POLÍTICA

Simca lidera protesto contra o que a prefeitura chama de melhorias na saúde

Alguns servidores participaram de uma manifestação na manhã desta sexta na frente da secretaria da Saúde

Cachoeirinha – Profissionais da rede municipal de Saúde realizaram uma paralisação na manhã desta sexta-feira (11) contra a contratação da Associação Tristão da Cunha para assumir a gestão de unidades e serviços de saúde do Município. O ato, liderado pelo Sindicato dos Municipários de Cachoeirinha (Simca), ocorreu em frente à Secretaria Municipal da Saúde, mesmo com a chuva.

O contrato tem valor de aproximadamente R$ 34 milhões por seis meses e envolve a gestão da Unidade Básica de Saúde (UBS) Odil Silva de Oliveira, UBS Décio Martins Costa, Unidade de Pronto Atendimento Francisco de Medeiros (UPA 24h), Farmácia Central, Farmácia Regional da UBS Odil, Farmácia Regional da UBS Osvaldo Cruz e Serviço de Transporte Sanitário em Ambulância de Suporte Básico (Tipo B).

O sindicato classifica a mudança como privatização dos serviços públicos de saúde e defende que o Município realize concurso público para preencher as vagas necessárias. A Prefeitura contesta essa interpretação e afirma que uma empresa foi contratada para gerir determinados serviços da rede ampliando e qualificando a oferta.

Segundo levantamento divulgado pela Prefeitura, a paralisação teve baixa adesão e atingiu parcialmente algumas unidades. Na UBS Nova Cachoeirinha e na UBS Odil, foram mantidas triagem, medicação e consultas de enfermagem, enquanto vacinação e curativos ficaram suspensos durante a manhã.

Na Estratégia de Saúde da Família (ESF) José Ramos, os serviços de enfermagem foram interrompidos. Na ESF José Ari, a enfermagem também paralisou e um dentista não compareceu. Na UBS Osvaldo Cruz não houve atendimento de enfermagem, enquanto os médicos mantiveram as atividades.

Em nota, a Prefeitura afirmou que o impacto foi considerado baixo porque a adesão ocorreu de forma parcial. Conforme a Administração, as unidades permaneceram abertas e o atendimento à população foi mantido, embora tenham ocorrido ajustes na rotina.

A Prefeitura também declarou que reconhece a legitimidade da paralisação e respeita o direito dos servidores à manifestação. Segundo o Município, a contratação faz parte das mudanças previstas para a Saúde a partir deste mês. Um processo seletivo foi aberto para preencher cerca de 200 vagas, distribuídas entre 38 cargos para atuação nos serviços que passarão à nova gestão.

Mudanças começam pela UPA

Na UPA 24h, os novos serviços começam neste sábado (12). A unidade passará a contar com uma ambulância exclusiva para suas demandas, além de manutenção predial, portaria, copa e assistência farmacêutica durante 24 horas.

Na UBS Odil Silva de Oliveira, o atendimento odontológico será realizado de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h. O atendimento médico também será ampliado até as 22h. Nos sábados e domingos, a unidade terá exclusivamente plantão odontológico, das 8h às 20h.

A UBS Décio Martins Costa manterá o funcionamento das 8h às 20h. Nos fins de semana, também haverá exclusivamente plantão odontológico, das 8h às 20h.

Nas farmácias municipais incluídas na nova gestão, a Prefeitura afirma que a mudança pretende dar maior regularidade ao fornecimento de medicamentos, reduzir episódios de desabastecimento e agilizar o atendimento aos usuários da rede.

Nota do Simca

No seu perfil no Facebook, o Simca publicou nota. Confira abaixo:

TERCEIRIZAÇÃO NÃO. CONCURSO PÚBLICO JÁ!

Na manhã desta sexta-feira (11), os servidores da saúde se reuniram para dizer não à privatização e à terceirização da saúde pública, que avançam em nosso município.

Nas últimas semanas, fomos surpreendidos pela notícia de que a Prefeitura de Cachoeirinha firmou um contrato “emergencial”, com duração de seis meses e no valor de R$ 34 milhões, com uma associação de fora do estado para gerir unidades de saúde do município.

A justificativa apresentada é de que a população corre o risco de ficar sem assistência à saúde. Mas, diante desse cenário, perguntamos: por que não investir na inserção de servidores por concurso público e fortalecer o serviço público?

É preciso garantir atendimento de qualidade, valorização dos trabalhadores e continuidade dos serviços e isso se faz com servidores públicos, estrutura e investimento, não com a entrega da saúde à iniciativa privada.

Por isso, mesmo debaixo de chuva, estivemos na frente da Secretaria de Saúde nesta manhã para mostrar a nossa força e deixar o nosso recado: A SAÚDE É PÚBLICA! TERCEIRIZAÇÃO NÃO! CONCURSO PÚBLICO JÁ!

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