Estudo técnico justifica contratação de escritório de advocacia pela Prefeitura
Segundo o estudo, a contratação direta foi escolhida por ser considerada a única alternativa "legal, técnica e operacionalmente viável"
Cachoeirinha – O Estudo Técnico Preliminar (ETP) que embasou a contratação da Madsen Hanisch – Sociedade Individual de Advocacia, do advogado Lucas Matheus Madsen Hanisch, pela Prefeitura de Cachoeirinha aponta uma série de dificuldades enfrentadas pela Procuradoria-Geral do Município (PGM) e conclui que a contratação de um escritório especializado seria a alternativa mais adequada para atender as demandas jurídicas da administração municipal.
O contrato firmado prevê o pagamento de R$ 758,4 mil por seis meses de serviços, o equivalente a R$ 126,4 mil por mês, para uma equipe mínima de seis advogados. O valor de referência considerado pelo Município foi de R$ 160 por hora de trabalho.
O documento foi elaborado pelo procurador-geral do Município, Rodrigo Silveira, e serviu de base para a contratação por inexigibilidade de licitação. Entre as justificativas apresentadas estão a necessidade de adaptação à nova Lei de Licitações (Lei 14.133/2021), o aumento da complexidade dos processos administrativos, a necessidade de suporte em áreas como orçamento, pessoal e planejamento, além da insuficiência da estrutura atual da Procuradoria para absorver todas as demandas.
O estudo não analisou a possibilidade de contratação temporária de advogados por meio de processo seletivo simplificado, alternativa que chegou a ser autorizada pela Câmara de Vereadores e motivou a publicação de dois editais posteriormente cancelados pela Prefeitura. A justificativa foi de que a contratação de seis meses não seria suficiente para a continuidade dos trabalhos previstos.
No capítulo destinado ao estudo de alternativas, a Procuradoria avaliou apenas quatro possibilidades:
- Ampliação do quadro por concurso público;
- Contratação por licitação (pregão ou concorrência);
- Credenciamento de múltiplos escritórios;
- Contratação direta por inexigibilidade de licitação.
A contratação temporária de assessores jurídicos por processo seletivo simplificado não aparece entre as opções examinadas no ETP.
Por que a contratação do escritório foi considerada a melhor opção
Segundo o estudo, a contratação direta foi escolhida por ser considerada a única alternativa “legal, técnica e operacionalmente viável”. Entre os argumentos apresentados estão:
- Cobertura imediata das demandas do Município;
- Disponibilidade de equipe multidisciplinar;
- Especialização em Direito Público;
- Atendimento integrado em diferentes áreas da gestão municipal;
- Continuidade dos serviços até a realização de concurso público;
- Estrutura de supervisão e validação interna dos pareceres e estudos produzidos.
O ETP informa que a Prefeitura estima concluir um concurso público para a área jurídica em um prazo entre 12 e 18 meses. Até lá, segundo o documento, haveria necessidade de suporte externo para garantir a continuidade dos serviços.
O que os advogados contratados vão fazer
O escritório deverá atuar em quatro grandes eixos temáticos definidos pela Procuradoria-Geral do Município:
1. Consultoria Jurídica e Assessoria Administrativa
- Análise jurídica de processos administrativos;
- Apoio na implementação da nova Lei de Licitações;
- Orientação jurídica às secretarias municipais.
2. Análise e Gestão Orçamentária
- Apoio na elaboração e análise da LOA;
- Assessoria em operações de crédito;
- Acompanhamento da execução financeira de recursos vinculados.
3. Gestão de Pessoal, Contratos e Regularidade Fiscal
- Orientação sobre despesas de pessoal;
- Apoio na gestão de contratos;
- Regularização e manutenção das condições junto ao CAUC e ao CADIN.
4. Planejamento Municipal, Projetos e Infraestrutura
- Apoio na revisão do Plano Diretor;
- Estruturação de banco de projetos;
- Captação de recursos, emendas e convênios.
Escritório já atuava para a Prefeitura
O próprio estudo registra que a Madsen Hanisch possui histórico de prestação de serviços para a Prefeitura de Cachoeirinha e apresentou atestados de capacidade técnica emitidos pelo Município, além de documentos de experiências junto às Câmaras de Cachoeirinha, Canoas e Viamão.
Os detalhes da proposta financeira
A proposta financeira apresentada pelo escritório detalha que, dos R$ 126,4 mil pagos mensalmente pela Prefeitura, R$ 48 mil são destinados aos honorários dos seis advogados associados que atuarão diretamente no contrato, o equivalente a R$ 8 mil por profissional por mês.
O documento informa ainda que outros R$ 12 mil serão destinados ao pró-labore do titular do escritório, responsável pela supervisão e revisão obrigatória dos trabalhos. O restante dos recursos cobre tributos, despesas administrativas, estrutura operacional, deslocamentos, sistemas, aluguel, capacitação e demais custos da operação.




