Vereador recorre à Executiva Estadual do PT para votar pelo impeachment
Leonardo da Costa não quer seguir orientação do Diretório Municipal para votar “Não”
Cachoeirinha – O vereador Leonardo da Costa (PT) apresentou um recurso à Executiva Estadual do partido para contrariar a decisão do Diretório Municipal na votação do impeachment do prefeito Cristian Wasem e do vice, delegado João Paulo. O PT municipal decidiu e orientou Leonardo e Gustavo Almansa a votar “Não”. O voto não é um apoio a Cristian, mas sim uma forma de protesto contra a banalização do impeachment.
Leonardo não concordou com a decisão e apresentou recurso argumentando que não pode ser ignorado o fato de haver um rompimento da base aliada na disputa por espaços de poder, mas que, ao mesmo tempo, a péssima administração do prefeito e vice serve de combustível.
“A cidade vive um cenário de ingovernabilidade, descaso e abandono que desde o início do mandato estamos fiscalizando e denunciando formalmente como parlamentar, mas que, muito antes de ser vereador, eu, junto ao coletivo do Mato do Júlio já denunciávamos”, disse no recurso – leia na íntegra no final da matéria.
O ex-vereador e ex-candidato a prefeito em duas eleições, enfrentando Cristian, David Almansa, reagiu. O estatuto do PT prevê sanções que vão de suspensão à cassação do mandato. O assessor de comunicação da Presidência da República disse ao jornalista Rafael Martinelli, do site Seguinte, que Leonardo não manifestou contrariedade no debate interno do “Sim” ou “Não.”
Para David, Leonardo vai em contradição em suas argumentações. “Por que não enfrentou as denúncias de corrupção na Câmara onde legisla e faltou à Sessão que votou o pedido de investigação sobre a presidente do Legislativo?”, disse Almansa na entrevista ao Seguinte. Quando Cristian apresentou um pedido de impeachment contra Jussara Caçapava, que foi recusado, Leonardo faltou. Seu colega de bancada, votou pela aceitação.
No dia da votação, conforme David, Leonardo participou pela manhã da audiência pública sobre a concessão de rodovias em Gravataí e alegou mal-estar no final do dia para não ir na Sessão. Para David, ele abandonou e expos Gustavo, que “corajosamente votou a favor da abertura de investigação”. Já circula nos bastidores a possibilidade de Leonardo não ir na Sessão de Julgamento caso não consiga reverter a decisão do Diretório Municipal, apresentando um atestado médico para justificar a ausência.
Confira o recurso de Leonardo da Costa à Executiva Estadual do PT
À EXECUTIVA ESTADUAL DO PARTIDO DOS TRABALHADORES – RIO GRANDE DO SUL : RECURSO
Assunto: Consulta urgente sobre orientação de voto e pedido de liberação no processo de Impeachment em Cachoeirinha.
Companheiros e companheiras,
Eu, Leonardo da Costa, membro do Diretório Estadual, Secretário Estadual de Meio Ambiente e vereador pelo Partido dos Trabalhadores no município de Cachoeirinha, onde nosso partido conta com uma bancada de dois parlamentares, venho à presença desta instância estadual expor a grave conjuntura local.
Cachoeirinha atravessa hoje um doloroso processo de impeachment. Embora tenhamos clareza de que o processo foi deflagrado pelo rompimento da própria base aliada na disputa por espaços de poder, não podemos ignorar que o combustível para essa crise é, sobretudo, a péssima administração do Prefeito Cristian Wasem (MDB) e Vice-Prefeito Delegado João Paulo (PP). A cidade vive um cenário de ingovernabilidade, descaso e abandono que desde o início do mandato estamos fiscalizando e denunciando formalmente como parlamentar, mas que, muito antes de ser vereador, eu, junto ao coletivo do Mato do Júlio já denunciávamos.
Diante disso, consulto sobre a viabilidade de adotar posicionamento divergente daquele indicativo tirado pelo Diretório Municipal (voto contrário ao impeachment), fundamentado nos seguintes pontos cruciais:
1. Decisão precipitada e imagem de fisiologismo. A decisão do Diretório Municipal foi tomada antes mesmo da divulgação do Relatório Final da Comissão Processante, ou seja, sem o devido embasamento técnico e probatório. Seguir uma ordem tomada “no escuro” pode levar a militância e a população a interpretarem que existe um acordo político de bastidor com o governo. Isso nos coloca perigosamente no lado fisiológico da disputa, sugerindo que o PT estaria salvando o governo do MDB em troca de cargos ou favores, justamente numa gestão à qual deveríamos fazer oposição ferrenha. O PT não pode ser a “tábua de salvação” de um governo que repudia.
2. Coerência com a oposição histórica. Parte do processo de impeachment baseia-se em irregularidades que o próprio PT de Cachoeirinha denunciou no último pleito. Torna-se incoerente, para não dizer contraditório, atuar agora para absolver um governo cujas práticas condenamos publicamente.
3. A realidade da corrupção e o colapso dos serviços. O cenário político é gravíssimo. Além das investigações sobre compras com sobrepreço de telas interativas (2021) e das denúncias de compras superfaturadas durante a tragédia das enchentes de maio de 2024, a cidade assiste, nos últimos dias, ao colapso na coleta de lixo, com resíduos acumulados nas ruas. Falta de materiais básicos nas UBS. Estrutura precária nas escolas postos de saúde. Atraso nos salários de servidores. Sucateamento do transporte público e contratos esdrúxulos.
4. Resistência da base militante. Existe uma forte resistência por parte de nossa militância em aceitar qualquer aproximação com o governo atual e com as forças conservadoras que ele representa. O sentimento da base é de oposição, e o voto favorável ao impeachment é o único caminho que dialoga com nossa história na cidade, tendo em vista que fui o vereador bem mais votado com 3.117 votos, tenho o dever de respeitar e representar esses eleitores. Pois em 2026 sairemos às ruas para eleger Lula, Edgar e nossos deputados Federais e Estaduais assim como Senadores.
5. Dessa forma, a insistência do Diretório Municipal em orientar o voto contrário cria uma contradição insustentável dentro da própria estrutura partidária. Meu pedido visa justamente garantir o alinhamento com a leitura política e técnica mais apurada já sinalizada por esta instância superior.
Considerando que o mandato parlamentar não pode ser cúmplice do desmonte da cidade e que a preservação da imagem ética do PT é prioritária, solicito autorização deste Diretório Estadual para votar FAVORÁVEL ao impeachment. Precisamos demarcar posição ao lado da população, e não ao lado de um governo sob suspeita de corrupção e má gestão.
Aguardo retorno urgente dada a proximidade da votação.
Saudações,
Leonardo da Costa Vereador – PT Cachoeirinha




