POLÍTICA

Vereador distorce estudo e diz que água da Corsan tem agrotóxicos

Parlamentar usou a Tribuna da Câmara para fazer a denúncia, repetida em sua rede social, e ainda errou ao afirmar que a água que abastece Cachoeirinha vem do Rio Gravataí

Cachoeirinha – O vereador Leonardo da Costa (PT) usou a Tribuna da Câmara na Sessão da última terça-feira (2) para afirmar que a água consumida pela população de Cachoeirinha está contaminada por agrotóxicos. O parlamentar se baseou no Monitoramento de Agrotóxicos na Bacia Hidrográfica do Rio Gravataí, cujo relatório parcial foi divulgado em julho pela Fepam.

A metodologia aplicada foi baseada na análise laboratorial das 141 amostras das matrizes de água e sedimento, coletadas mensalmente em sete pontos de monitoramento no período de abril de 2023 a março de 2024. O estudo, portanto, durou 11 meses.

“E foi revelado que esse documento, onde analisou por dois anos a qualidade da nossa água, constata que nós estamos bebendo água com veneno, mas não apenas bebendo, a gente tá usando, se banhando e lavando os nossos utensílios”, afirmou.

Segundo o vereador, o estudo foi realizado a partir da denúncia feita por ele da ilha de lixo que o prefeito Cristian Wasem removeu do Rio Gravataí. “Mas a coisa consegue piorar, porque a nossa água, ela é parcialmente coletada dentro do Rio Gravataí e complementada pelo Arroio das Garças, um braço do rio do Sinos que é muitas vezes mais poluído ou até menos que o Rio Gravataí. E essa água tá chegando cheia de agrotóxico para dentro das nossas torneiras”, disse.

“Bom, agrotóxicos, eles são usados para matar plantas, né, insetos, e são transportados por meio da chuva, pelo solo para dentro do nosso rio. Esse rio que abastece quase 1 milhão de pessoas e não é segredo para ninguém que esses produtos químicos possuem componentes que podem desencadear série doenças na nossa comunidade. A gente precisa sim ficar atento a isso, porque não basta só a gente enfrentar um grave problema de abastecimento”, salientou.

O parlamentar continuou: “A água que chega para nós ainda chega contaminada e tudo isso vai afetar a saúde da nossa população. Eu fiz alguns pedidos para prefeitura de Cachoeirinha e espero que tenha a decência de se responsabilizar e cobrar essa empresa privada que tem um contrato com a gente para que ela de fato analise a água e veja que tipo de abastecimento tá chegando na casa da nossa população”, concluiu.

Os erros cometidos pelo vereador

O estudo não afirma que a água que chega nas torneiras está contaminada por agrotóxicos. E na conclusão, os técnicos da Fepam destacam que os níveis encontrados no estudo realizado com água do rio estão abaixo do máximo permitido pela legislação para ela ser considerada potável. Isso significa que se alguém fosse beber a água direto do Rio Gravataí, o que não é recomendado, a concentração de agrotóxicos estaria dentro dos níveis legais.

“Todas as amostras de água apresentaram valores de concentração abaixo dos máximos estabelecidos para potabilidade na Portaria Federal GM/MS Nº 888/2021 e Estadual nº 320/2014 SS/RS. Em comparação a Diretiva (EU) 2013/39/UE do Parlamento Europeu e do Conselho da União Europeia, de 12/10/2013, que altera as Diretivas 2000/60/CE e 2008/105CE no respeito às substâncias prioritárias no domínio da política de água somente 3 compostos identificados estão relacionados, sendo clorpirifós, diuron e simazina, nenhum acima dos limites estabelecidos”, conclui o estudo.

O vereador ainda afirmou que parte da água que abastece a cidade vem do Rio Gravataí, o que não é verdade, segundo a Corsan. Toda a água vem do Arroio das Garças, em Canoas. O estudo da Fepam não envolveu o Rio do Sinos e não é possível afirmar, como fez o vereador, que ele também está contaminado por agrotóxicos. O estudo não durou dois anos e sim 11 meses. O relatório do estudo pode ser conferido clicando aqui.

Corsan explica que água é tratada e não tem agrotóxicos

A Corsan sem manifestou em nota enviada à reportagem tranquilizando a população destacando que a água, captada 100% no Arroio das Garças, em Canoas, passa por “rigoroso tratamento antes de ser distribuída à população para consumo”. Confira a nota, na íntegra, abaixo:

“A Corsan esclarece que a água distribuída em Cachoeirinha é 100% captada no Arroio das Garças e passa por rigoroso tratamento antes de ser distribuída à população para consumo. Somente depois de todos os procedimentos de purificação e controle de qualidade, é que a água vai para os reservatórios, onde é armazenada para ser enviada aos clientes.

As amostras passam também pelo Laboratório Central de Águas, localizado em Porto Alegre e que atende os 317 municípios do Rio Grande do Sul abastecidos pela Corsan.

A Companhia possui competência técnica reconhecida pela certificação ISO 17.025, do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Isso representa a garantia da qualidade da água oferecida. O monitoramento de agrotóxicos é feito conforme a Portaria GM/MS nº 888/2021, que estabelece os padrões de potabilidade no Brasil.

A Corsan ressalta que está permanentemente à disposição em seus canais de relacionamento com os clientes e recomenda que a população utilize esses meios de contato para solicitações, pedidos de informação ou para fazer comunicados. Isso agiliza a tomada de providências e a mobilização das equipes de serviço.”

Assista ao vídeo e confira o que disse o vereador:

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