Possível desvio de R$ 24 milhões constrange até vereadores da base - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Sessão desta terça - Foto: Reprodução

Possível desvio de R$ 24 milhões constrange até vereadores da base

Vereador David Almansa fez o cálculo do que representa o desvio de verba pública a se confirmar investigação do Ministério Público

Cachoerinha – A operação realizada pelo Ministério Público nesta terça-feira (1) na Prefeitura de Cachoeirinha, com o afastamento do secretário de Infraestrutura e Serviços Urbanos, Léo Charão, e do servidor responsável pela gestão de contratos na secretaria, Marco Antônio Schneider, além a suspensão do contrato da limpeza urbana com a empresa SKM Empreendimentos, dominou os debates na Sessão da Câmara. Até vereadores da base ficaram constrangidos.

O vereador David Almansa fez uma estimativa de desvio de R$ 24 milhões a se confirmar a investigação do MP que apontou evidências de que “tenha ocorrido desvio milionário de renda pública, estimado, aproximadamente, em 45% dos valores contratados”.

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O MP, por intermédio de sua assessoria de imprensa, disse à reportagem que não poderia revelar mais detalhes sobre este ponto da operação. Ela ainda a ocorrência de crimes de corrupção ativa e passiva, responsabilidade, dispensa indevida de licitação, fraude em licitação, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Almansa apresentou um levantamento que fez. De 2017, quando a SKM começou a prestar serviço através de um contrato emergencial, até 2021, quando já estava em contrato realizado por licitação determinada pelo Tribunal de Contas, a Prefeitura fez pagamentos que totalizam R$ 53,5 milhões.

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“Se confirmadas as denúncias do MP de que 45% era propina, nós tivemos furtados mais de R$ 24 milhões. Com esse dinheiro nós poderíamos atender 13 mil famílias com uma renda emergencial de R$ 300,00 por seis meses. Eu quero que os acusados tenham o direito de se defender. Queremos que tudo seja um engano, mas é muito difícil acreditar”, disse.

O possível desvio transformado em uma média mensal daria R$ 500 mil. Almansa citou que São Leopoldo usa R$ 800 mil para o atendimento da parcela carente da população em um programa social. Fazendo um ajuste proporcional entre os dois municípios, para fazer o mesmo programa, Cachoeirinha precisaria investir R$ 450 mil. “Se confirmada a denúncia, eram R$ 500 mil que vinha de propina e daria para fazer o programa [em Cachoeirinha]“.

O vereador Edison Cordeiro, que foi o presidente a Câmara durante a CPI da SKM no ano passado, acrescentou que em 2019 foram pagos à empresa cerca de R$ 12 milhões e no ano seguinte, o da eleição, o pagamento pelos serviços subiu para R$ 21 milhões. “É uma vergonha para nossa cidade estar vivendo isso e nós alertamos”, lembrou. Cordeiro ressaltou que a oposição foi chamada de politiqueira por realizar a CPI.

Para o vereador Nelson Martini, que lembrou que a rua dele não é limpa há seis meses, o que teria sido desviado, poderia ter sido investido na área social. “É um dia muito triste. Se teve desvio de verba mesmo daria para alimentar toda a população por muitos anos”, comentou. Já Cordeiro fez um questionamento sobre o número de pessoas que poderiam ter sido salvas da Covid se essa verba tivesse sido investida em saúde.

“É muito dinheiro. Estamos falando apenas de uma empresa. Esperamos que esse parlamento comece a rever seus conceitos. É hora de dar uma basta”, defendeu Marco Barbosa. Almansa revelou que os cinco vereadores de oposição vão até a Procuradoria de Prefeitos para solicitar, por intermédio de seus advogados, acesso ao processo. Hoje, ele está em segredo de justiça.

A presidente da Câmara, Jussara Caçapava, não deixou de se posicionar. “Como presidente do Legislativo não posso ficar calada. Estou triste e chocada com tudo que está acontecendo. Mas eu acredito no PSB, acredito na verdade, na defesa, a gente vai fiscalizar, mas agora é um papel do Judiciário. As medidas já estão sendo tomadas. Até então eu defendo até que me provem o contrário. No momento que me provem, sinto muito, adeus. Eu ainda não estou acreditando em tudo o que aconteceu”, disse.

Jussara argumentou que ouvir falar em desvio de recursos em um momento em que muitas pessoas estão passando dificuldades preocupa. Os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), conforme a vereadora, “nunca tem nada”. “É muito triste para a nossa população, para o nosso povo … nunca tem nada [no CRAS] e de repente acontece um tumulto como esse [investigação de desvio de recursos]. Nós sofremos o dia inteiro com nosso povo necessitando de auxílio para ver tudo o que aconteceu agora?”, questionou.

Outro vereador da base, Otoniel Gomes, defendeu que deve haver punição em caso de ser comprovado o desvio. “É triste ouvir falar em um desvio tão grande. Não vamos fazer nenhuma condenação antecipada e fica a cargo dos homens da lei fazer esse trabalho. Se aconteceu, a lei tem que ser justa com a população de Cachoeirinha.”

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