POLÍTICA

RGE devasta área no Mato do Júlio e caso vira polêmica

Prefeitura comunicou Fepam sobre possíveis irregularidades e zoneamento de parte da área será discutido

Cachoeirinha – A RGE promoveu uma devastação em área de mata nativa sob sua rede de energia no Mato do Júlio e o caso virou uma polêmica. A supressão radical de árvores e vegetação foi denunciada pelo vereador eleito, Léo da Costa, integrante do Coletivo Mato do Júlio e forçou a fiscalização ambiental da prefeitura a ir até o local. Não houve, contudo, proibição da continuidade do corte da vegetação. A secretaria do Meio Ambiente apenas fez uma comunicação à Fepam de possíveis excessos cometidos pela empresa.

A RGE tem uma autorização da Fepam para fazer o manejo de vegetação em faixas de rede de distribuição de energia, correspondendo a 15 metros. Foi esse o documento apresentado para a fiscalização da prefeitura. A reportagem teve acesso à licença e ela se refere somente a Caxias do Sul e São Leopoldo. Além disso, o licenciamento impõe uma série de restrições. Em uma área como do Mato do Júlio, somente poderiam ser cortados galhos que oferecessem algum risco para a rede elétrica. Quem passa pela Flores da Cunha percebe sem dificuldade que o manejo foi radical. Até mesmo a vegetação chamada tecnicamente de herbácea, que são plantas inferiores a dois metros, foram cortadas. A licença proíbe.

O vereador eleito, Léo da Costa, disse em postagem na rede social do Coletivo Mato do Júlio, que a supressão da vegetação em uma faixa de quase oito metros de largura, faria parte de um plano sutil para destruir a mata e permitir a construção de um condomínio de luxo.

O vereador Marco Barbosa abordou a polêmica na Sessão da Câmara de Vereadores na noite desta terça-feira (3) e vai levar o caso ao Ministério Público. “Aquela área, conforme o Plano Diretor, é de Especial Interesse Ambiental. Eles não poderiam ter feito o que fizeram. É um crime ambiental”, afirma. A RGE, procurada pela reportagem, não deu retorno.


Na esteira da polêmica, o presidente do Conselho Municipal do Plano Diretor, André Lima, convocou uma reunião do órgão para a tarde desta quarta-feira (4). Na pauta estará a discussão sobre o zoneamento de uma parte do Mato do Júlio. A ideia é estender o Corredor Misto da Flores da Cunha da prefeitura até os Bombeiros, pegando toda a área frontal do Mato do Júlio.

Pela proposta, 15% dos 212 hectares da área entre a Flores da Cunha e a freeway teria um zoneamento em uma faixa de terras permitindo a construção de estabelecimentos comerciais e residenciais. Cerca de 32 hectares poderiam ser urbanizados pelos proprietários da área. Caso a proposta seja aprovada pelo Conselho do Plano Diretor, uma audiência pública será convocada para a apresentação e coleta de sugestões da comunidade.

O zoneamento da área já foi tentado no Governo Miki Breier e acabou sendo barrado diante de protestos e intervenção do Ministério Público. Conforme a proposta de 2019, a prefeitura receberia uma fração de terras englobando a Casa dos Baptista, outra ao lado da atual sede e ainda uma faixa paralela à freeway para a abertura de uma perimetral em troca de uma dívida de R$ 25 milhões de IPTU. O pacote incluía o zoneamento da área para permitir aos proprietários a construção de um loteamento

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