As propostas de Lais e Breno para Cachoeirinha
O site oreporter.net está publicando os planos de governo cadastrados na Justiça Eleitoral. A proposta era de publicar os quatro planos essa semana, mas poderá não ser possível. O plano de Claudine Silveira (PP) contém erros e a coordenação da campanha foi avisada na semana passada pela reportagem. O plano atualizado ainda não está disponível no site da Justiça Eleitoral. Já o candidato Tairone Keppler (PT) foi alertado pela reportagem que seu plano não está disponível no site da Justiça Eleitoral.
Cachoeirinha – A candidata à Prefeitura de Cachoeirinha, Lais Cardoso, que disputa a eleição municipal marcada para 12 de abril pela Federação PSOL‑REDE, promete, em seu plano de governo cadastrado na Justiça Eleitoral, mudanças estruturais na gestão da cidade. Ao lado do candidato a vice-prefeito Breno Munhoz, a chapa apresenta um programa centrado na participação popular, na transparência administrativa e no fortalecimento dos serviços públicos.
Intitulado “Por uma mudança de verdade”, o documento parte de um diagnóstico crítico sobre a situação socioeconômica do município. Segundo o plano, Cachoeirinha enfrenta desafios ligados ao desemprego, à precarização do transporte coletivo, à deterioração dos serviços públicos e à falta de políticas sociais capazes de atender as populações mais vulneráveis.
O programa destaca que muitas famílias vivem em áreas irregulares e sem infraestrutura adequada, enquanto trabalhadores enfrentam salários desvalorizados e dificuldades de acesso a serviços essenciais. O plano também menciona problemas como insegurança, educação precarizada e dificuldades no sistema público de saúde.
De acordo com a candidatura, a prefeitura não pode resolver isoladamente todas as crises estruturais do país, mas tem capacidade de promover melhorias concretas na vida da população. Nesse sentido, a proposta central é construir uma gestão municipal mais próxima da comunidade e baseada na participação cidadã.
Participação popular e gestão democrática
Um dos pilares do programa é a criação de mecanismos para ampliar o envolvimento direto da população nas decisões administrativas. Entre as propostas está a implantação de uma plataforma digital de participação popular. Nela, qualquer cidadão poderá apresentar sugestões de políticas públicas. Caso uma proposta alcance apoio de pelo menos 2% do eleitorado do município, ela poderá ser submetida a plebiscito e, se aprovada, será adotada pelo governo municipal.
Outra medida prevista é o programa “Prefeito no Bairro”. Pela iniciativa, o chefe do Executivo e secretários municipais visitariam mensalmente diferentes regiões da cidade para ouvir demandas e discutir soluções diretamente com moradores.
A candidatura também propõe a criação do chamado Orçamento Cidadão, um modelo em que a população participaria da discussão sobre o orçamento municipal, incluindo a definição de prioridades de investimento e políticas fiscais. O plano defende ainda o fortalecimento de conselhos e conferências municipais como instrumentos de controle social.
Segundo o documento, a gestão democrática também passa pela valorização de movimentos sociais, sindicatos, associações comunitárias e organizações da sociedade civil, que seriam integrados ao processo de elaboração e fiscalização das políticas públicas.
Reforma administrativa e transparência
O plano de governo prevê mudanças na estrutura administrativa da prefeitura. Entre as medidas propostas está a redução significativa de cargos de confiança e maior valorização dos servidores de carreira, com critérios técnicos para ocupação de funções estratégicas.
A chapa defende que o excesso de cargos políticos contribui para o aparelhamento da administração pública e reduz a eficiência da gestão. Para enfrentar esse problema, o programa sugere cortar parte dos cargos comissionados e ampliar a participação de servidores concursados nas decisões administrativas.
Outro eixo importante é a transparência. O documento propõe ampliar mecanismos de controle social sobre contratos, licitações e obras públicas, incluindo a divulgação detalhada das contas municipais. A proposta também prevê o fortalecimento da Controladoria Geral do Município e a criação de comissões independentes para acompanhar o uso de recursos públicos.
Entre as iniciativas de modernização administrativa está a implantação de um serviço municipal de atendimento ao cidadão pelo telefone 156, além do desenvolvimento de aplicativos e sistemas digitais para facilitar o acesso a serviços públicos e informações governamentais.
Combate à corrupção e redução de privilégios
O plano também enfatiza medidas para combater a corrupção e reduzir privilégios na administração pública. Uma das propostas é exigir que prefeito, vice-prefeito, secretários e ocupantes de cargos comissionados divulguem anualmente a evolução de seu patrimônio.
A candidatura também propõe limitar gastos com diárias, carros oficiais e outras despesas administrativas consideradas não essenciais. Além disso, os salários do prefeito, vice e secretários seriam vinculados aos reajustes concedidos ao funcionalismo público municipal.
Segundo o documento, a administração pública deve priorizar o interesse coletivo e não pode ser utilizada como instrumento de favorecimento político ou econômico.
Propostas para saúde pública
Na área da saúde, o plano apresenta uma série de medidas voltadas à ampliação e qualificação do atendimento no sistema público. O programa aponta dificuldades no acesso a consultas especializadas, falta de medicamentos e limitações na atenção básica como alguns dos principais problemas enfrentados pela população.
Entre as propostas está o fortalecimento da atenção primária, com ampliação das equipes da Estratégia Saúde da Família e maior integração entre profissionais da rede pública. O plano também prevê melhorar a distribuição de medicamentos nas farmácias municipais e aperfeiçoar a gestão de estoques para evitar desabastecimento.
Outras medidas incluem ampliar serviços de teleatendimento para apoio médico especializado, fortalecer políticas de saúde mental e desenvolver programas de atenção domiciliar para pacientes com doenças crônicas ou em recuperação após alta hospitalar.
A proposta também defende políticas específicas para grupos vulneráveis, como mulheres em situação de violência, população LGBT, idosos e pessoas em situação de rua.
Debate eleitoral
A candidatura de Lais Cardoso e Breno Munhoz apresenta o plano como um convite ao debate público sobre o futuro de Cachoeirinha. O documento afirma que as transformações propostas dependem da participação ativa da população e da mobilização de diferentes setores da sociedade.
Com foco na democratização da gestão pública, no fortalecimento dos serviços sociais e na transparência administrativa, a chapa busca se posicionar como alternativa política nas eleições municipais de 12 de abril.
O plano de governo de Lais e Breno é longo. São 30 páginas. Para ler o documento, clique aqui.
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