POLÍCIA

Advogado de Cachoeirinha é preso suspeito de integrar facção que comandava tráfico de dentro de presídios

A investigação aponta que o profissional atuava como intermediário entre lideranças encarceradas e integrantes do grupo em liberdade, transmitindo ordens e mediando disputas relacionadas aos pontos de venda de entorpecentes

Cachoeirinha – Um advogado de Cachoeirinha, de 36 anos foi preso nesta quinta-feira (15) durante uma operação da Polícia Civil contra uma organização criminosa suspeita de comandar o tráfico de drogas de dentro do sistema prisional. A investigação aponta que o profissional atuava como intermediário entre lideranças encarceradas e integrantes do grupo em liberdade, transmitindo ordens e mediando disputas relacionadas aos pontos de venda de entorpecentes.

A Operação Olissipo foi deflagrada pela 2ª Delegacia de Investigação do Narcotráfico (2ª DIN), do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc). Ao todo, foram expedidas 40 ordens judiciais, sendo 24 mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão. As diligências ocorreram em Viamão, Porto Alegre, Balneário Pinhal e São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, além de Camboriú, em Santa Catarina. Até a divulgação do balanço, 22 investigados haviam sido presos e dois veículos foram apreendidos.

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Advogado é suspeito de intermediar ordens

Segundo a Polícia Civil, a investigação identificou uma estrutura de comando que continuava funcionando a partir de estabelecimentos prisionais. As lideranças transmitiam determinações sobre o abastecimento dos pontos de venda de drogas, a divisão de tarefas e a destinação dos valores arrecadados.

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Os integrantes que permaneciam em liberdade eram responsáveis por executar as ordens, coordenar as atividades e prestar contas às lideranças. Conforme os investigadores, o advogado é suspeito de fazer a ligação entre os chefes presos e os demais integrantes da organização. Ele teria encaminhado demandas, retransmitido decisões e intermediado conflitos relacionados ao controle dos pontos de tráfico, à divisão de funções e à responsabilidade por drogas e dinheiro.

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A Polícia Civil investiga a suspeita de que ele integrava a organização criminosa e desempenhava funções de articulação e apoio à gestão das atividades do grupo. As responsabilidades individuais ainda serão apuradas.

Grupo teria assumido controle de condomínio em Viamão

A investigação também apurou que integrantes da organização teriam assumido o controle de um condomínio em Viamão. Na ocasião, o grupo divulgou um comunicado aos moradores anunciando uma nova gestão do local.

Para a Polícia Civil, o episódio indica uma tentativa de impor o domínio territorial da organização por meio da intimidação. O grupo também é investigado pelo uso de pessoas armadas para proteger os pontos de venda de drogas e manter o controle da área. De acordo com o Denarc, a organização criminosa tem origem no Vale dos Sinos e mantinha uma estrutura de gerenciamento dos pontos de venda, dos estoques de entorpecentes e dos repasses financeiros.

Operação busca desarticular estrutura criminosa

A Polícia Civil informou que os mandados de prisão e de busca e apreensão têm como objetivo interromper as atividades do grupo, atingir sua estrutura de comando e reunir novas provas. O delegado Wesley Lopes, responsável pela investigação, afirmou que foram identificadas divisão de tarefas, gerência dos pontos de tráfico e transmissão de ordens a partir do sistema prisional. Ele também destacou os indícios de participação do advogado na comunicação entre as lideranças e os integrantes em liberdade.

O diretor de Investigações do Denarc, delegado Alencar Carraro, afirmou que o departamento mantém ações para prender lideranças de organizações criminosas e retirar bens ligados às atividades ilícitas. Já o diretor-geral do Denarc, delegado Carlos Wendt, ressaltou que a responsabilização das lideranças e a desarticulação das estruturas que sustentam o tráfico estão entre as prioridades do departamento.

As investigações continuam para esclarecer a participação de cada suspeito e subsidiar a responsabilização criminal dos envolvidos.

Denúncias: o Denarc recebe informações pelo telefone 08000 518 518.

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