trânsito?”, questionou. Ele lembrou de adesivos que circularam há um tempo com a frase “Visite Cachoeirinha e ganhe uma multa” para ressaltar que a ação da fiscalização tem que ser educativa.

Na mesma batida de cobrança ao governo Miki a vereadora Jussara Caçapava, olhando para Juliano Paz no Plenário, disse que não quer saber de pedidos seus engavetados na Prefeitura. Ela já começou atropelando o presidente da Câmara quando ele disse que seriam usados somente 25 minutos para a leitura dos expedientes apresentados pelos vereadores. Era 186 no total e o primeiro secretário disse que iria ler apenas 30. “Ou leiam todos ou nenhum”, criticou Jussara. Marco Barbosa explicou que o Regimento Interno da Câmara define o prazo de 25 minutos e que não daria tempo de ler todos. Os vereadores, argumentou, poderiam usar seus espaços para falarem sobre o que apresentaram.


E quando foi para a Tribuna, a vereadora Jussara foi enfática nas cobranças. A começar pela área da saúde. Segundo ela, no último sábado uma mulher estava em trabalho de parto no Posto 24 horas e precisava ser removida para o hospital e não havia carro. “Mas tinham duas ambulâncias ali”, exclamou sem poupar o atual secretário da Saúde, Paulo Abrão. “Eu estou com saudade do Amir ( Selaimen, secretário anterior). Ele sempre nos atendia. O secretário atual não nos atende. Não atende o telefone. Ele tem que atender a qualquer hora”, reclamou.

Jussara, se dirigindo a Juliano Paz, reforçou que não quer seus pedidos engavetados na prefeitura. Ele, com um papel e caneta e um sorriso no rosto demonstrando que tinha entendido o recado, anotava tudo. Caberá a Juliano fazer a interlocução com o Legislativo e ele tem sido muito elogiado pela disponibilidade, paciência e iniciativa em tentar resolver as demandas que são apresentadas. A vereadora vem trabalhando forte desde janeiro. Não fez recesso e chegou a reunir sua equipe para fazer a limpeza de ruas e praça na Zona Norte depois de não ver seus pedidos atendidos pela Prefeitura.

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