Juíza quer mais provas para decidir se cassa o prefeito Cristian
Audiência para o depoimento de testemunhas foi cancelada para que os documentos sejam apresentados
Cachoeirinha – A juíza da 143ª Zona Eleitoral, Suélen Caetano de Oliveira, cancelou a audiência da próxima terça-feira (8) quando seriam ouvidas as testemunhas na Ação de Investigação Judicial Eleitoral que pede a cassação do mandato do prefeito Cristian Wasem e do seu vice, delegado João Paulo. Em despacho da última quarta-feira (2), a magistrada atendeu pedido formulado pelos advogados do ex-candidato a prefeito, David Almansa, para que sejam trazidos aos autos novos documentos.
Conforme a acusação, os documentos apresentados pela defesa do prefeito e vice não esclareceram pontos da denúncia em investigação. Um deles é o depósito e R$ 2,7 milhões que teria sido feito na conta bancária de uma servidora da Guarda Municipal.
“Ainda que justificado que houve mera regularização contábil, entendo indispensável, em razão da resposta dada, que venham aos autos os extratos da conta de origem do recurso (n. 62.204-4). Além disso, mencionou-se que a prestação de contas dos recursos seria de incumbência da Defesa Civil, que a realizaria ao Governo Federal. Essas informações somente vieram aos autos em resposta aos ofícios expedidos (requeridos na petição inicial), por isso entendo adequada a complementação das informações através de expedição de ofícios a outros órgãos conforme requerido”, despachou a juíza.
O dinheiro, conforme a defesa de Cristian e João Paulo seria de origem do Governo Federal e estava em um cartão corporativo cuja responsabilidade para uso em ações imediatas da Defesa Civil era da servidora.
A denúncia que pede a cassação aponta oito fatos que seriam irregulares. Um deles diz que servidores, concursados ou não, tiraram férias para atuarem na campanha eleitoral. A juíza entendeu, conforme pedido da acusação, que devem ser anexados ao processo documentos de quatro ocupantes de cargos comissionados e o cartão ponto de todos os CCs da prefeitura.
A audiência para que testemunhas sejam ouvidas será marcada quando os documentos chegaram. “Considerando que há expedição a Entes e Entidades diversas do Município de Cachoeirinha, entendo não haver prazo de resposta viável até a audiência designada para o dia 08.04.2025, motivo pelo qual cancelo a solenidade, que será redesignada após vista das respostas aos ofícios a serem expedidos”, decidiu.
A acusação pede a cassação do registro e diplomação dos então candidatos, anulação dos votos, multa e decretação de inelegibilidade por oito anos. Caso Cristian e João Paulo sejam cassados, quem assume interinamente é quem está no comando da Câmara de Vereadores.
Hoje, quem ocupa o cargo é a vereadora Jussara Caçapava. Havendo a cassação e ela sendo mantida em recurso do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), uma nova eleição é marcada. O caso é o mesmo que levou Cristian a se eleger prefeito para um mandato de dois anos quando era presidente da Câmara e assumiu interinamente o cargo na prefeitura depois da cassação de Miki Breier e de seu vice, Maurício Medeiros.
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