POLÍTICA

Estado e Prefeitura definem ações emergenciais para reduzir alagamentos no Parque da Matriz

Medidas incluem abertura de vala, ampliação de barreira de contenção e pedido de recursos para desassoreamento do Rio Gravataí e do Arroio Passinhos

Cachoeirinha – Representantes do Governo do Estado e da Prefeitura de Cachoeirinha definiram, nesta quarta-feira (29), um conjunto de medidas emergenciais de curto e médio prazos para reduzir os alagamentos no Parque da Matriz. O Coordenador Estadual de Proteção e Defesa Civil, Luciano Boeira, e o secretário de Estado da Reconstrução Gaúcha, Pedro Maciel Capeluppi, estiveram no bairro acompanhados da prefeita Jussara Caçapava e do vice-prefeito Mano para avaliar a situação provocada pelas chuvas dos últimos dias.

Segundo Mano, a principal medida emergencial será a abertura de uma vala que existia no passado e que permitirá aumentar o escoamento das águas do Arroio Passinhos. A água será direcionada para uma área de banhado no Mato do Júlio, reduzindo a pressão sobre a drenagem do bairro. A expectativa da Prefeitura é iniciar a intervenção ainda nesta semana.

O vice-prefeito explicou que, atualmente, o principal problema ocorre porque a vazão do Arroio Passinhos fica represada na passagem sob a Freeway. As galerias existentes não conseguem dar conta do volume de água durante períodos de chuva intensa, fazendo com que o arroio retenha a água e provoque alagamentos no Parque da Matriz.

Outra ação definida durante a visita é a ampliação de uma barreira de contenção na margem esquerda do Arroio Passinhos. De acordo com Mano, parte desse dique já foi executada durante a limpeza do arroio e apresentou resultados positivos na redução da entrada de água no bairro. Agora, a contenção será prolongada utilizando a terra retirada das intervenções.

Pedido de recursos ao Estado

Além das ações emergenciais, a reunião também tratou de uma medida estrutural considerada fundamental para reduzir os riscos de inundações. A prefeita Jussara Caçapava solicitou ao Governo do Estado recursos para executar o desassoreamento do Rio Gravataí, no trecho de Cachoeirinha, e também do Arroio Passinhos.

Durante o encontro, Capeluppi orientou que o município encaminhe o projeto para análise dentro do conjunto de propostas que poderão ser financiadas pelo Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). Ainda não há prazo definido para avaliação nem para eventual liberação dos recursos.

Medidas reduzem impactos, mas não eliminam risco

As intervenções anunciadas têm caráter paliativo e buscam retardar ou minimizar a entrada da água no Parque da Matriz durante períodos de chuva intensa. A ampliação da capacidade de escoamento do Arroio Passinhos e o reforço das barreiras poderão reduzir os alagamentos provocados pelo arroio, mas não eliminam o risco de inundações provocadas pelo Rio Gravataí, que também deve atingir outros bairros como ocorreu em maio de 2024

O cenário preocupa porque, conforme estudo elaborado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o Gravataí já ultrapassou a cota de inundação e a previsão é de que a água comece a atingir áreas urbanas de Cachoeirinha entre o final desta semana e o início da próxima.

Desafio aumenta com previsão de Super El Niño

As autoridades também discutiram a necessidade de acelerar obras estruturais diante das previsões climáticas para os próximos meses. Meteorologistas apontam para a intensificação do El Niño a partir da primavera, com possibilidade de evolução para um Super El Niño até o fim do ano.

Caso esse cenário se confirme, eventos de chuva extrema poderão voltar a atingir o Rio Grande do Sul com intensidade semelhante ou até superior à observada em 2024. Nessa situação, as medidas atualmente adotadas, como limpeza de canais, reforço de diques e melhorias na drenagem, tendem a ter eficácia limitada, já que o principal fator de inundação em Cachoeirinha ocorre quando o Rio Gravataí transborda e tem sua vazão represada pelo Rio Guaíba, fazendo a água retornar e invadir áreas urbanas.

Mano publicou vídeo sobre o encontro

Dique e casa de bombas no Parque

A construção de um dique e instalação de casa de bombas no Parque a Matriz é um processo mais complicado. Os recursos teriam que vir do Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (FIRECE), programa federal administrado pela Caixa Econômica Federal. Nele estão previstos os diques de Gravataí e Cachoeirinha além das microbarragens no Rio Gravataí. O valor incialmente projetado é de R$ 450 milhões. Capeluppi disse em seminário essa semana no Centro das Indústrias de Cachoeirinha (CIC), durante seminário da comissão externa da Câmara dos Deputados para avaliar as medidas que estão sendo tomadas no Rio Grande do Sul para a contenção das cheias, que esse projeto está sendo analisado para ser encontrada uma forma de contemplar o Parque da Matriz.

Artigos relacionados

error: Não autorizamos cópia do nosso conteúdo. Se você gostou, pode compartilhar nas redes sociais.