POLÍTICA

MP veta pneus e latas de tinta em ecoponto e vereador quer encontrar alternativa

Paulinho da Farmácia argumenta que moradores que faziam esse tipo de descarte no Ecoponto Vista Alegre precisam se uma solução

Cachoeirinha – O recebimento de pneus e latas de tinta, vazias ou com sobras do produto, está suspenso no Ecoponto Vista Alegre, em Cachoeirinha, após uma vistoria do Grupo de Apoio Técnico Especializado (GATE) do Ministério Público. O vereador Paulinho da Farmácia (PDT) levou o assunto à Tribuna da Câmara durante a Sessão desta terça-feira (8) e defendeu a busca de uma alternativa para o descarte desses materiais.

A atuação do Ministério Público está relacionada especificamente ao Ecoponto Vista Alegre, acompanhado pelo órgão desde a sua implantação. As regras ambientais que definem quais resíduos podem ser recebidos e as condições necessárias para armazená-los, no entanto, devem ser observadas nos três ecopontos existentes no município.

Paulinho pretende promover, na próxima segunda-feira (14), uma reunião com representantes das secretarias municipais de Meio Ambiente e Sustentabilidade e de Infraestrutura e Serviços Urbanos, além da Mecanicapina, empresa responsável pela operação dos três ecopontos.

Segundo o vereador, antes da suspensão, os pneus entregues no Vista Alegre permaneciam no local por três ou quatro dias até serem recolhidos por uma pessoa que fazia a destinação. As sobras de tinta eram retiradas por outro morador e utilizadas em pinturas de praças.

“Temos que encontrar uma solução para esse problema. Vamos fazer uma ata e levar ao Ministério Público para discutirmos uma alternativa”, disse o vereador, salientando que além disso é necessário um estudo para a criação de mais ecopontos em regiões que ficam afastadas dos existentes hoje.

De acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Samuel de Souza, o GATE realizou uma vistoria no Ecoponto Vista Alegre e o caso está sendo analisado pela área de licenciamento ambiental da secretaria. A Procuradoria-Geral do Município aguarda informações para dar uma resposta ao MP.

Resíduos de tinta e pneus

A classificação dos resíduos é definida pela ABNT NBR 10004. Materiais enquadrados na Classe I são considerados perigosos quando apresentam características como inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade ou risco de contaminação. Sobras de tinta e embalagens contaminadas podem entrar nessa categoria, dependendo da composição do produto.

Uma lata completamente vazia e sem contaminação não deve ser automaticamente tratada da mesma forma que uma embalagem contendo tinta. A destinação, porém, depende das condições do material e das regras estabelecidas para o ponto de recebimento. Um ecoponto somente pode aceitar os resíduos previstos em seu licenciamento e em seu plano de operação.

Os pneus são classificados como resíduos não perigosos, mas possuem regras próprias. A Política Nacional de Resíduos Sólidos inclui o material entre os produtos sujeitos à logística reversa. Isso significa que fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes devem organizar o retorno e a destinação ambientalmente adequada dos pneus depois do uso, independentemente do serviço público de limpeza urbana.

A Resolução nº 416/2009 do Conselho Nacional do Meio Ambiente permite que estabelecimentos comerciais e outros locais funcionem como pontos de coleta e armazenamento temporário. A norma determina, contudo, que os pneus sejam mantidos em condições que evitem danos ambientais e riscos à saúde pública, além de proibir o armazenamento a céu aberto.

O cuidado está relacionado principalmente ao acúmulo de água, que transforma pneus expostos em possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. Portanto, a legislação não impede a existência de pontos de recebimento, mas exige um local adequado e uma destinação regular.

Embora a vistoria do GATE e a atuação do Ministério Público estejam relacionadas ao Ecoponto Vista Alegre, os mesmos critérios legais para recebimento, armazenamento e destinação devem ser cumpridos pelos outros dois ecopontos de Cachoeirinha.

A gestão dos espaços é de responsabilidade da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Urbanos (SMISU). O secretário Éder Souza informou que está analisando o caso para definir quais medidas poderão ser adotadas.

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