Motoboys pedem aprovação de projeto de lei que proíbe subir em edifícios e entrar em condomínios
Projeto tramita na Câmara de Vereadores e pode entrar em votação nessa ou na próxima semana
Cachoeirinha – Representantes do Sindicato dos Motociclistas Profissionais do RS (Sindimoto-RS) participaram da sessão plenária da Câmara de Vereadores de Cachoeirinha na semana passada, na Tribuna Popular, para defender a aprovação do projeto de lei do legislativo número 76/2026. A proposta, de autoria dos vereadores Léo da Costa (PT) e Paulinho da Farmácia (PDT), proíbe que entregadores de aplicativos e de serviços de entrega sejam obrigados a subir em prédios ou condomínios para conclusão da entrega no município de Cachoeirinha. O local de entrega padrão passaria a ser, portanto, a portaria, recepção ou entrada principal do prédio ou condomínio.
O projeto está passando por ajustes, já tramita na Câmara e deve ir a plenário nas próximas semanas. A ideia surgiu após uma confusão entre cliente e motoboy no portão de um condomínio no bairro Parque Marechal Rondon no mês de abril.
Delegado sindical do Sindimoto-RS, o motoboy Rodrigo Farias, também conhecido como Digão das Tele, argumentou que, embora a realização de uma entrega pareça algo simples, muitos transtornos acontecem por não haver regulamentação. Clientes eventualmente pedem para que a entrega ocorra na porta do apartamento e não no portão do prédio, então surgem os impasses. “Alguns condomínios deixam que a gente entre, outros não. O problema maior não é poder entrar ou não, a questão é que não permitem ingressar com a moto, querem que a gente vá a pé e deixemos nossa ferramenta de trabalho na rua, à mercê de roubos e avarias”, contextualizou, solicitando que os demais parlamentares sejam favoráveis ao projeto, o que deixaria a categoria agradecida.
Diretor do Sindimoto-RS, o motoboy Douglas Benites explicou que, naquele momento, o sindicato que representa estava fazendo uma política de caráter simbólico, tentando evitar que outros incidentes como o do portão do condomínio no Parque Marechal Rondon ocorram novamente. “É a política que vai evitar a repetição deste conflito. A cena dos colegas motoboys entrando no condomínio em Cachoeirinha deixou muita gente espantada, aquilo ali me assombra. Eu já passei por uma situação de entrar no condomínio para realizar uma entrega e, ao retornar, minha moto estava jogada no chão”, recordou.
Para Douglas, a aprovação do projeto vai gerar notoriedade e fará com que pessoas dispostas a agredir estes trabalhadores física ou verbalmente pensem duas vezes antes de fazer isso, já que o grupo estará protegido por uma lei. O sindicalista admite que em casos especiais, como o de clientes cadeirantes, gestantes, idosos, entre outros, a entrada do motoboy no condomínio para realizar a entrega seguirá sendo necessária e ocorrerá, mas essas são as exceções, não a regra. “Aprovar este projeto é construir a sensibilidade da sociedade como um todo, garantindo a entrega e a dignidade dos trabalhadores e trabalhadoras. O sindicato é contra a agressão e a violência”, salientou.




