POLÍTICA

Vítimas da enchente acompanham promessas de obras contra cheias em Cachoeirinha

Representantes do Estado estimam início das intervenções no primeiro semestre de 2028

Cachoeirinha – A Comissão de Moradores do Parque da Matriz reuniu-se, nesta terça-feira (25), com representantes da Secretaria da Reconstrução Gaúcha para acompanhar o andamento dos projetos de proteção contra as cheias na Bacia do Rio Gravataí. Segundo as informações apresentadas no encontro, a previsão é de que as obras de contenção comecem no primeiro semestre de 2028.

A comissão foi recebida pelo subsecretário de Projetos Estruturantes, Guilherme Kruger, e pelo diretor do Departamento de Projetos para Resiliência e Adaptação Climática, Alexandre Mees. Os moradores questionaram a situação dos estudos e das intervenções prometidas desde a enchente de maio de 2024.

A mobilização começou logo depois da inundação, quando famílias atingidas passaram a cobrar estudos, projetos e obras para impedir que a água do Rio Gravataí volte a alcançar os bairros. Desde então, a comissão vem realizando reuniões com órgãos públicos e acompanhando os anúncios dos governos municipal, estadual e federal.

Empresa terá 13 meses para concluir estudos

De acordo com os representantes do Estado, a etapa atual é a licitação para contratar a empresa que atualizará o anteprojeto de proteção contra cheias da Bacia do Rio Gravataí. O edital tem valor estimado de R$ 5,78 milhões, com abertura das propostas prevista para 5 de outubro.

A expectativa apresentada durante a reunião é de que a execução da atualização do anteprojeto e do processo de licenciamento ambiental prévio comece até dezembro de 2026. Depois da contratação, a empresa selecionada terá 13 meses para concluir os trabalhos.

Nesse período, serão realizados levantamentos de campo, estudos hidrológicos, simulações da circulação da água e análises ambientais. O trabalho deverá indicar quais intervenções são tecnicamente viáveis em cada região, entre elas muros de contenção, diques, casas de bombas, sistemas de drenagem e bacias de amortecimento.

A empresa também deverá calcular a cota necessária para proteger as áreas urbanas diante de novas cheias. O estudo utilizará os níveis registrados em maio de 2024 para atualizar os parâmetros do sistema e definir a altura necessária para as estruturas de contenção.

Outra etapa será o levantamento das pessoas e dos imóveis que poderão ser atingidos pelas futuras obras. Caso alguma alternativa exija a utilização de áreas ocupadas, o anteprojeto terá de apontar a necessidade de desapropriações e apresentar medidas para atendimento das famílias afetadas.

Moradores participarão de audiência pública

Os representantes da Secretaria da Reconstrução Gaúcha informaram que o processo contará com audiência pública a ser realizada durante a elaboração dos estudos. Nesse encontro, os moradores poderão conhecer as alternativas avaliadas, os impactos previstos e as soluções indicadas pela equipe técnica.

Em Cachoeirinha, a atualização abrange o dique existente, as casas de bombas e a inclusão do Parque da Matriz, que não fazia parte dos anteprojetos anteriores. Os estudos deverão apontar qual solução será necessária para proteger o bairro, podendo envolver dique, muro, bombeamento, drenagem ou uma combinação de intervenções.

O cronograma apresentado aos moradores prevê o começo das obras de contenção no primeiro semestre de 2028. A data, no entanto, ainda é uma estimativa. O início dependerá da conclusão dos anteprojetos, do licenciamento ambiental e das futuras licitações dos projetos executivos e das obras.

Comissão questiona obra do Aeroporto Salgado Filho

Durante a reunião, os moradores também questionaram por que o Governo do Estado e a Prefeitura de Porto Alegre não realizaram uma audiência pública para apresentar o Relatório de Impacto Ambiental das obras de proteção do Aeroporto Internacional Salgado Filho.

A comissão quer saber quais serão os efeitos das estruturas construídas em Porto Alegre sobre Cachoeirinha, Canoas, Gravataí e Alvorada. Os moradores também questionaram por que as obras do aeroporto estão sendo executadas durante o dia e a noite, enquanto os demais projetos de proteção da Bacia do Gravataí avançam em ritmo mais lento.

Conforme a explicação apresentada no encontro, a intervenção no entorno do aeroporto tem caráter emergencial. Além de proteger o terminal, a estrutura deverá atender o bairro Sarandi e outras áreas da Zona Norte de Porto Alegre.

Os representantes do Estado informaram ainda que a obra atualmente executada não corresponde ao sistema definitivo. A solução permanente deverá ser implantada posteriormente, depois da conclusão dos estudos, dos projetos e das etapas de licenciamento ambiental.

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