POLÍTICA

Prefeitura decide ceder para outra entidade o galpão de reciclagem em Cachoeirinha

Espaço vinha sendo utilizado pela Associação de Classificadores e Recicladores de Cachoeirinha (ACRER) e agora será destinado à implantação de um novo centro de reciclagem

Cachoeirinha – A Prefeitura de Cachoeirinha encaminhou à Câmara de Vereadores o Projeto de Lei nº 5.258/2026 autorizando a cessão, pelo prazo de 10 anos, da área onde funciona o galpão de reciclagem para a Associação Beneficente de Ação Voluntária (ABAV). O imóvel era utilizado pela Associação de Classificadores e Recicladores de Cachoeirinha (ACRER), que deixou de atuar na coleta seletiva em 2024 e posteriormente encerrou suas atividades.

Pelo projeto enviado pelo Executivo na última segunda-feira (22), a entidade ficará responsável pela implantação e manutenção de um Centro de Reciclagem e Inclusão Produtiva voltado à triagem, separação, prensagem e comercialização de materiais recicláveis. A proposta também revoga a Lei nº 4.829, de 14 de junho de 2022, que tratava da cessão anterior da área.

O presidente da ABAV, Uilton Fernando da Silva, foi procurado pela reportagem, mas preferiu não conceder entrevista. Segundo ele, a entidade somente irá detalhar o projeto que pretende desenvolver no local depois que a proposta for aprovada pela Câmara e sancionada pela prefeita Jussara Caçapava.

Galpão foi reformado com emenda parlamentar

O galpão chegou a receber recursos para recuperação de sua estrutura. Quando foi vereador, David Almansa conseguiu uma emenda parlamentar destinada à realização de reparos no prédio, que havia sido danificado em agosto de 2022 por uma tempestade. O Governo Cristian só realizou a obra depois de muita pressão.


No entanto, a situação da ACRER se deteriorou nos anos seguintes. Conforme declarou à época a então presidente da associação, Andréia Ribeiro, a entidade deixou de existir no ano passado. Segundo ela, quando a Prefeitura retomou a posse do imóvel, todo o material existente para utilização na separação dos resíduos foi recolhido pelo município. Ela afirmou não saber qual foi o destino desses equipamentos.

Cooperativa perdeu a coleta seletiva

A ACRER não consegui participar da disputa pela coleta seletiva na cidade em 2024. O serviço passou a ser realizado pela Cooperativa de Trabalhadores, Carroceiros e Catadores de Materiais Recicláveis e Industrialização e Comercialização de Materiais Reciclados (Cootracar), de Gravataí. A ACRER não pode participar por não ter sua documentação regularizada.

Durante a gestão do governo passado, a direção da ACRER fez muitas críticas ao então prefeito pelo abandono. Os materiais que eram destinados para a reciclagem, por exemplo, vinham com outros tipos de resíduos e a prefeitura não fazia a retirada. Em dado momento, a área ficou parecendo um lixão a céu aberto.

Área é descrita apenas como terreno

Embora o local seja conhecido pelo galpão de reciclagem existente, a matrícula nº 30.496, citada no projeto de lei, descreve apenas um terreno urbano de 2.372,62 metros quadrados, localizado na região de Águas Mortas, sem qualquer referência à edificação existente. Na justificativa encaminhada aos vereadores, o governo municipal afirma que o espaço encontra-se atualmente abandonado e que a cessão permitirá sua recuperação e reutilização.

O que a ABAV deverá fazer

Pela proposta, a associação assume uma série de obrigações durante o período da cessão:

  • Implantar um Centro de Reciclagem e Inclusão Produtiva
  • Recuperar estruturalmente o imóvel
  • Manter a conservação e a segurança do espaço
  • Utilizar a área exclusivamente para atividades de reciclagem
  • Cumprir as normas ambientais e sanitárias
  • Apresentar relatórios anuais de atividades ao Município

O projeto também estabelece que, caso a entidade deixe de cumprir a finalidade prevista ou seja extinta antes do término da cessão, todas as benfeitorias realizadas no imóvel serão incorporadas ao patrimônio do Município, sem direito a qualquer indenização.

Na justificativa, a Prefeitura sustenta que a medida atende ao interesse público ao fortalecer a política municipal de resíduos sólidos, incentivar a coleta seletiva, reduzir o descarte irregular de resíduos e promover geração de renda para famílias em situação de vulnerabilidade social.

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