Câmara não vota projetos depois de protesto de servidores
- Roque Lopes
A Câmara de Vereadores foi palco de horas de tensão nesta terça-feira (21) quando entraria em votação seis projetos do Executivo que retiram vantagens conquistadas pelos servidores municipais nos últimos anos. No início da tarde os servidores já começaram a se concentrar em frente ao prédio, que acabou fechado pelos seguranças. Depois de muita negociação, o presidente do Legislativo, Marco Barbosa, decidiu fazer uma sessão rápida sem apreciar nenhum projeto. Uma nova sessão será realizada na quinta ou sexta-feira. Pelo Regimento Interno do Legislativo, a sessão deverá ser na sexta-feira, uma vez que é necessário fazer a convocação com no mínimo 48 horas de antecedência.

O clima ficou tenso na Câmara quando o presidente do Sindicato dos Servidores de Cachoeirinha (SIMCA) entrou no prédio para pegar as 100 senhas que tinham sido negociadas com Marco Barbosa. Alguns municipários aproveitaram o momento para invadir o prédio e foi chamado reforço da Brigada Militar. Pelo menos 20 homens impediram o acesso ao prédio. Quem estava lá dentro também ficou impedido de sair. A imprensa também não teve acesso e somente o vereador Brinaldo Mesquita teve o ingresso liberado. Pelos vidros fumês era possível ver cerca de 50 pessoas pelos corredores, entre funcionários municipais, servidores da Câmara, vereadores e CCs da Câmara e da Prefeitura.

No lado de fora, os servidores se concentraram sob o toldo de acrílico se protegendo do temporal que caiu sobre Cachoeirinha. Outros se abrigaram nos gazebos montados na calçada. O clima ficou tenso quando alguns servidores tentaram forçar o acesso ao prédio. Um brigadiano usou um spray de pimenta e dispersou a multidão, que continuou protestando. O presidente do SIMCA entrou duas vezes no prédio para negociar a participação dos servidores na sessão. Na primeira trouxe a proposta de que somente 100 seriam liberados para entrar e informou que os projetos seriam votados. Colocada em votação, a proposta não foi aceita. Logo em seguida, um grupo de servidores reivindicou uma mudança na votação para que os 100 pudessem entrar.
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Como a proposta não foi aceita, a pressão no lado de fora continuou e lá dentro não era possível saber o que acontecia. Minutos antes de a sessão iniciar, Guilherme foi chamado novamente. Agora, a informação que ele trouxe havia mudado. “O presidente disse que vai abrir e suspender a sessão. Só precisamos garantir que ele não reabra depois que formos embora”, disse aos servidores, chamando o advogado do sindicato para ver o que dizia o Regimento Interno da Câmara. Logo em seguida veio a informação de que a sessão seria aberta e encerrada e uma nova seria convocada para apreciar os projetos.
Segundo o presidente da Câmara, Marco Barbosa, a sessão não pode ser realizada por falta de segurança. “Eles não cumpriram com o acordado. Quando o Guilherme veio pegar as senhas, teve a invasão. Agora vamos decidir quais medidas vamos tomar para que possamos votar os projetos na próxima sessão, que deverá ser na quinta ou sexta-feira”, disse. Segundo Barbosa, os vereadores seguiram o rito normal de tramitação dos projetos e que os servidores participaram das reuniões das comissões para darem suas contribuições. Exceto por emendas da vereadora Jacqueline Ritter em três projetos aumentando de 3% para 5% o percentual de bonificação sobre os salários nas progressões na carreira, nada mais mudou nos seis projetos de interesse do funcionalismo que seriam votados.
A diretoria do SIMCA, delegados sindicais e representantes dos setores sem delegados estão reunidos neste momento na sede da entidade para definirem como será a mobilização da categoria para amanhã e até o dia da votação dos projetos.
Atualizada 21/02/2017 – 21h09min




