POLÍTICA

Vereadores voltam a defender CPI da Corsan após denúncias sobre lagoa de tratamento

Reclamações sobre mosquitos, risco de transbordamento de esgoto e atendimento da concessionária reacendem debate sobre investigação na Câmara

Cachoeirinha – A possibilidade de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a atuação da Corsan voltou a ser defendida na Câmara de Vereadores de Cachoeirinha. Durante a Sessão desta terça-feira (30), parlamentares cobraram providências após denúncias envolvendo a lagoa aerada utilizada no tratamento de esgoto no bairro Moradas do Bosque e afirmaram que as explicações apresentadas pela concessionária nos últimos meses não resultaram em melhorias. O tema reacende um debate iniciado em abril, quando vereadores da base do governo retiraram assinaturas de um pedido de CPI apresentado pelo vereador Leonardo da Costa, após a empresa prometer soluções para problemas de abastecimento e atendimento à população.

As novas críticas partiram da vereadora Claudia Frutuoso, que relatou o aumento das reclamações recebidas da comunidade e classificou a situação envolvendo a Corsan como “insustentável”. Segundo a parlamentar, moradores próximos à lagoa aerada localizada no fim da Rua Dorival de Oliveira, no bairro Moradas do Bosque, convivem com grande quantidade de mosquitos e temem o retorno de esgoto às residências.

A estrutura, cadastrada pela Corsan como pertencente ao sistema Granja Esperança, funciona como uma estação de tratamento simplificada. Nela, aeradores mecânicos injetam oxigênio na água para permitir que bactérias façam a decomposição da matéria orgânica antes do lançamento do efluente tratado no Arroio Águas Mortas. O sistema é utilizado em áreas onde ainda não existe rede coletora para encaminhar o esgoto até a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da Freeway.

Bombas paradas e proliferação de mosquitos

Na Tribuna, Claudia Frutuoso afirmou ter visitado a unidade em diferentes horários do dia e disse que encontrou os equipamentos responsáveis pela oxigenação da lagoa desligados em todas as ocasiões. “Fui de manhã, as bombas não estavam funcionando. Fui à tarde e também não estavam funcionando. Voltei à noite, depois das 20 horas, e continuavam desligadas. A estação estava parada, sem oxigenação da água”, afirmou. Segundo a vereadora, a situação favorece a proliferação de mosquitos e aumenta a preocupação dos moradores com um possível retorno de esgoto para dentro das casas.

Atendimento também é alvo de críticas

Durante o debate, o vereador Marquinhos relatou ter procurado atendimento na Corsan e afirmou que foi mal recebido pelos representantes da empresa. Segundo ele, sequer conseguiu conversar com o responsável pela unidade e acabou sendo atendido por outro funcionário, em condições que considerou inadequadas. “Se nós, vereadores, somos tratados dessa forma, imagina o cidadão que procura a empresa para fazer uma reclamação”, afirmou. Marquinhos disse ainda que somente conseguiu respostas para demandas da comunidade por meio da Secretaria Municipal de Obras.

Fiscalização e nova defesa de CPI

O vereador Gelson Braga informou que a situação envolvendo a lagoa já foi encaminhada para a Vigilâncias Ambiental e Saúde, que deverão avaliar questões relacionadas ao esgoto e à proliferação de vetores. No entanto, afirmou que as medidas administrativas não afastam a necessidade de uma investigação por parte do Legislativo. “Acho que nós, vereadores, vamos ter que fazer como está acontecendo em vários municípios e efetivamente abrir uma CPI”, declarou.

Leonardo lembra CPI arquivada

Autor do primeiro pedido de CPI contra a Corsan neste ano, o vereador Leonardo da Costa afirmou que a discussão atual confirma os alertas feitos anteriormente pela oposição. Ele recordou que o requerimento chegou a reunir o número mínimo de assinaturas para tramitar, mas acabou sendo inviabilizado depois que parlamentares retiraram o apoio ao documento.

Na época, a decisão ocorreu para a realização de uma reunião entre representantes da concessionária e vereadores, quando foram apresentadas promessas de melhorias no abastecimento de água e no atendimento aos consumidores. “Infelizmente, o problema não foi resolvido. Eu sou favorável à CPI e assinarei novamente”, afirmou Leonardo.

O vereador Gustavo Almansa reconheceu que a intenção inicial do governo era conceder mais tempo para que a empresa apresentasse resultados. Durante o debate, no entanto, admitiu que as medidas esperadas não se concretizaram. Segundo ele, todas as oportunidades para que a concessionária corrigisse os problemas já foram dadas e agora é necessário buscar uma solução definitiva.

Ao encerrar o debate, Claudia Frutuoso concordou que a situação chegou a um ponto crítico e afirmou acreditar que o Executivo também deverá adotar providências. A vereadora informou que já tratou do assunto com o vice-prefeito Mano do Parque e reforçou que o caso envolve diretamente a saúde pública e a qualidade de vida dos moradores.

O que diz a Corsan

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Corsan e até a publicação desta matéria não obteve retorno. Caso a empresa responda, o texto será atualizado.

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