Prometeon pode seguir Pirelli e ir para São Paulo - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Audiência debateu alternativas para evitar o fechamento da Pirelli - Fotos: João Flores da Cunha/Câmara de Gravataí/Divulgação

Prometeon pode seguir Pirelli e ir para São Paulo

Empresa controlada por chineses também pode deixar Gravataí e gerar o fechamento de 1,7 mil postos de trabalho

Gravataí – A audiência pública promovida na Câmara de Veadores de Gravataí nesta segunda-feira (24), uma iniciativa da Frente Parlamentar em Defesa da Permanência da Pirelli e da Comissão de Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa, acabou por trazer à tona mais uma notícia ruim: a chinesa Prometeon pode seguir os passos da Pirelli e rumar para São Paulo.

A intenção dos chineses de abandonar Gravataí não é oficial. O jornalista Eduardo Torres, do jornal Correio de Gravataí, apurou que há duas semanas, em uma reunião no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 4ª Região, em Porto Alegre, um representante jurídico da empresa deixou escapar que ela pode rever o investimento em Gravataí, onde emprega atualmente 1,7 mil trabalhadores.

Na audiência desta segunda, nenhum executivo da Pirelli compareceu. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Borracha de Gravataí, Flávio de Quadros, agradeceu aos vereadores “por estarem nos apoiando nessa empreitada que é a permanência da Pirelli na nossa cidade”.

Audiência foi realizada nesta segunda na Câmara de Vereadores

O encontro definiu como encaminhamento a pressão política para tentar fazer os italianos desistirem da ideia de fechar a fábrica de pneus para motos. A bancada gaúcha na Câmara dos Deputados será procurada.

O fechamento da unidade e transferência da operação para São Paulo, onde serão investidos R$ 530 milhões, foi anunciada pela direção mundial da empresa em maio. A desativação será gradual até que o ciclo se complete em dois anos. Hoje, a planta gera 900 empregos.

Havia uma esperança do Sindicato da Borracha de que a Prometeon, que gera 1,7 mil empregos para produzir pneus para caminhões, pudesse absorver parte da mão de obra. A possibilidade de os chineses também deixarem Gravataí jogou um balde de água fria nas pretensões do sindicato.

Quadros argumenta que o problema enfrentado na cidade não é diferente em outros municípios por grandes empresas. Ele está nos 18% do ICMS cobrados no Rio Grande do Sul, enquanto em São Paulo o índice fica em 12%.

Números comentados durante a audiência pública revelam que a Prefeitura de Gravataí pode deixar de arrecadar algo em torno de R$ 7 milhões por ano em impostos caso perca as duas empresas. Somente a unidade da Pirelli é responsável por quase R$ 2,5 milhões.

O impacto na desativação das empresas não é imediato nas contas da Prefeitura. Isto porque o cálculo do índice de retorno de ICMS tem uma fórmula que leva dois anos para o repasse ser impactado. Diante disso, como a Pirelli vai ir desativando aos poucos sua operação, o caixa da Prefeitura ficará zerado com recursos gerados pela empresa italiana daqui a quatro anos.

O reflexo mais direto e imediato no fechamento da unidade são os 900 empregos diretos e cerca de 300 indiretos. Caso a Prometeon também deixe a cidade, a massa de desempregados poderá chegar na casa dos três mil, considerando empregos diretos e indiretos das duas unidades.  

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