Vazamento oculto prejudica abastecimento no Jardim Conquista e Canoas
Reunião no Ministério Público e Audiência Pública serviram para debater soluções
Cachoeirinha – Um vazamento oculto em uma rede de água clandestina no Jardim Conquista, em Cachoeirinha, além de prejudicar o abastecimento de moradores do local, também está atingindo o bairro Olaria, em Canoas. O assunto vem sendo discutido desde terça-feira (29), quando ocorreu uma reunião no Ministério Público. Já nesta quarta-feira (30), foi a vez da Comissão de Segurança Pública, Direitos Humanos, Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa e Proteção aos Idosos, às Crianças, aos Adolescentes e às Pessoas com Deficiência da Câmara, abordar o tema do abastecimento no bairro durante uma Audiência Pública.
A Corsan, conforme a gerente Eliane Pacheco, não pode procurar o vazamento, que estaria localizado em uma área de mato. Isto ocorre porque a rede é clandestina. A Estadual poderia, contudo, cortar o “gato”, mas a medida afetaria centenas de famílias. No Ministério Público, ficou acertado que a Prefeitura deverá fazer o trabalho e foi pedido um prazo de 15 dias. Enquanto isso, caso queiram, os próprios moradores podem tentar encontrar o local onde ocorre o vazamento e fazer o conserto. Com a água se perdendo, a rede perde pressão e em muitas casas a água não chega a subir no chuveiro.
A localização aproximada do vazamento foi descoberta pela Corsan a partir da instalação de registros em sua rede, onde saem as ligações clandestinas e medições de pressão. Durante a Audiência Pública na manhã desta quarta, representantes da Corsan, Defensoria Pública e moradores debateram vários problemas de abastecimento no bairro.
O principal dele é a falta de pressão na rede que vem ocorrendo desde janeiro. Além disso, há uma área ocupada sob as torres de alta tensão, chamadas de antenas pelos moradores, na qual não pode ser feita a instalação de redes de água. A Corsan até tentou para enquadrar os moradores em um programa social, mas o Ministério Público barrou. Uma alternativa será a instalação de bicas, mas também é uma responsabilidade da Prefeitura.
A representante da secretaria de Assistência Social, Cidadania e Habitação, diretora Maria da Graça, argumentou que o prefeito Cristian Wasem assumiu o cargo há apenas cinco dias e há uma demanda muito grande de problemas a serem resolvidos. O presidente da Comissão, David Almansa, lembrou a diretora que Wasem está no cargo há seis meses e que ela está no cargo desde o governo passado. O tempo, desta forma, não poderia ser utilizado como desculpa para os problemas de moradores de uma área ocupada do Irga e os que estão sob a rede de alta tensão ainda não terem, pelo menos, uma solução sendo estudada.
Ela revelou que o secretário Eder da Silva está nesta quarta em Brasília buscando viabilizar a construção de moradias populares para contemplar as famílias que estão sob a rede elétrica. Já sobre o abastecimento, a Corsan pretende concluir até o final de dezembro a instalação da rede de água dentro do Programa Água Vida e Cidadania, destinado às famílias como as que residem na Rua 4.
Nesta sexta-feira (2), às 13 horas, Almansa e Fábio Müller, vão fazer uma visita técnica ao bairro para que o parlamentar compreenda exatamente onde está o problema no abastecimento. Não houve uma definição sobre o fornecimento frequente de água através de caminhão pipa. A Corsan não pode, de forma legal, fazer o serviço. A responsabilidade seria da Prefeitura.
A gerente da estatal disse que a água ela pode fornecer, só não pode contratar um caminhão. Müller destacou que se o vazamento for encontrado e consertado, o problema de falta de água estará resolvido, não sendo necessário o caminhão.
A Defensoria Pública está acompanhando o caso. A defensora Emilene Perin participou da reunião e demonstrou preocupação com o caso de crianças e adultos com problemas de pele causados pela falta de banho em condições adequadas. A representante dos moradores, Elisângela Gomes, é uma das pessoas afetadas, assim como seu filho e nora. Na audiência ela criticou o prefeito eleito salientando que não adianta ele ir visitar o bairro de bicicleta e não fazer nada para resolver os problemas que vê.
Veja abaixo como foi a audiência pública. São dois vídeos.
Primeira parte:
Segunda parte:


