Gás venenoso provocou a morte da secretária de Educação e marido
Os peritos do Posto Médico-Legal (PML) de Taquara confirmaram à Polícia Civil que as mortes foram provocadas pelo sistema de aquecimento do motor home
Gravataí – A secretária de Educação de Gravataí, Sônia Oliveira, e o marido, Ricardo Abreu, morreram pela inalação de um gás venenoso, o monóxido de carbono, originado do sistema de aquecimento do motor home. A estrutura foi montada em um furgão Peugeot adaptado para funcionar como uma casa sobre rodas. O casal havia se deslocado para Gramado para passar o final de semana e não retornou na segunda-feira (2) e o ex-prefeito Marco Alba acionou a Brigada Militar para fazer a verificação no camping onde estavam.
O Posto Médico-Legal de Taquara foi o responsável pela perícia e segundo o titular da Delegacia de Polícia de Gramado, delegado Gustavo Celiberto Barcellos, as mortes aconteceram por asfixia em função da inalação de monóxido de carbono, um gás venenoso resultado da combustão. O veículo foi analisado nesta quarta-feira (4) por peritos de Porto Alegre e foram encontradas falhas no equipamento de aquecimento. O delegado aguarda o laudo completo da perícia. O botijão de gás utilizado para o aquecimento estava vazio e o equipamento de passagem de gás “batia como se estivesse ligado”.

Acidentes envolvendo problemas em sistemas de aquecimento são comuns em todo o mundo. No mês passado, no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro, um casal foi encontrado morto dentro do box do banheiro. A química Tatiana Saint-Pierre, do Departamento de Química do Centro Técnico-Científico (CTC) da PUC-Rio, explicou ao jornal Extra, que o ambiente onde aquecedores a gás são utilizados precisam ser ventilados.
Sem a ventilação adequada, a combustão não acontece da maneira correta e acaba sequestrando todo o oxigênio do ambiente. “Se o cômodo for mal ventilado, a combustão roubará todo o oxigênio existente no local e, na falta dele, passará a produzir o monóxido de carbono”, disse. O gás não tem cheiro algum o que torna quase impossível a identificação de que uma intoxicação está em andamento.
A especialista explicou ao jornal que um dos primeiros sinais da combustão incompleta é a presença do gás carbônico no ambiente. Antes de gerar o monóxido de carbônio, a falta de oxigênio provoca no ambiente um excesso de gás carbônico, que é outro produto da combustão. Embora o gás carbônico não seja propriamente venonoso, ele pode causar, se ingerido em grandes quantidades, dor de cabeça, dificuldade para respirar, tonturas e desmaio, entre outros sintomas. “Na combustão incompleta, a pessoa primeira desmaia com o gás carbônico e depois morre com o monóxido. É uma morte por asfixia”, explicou.
O delegado de Gramado vai apurar mais informações sobre como aconteceu a adaptação do furgão, que não teria sido fabricado por nenhuma empresa conhecida do ramo.
Luto oficial em Gravataí
Sônia e o marido foram velados no saguão da Prefeitura. A cidade está em luto oficial. As aulas serão retomadas apenas na próxima segunda-feira (9). A sessão da Câmara de Vereadores desta quinta-feira (5) foi suspensa. As matérias previstas para a Sessão foram transferidas para a próxima reunião ordinária, a ser realizada na terça-feira (10).
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