POLÍTICA

Prefeitura aciona a Polícia Federal por “sumiço” de R$ 11 milhões do Fundeb

Prefeita interina mandou intimar o ex-prefeito, Cristian Wasem, e a secretária da Educação, Isabel Fonseca, para darem explicações em sindicância

Cachoeirinha – A Prefeitura de Cachoeirinha acionou a Polícia Federal ao descobrir o “sumiço” de R$ 11 milhões do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), que é o principal mecanismo de financiamento da educação básica pública no Brasil. Os recursos são enviados pelo Ministério da Educação. Além disso, a prefeita interina, Jussara Caçapava determinou que o caso fosse comunicado ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) e ao Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Contra a Administração Pública da Polícia Civil (Dercap).

A apuração interna para descobrir onde foi parar o dinheiro veio à tona nesta quinta-feira (9) depois do vazamento de um memorando em que Jussara determinou o cumprimento em 24 horas das medidas que já haviam sido solicitadas e não vinham sendo cumpridas por servidores, sob pena de responsabilidade administrativa por descumprimento das determinações.

Jussara mandou a comissão de sindicância intimar o ex-prefeito Cristian Wasem e a ex-secretária de Educação, Isabel Fonseca, para darem as explicações sobre o que vinha acontecendo. Segundo o assessor especial de gabinete da prefeita interina, Cláudio Ávila, há indicações de que o dinheiro foi usado para pagar outras despesas da prefeitura, como salários, obras e ações realizadas durante o período da enchente de 2024. “A verba do Funbed é específica para a educação e não pode ser utilizada em nenhuma outra área”, explica.

O maior problema da prefeitura é que ninguém sabe onde os recursos foram parar. “Nós vamos precisar buscar ajuda do Ministério da Educação e contarmos com o Conselho Municipal de Educação para resolvermos isso”, afirma.


O uso indevido do dinheiro da educação em outras áreas estaria ocorrendo desde 2017, conforme apurações preliminares, e se agravou durante o Governo Cristian, que teria mantido a mesma prática. O rombo no orçamento era de R$ 7 milhões e já estaria na casa dos R$ 11 milhões. Os valores são nominais, ou seja, não foram corrigidos.

O que diz o ex-prefeito

O ex-prefeito Cristian Wasem disse à reportagem e também em vídeo publicado em sua rede social que foi criada uma narrativa pela atual gestão da prefeitura para responsabilizar a sua. “O fato citado ocorreu em 2017, quando ainda éramos vereador, durante a aprovação do chamado ‘Pacotaço’. Na ocasião, votamos contra as medidas que prejudicavam os servidores, enquanto a atual prefeita interina votou a favor. Foi naquele período que recursos do Fundeb foram utilizados para parcelar o 13º salário, gerando os juros que agora estão sendo cobrados”, destaca.

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