POLÍTICA

Empresário faz dura cobrança em seminário sobre enchentes no CIC

Leonardo Henke pede menos discussão sobre responsabilidades e mais ações para proteger a população antes de novas inundações

Cachoeirinha – O empresário Leonardo Henke, fundador da startup Base Agro Soluções com Drones, fez um duro pronunciamento durante o Seminário sobre os Danos Causados pelas Enchentes na Região Metropolitana de Porto Alegre, realizado na manhã desta segunda-feira (27), no auditório do Centro das Indústrias de Cachoeirinha (CIC). Ao relatar a experiência vivida durante a enchente de 2024, ele criticou a troca de responsabilidades entre os governos e cobrou medidas concretas para proteger a população caso uma nova tragédia ocorra.

O seminário é promovido pela Comissão Externa sobre os Danos Causados pelas Enchentes no Rio Grande do Sul, da Câmara dos Deputados, e reúne os deputados federais Marcel van Hattem, presidente da comissão, e Pompeo de Mattos, relator, além do deputado estadual Felipe Camozzato, do vice-prefeito Mano, da presidente do Centro das Indústrias de Cachoeirinha (CIC), Neiva Bilhar, autoridades e representantes da sociedade civil.

Henke lembrou que atuou como voluntário ao lado da Defesa Civil durante a enchente de maio de 2024, utilizando drones para mapear as áreas atingidas. Segundo ele, o trabalho foi decisivo para que milhares de moradores conseguissem comprovar os danos sofridos e recebessem o auxílio emergencial do Governo Federal.

“O que eu vi aqui hoje é decidindo quem é o culpado. A culpa é do município, é do Estado ou é da União. A gente está decidindo quem vai passar nessas cidades, quem vai ter o maior problema, e não quem vai apresentar uma solução.” O empresário afirmou que as obras estruturais são importantes, mas defendeu que elas não resolvem o risco imediato enfrentado pela população. “Essas obras são para outra enchente. Esses anteprojetos, desculpa, não me interessam. Eu quero saber o que nós vamos fazer de fato para proteger a população.”

Henke questionou se Cachoeirinha está preparada para enfrentar um novo desastre climático. Citando números da enchente de 2024, ele lembrou que 6.752 residências foram atingidas, em 112 ruas, afetando mais de 25 mil pessoas.

“Será que nós estamos preparados para fazer isso de novo? Já temos barcos? Já temos gasolina? Já temos colchões? Ou vamos esperar as pessoas passarem frio e necessidade para agir?” Em outro momento, o empresário afirmou que a solidariedade da população foi determinante durante a enchente e fez críticas ao poder público. “A solidariedade em Cachoeirinha foi o que salvou o município. Não foi o poder público. Foram as pessoas que se uniram para ajudar umas às outras.”

Dirigindo-se aos parlamentares presentes, Henke pediu que os agentes públicos assumam o compromisso de proteger a população independentemente das responsabilidades administrativas. “Eu quero que alguém diga: ‘É minha responsabilidade’. Não que um secretário diga que o município não fez a sua parte ou que a União não fez a sua parte. Como cidadão, eu fiz a minha. Agora quero saber o que vocês vão fazer pelas pessoas.”

A manifestação recebeu resposta imediata do secretário da Reconstrução Gaúcha, Pedro Capeluppi. Ele afirmou que a preocupação levantada pelo empresário é compartilhada pelo Governo do Estado e destacou que a preparação para novos eventos climáticos vai além das grandes obras de infraestrutura.

Segundo o secretário, desde 2024 o Estado investiu na capacitação das Defesas Civis municipais e estadual, na aquisição de embarcações, equipamentos de proteção e materiais para atendimento às emergências, além da elaboração de estudos técnicos e mapas de inundação para orientar as ações preventivas.

Capeluppi ressaltou ainda que os 497 municípios gaúchos já possuem planos de contingência atualizados, permitindo respostas mais rápidas diante de novos eventos extremos.

Na sequência, o vice-prefeito Mano informou que a Prefeitura apresentará oficialmente na próxima quarta-feira o novo Plano Municipal de Contingência. Segundo ele, o município já definiu locais para acolher moradores em caso de inundação e afirma estar mais preparado para prestar os primeiros atendimentos do que estava durante a enchente de 2024. “Pode não estarmos ainda dentro de tudo o que é necessário, mas os primeiros socorros nós teremos para dar à nossa população”, afirmou Mano.

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