Em Cachoeirinha, mulheres celebram os 90 anos do voto feminino
Promovida pela Prefeitura, em parceria com a Coordenadoria da Mulher, roda de conversa registrou a participação da deputada Patrícia Alba
Cachoeirinha – Considerado um dos grandes marcos da luta das mulheres em busca da igualdade no Brasil, a conquista do voto feminino, que completou 90 anos nesta quinta-feira (24), foi tema de reflexão em Cachoeirinha. Promovido pelo gabinete da primeira-dama, Aliny Tonolher, em parceria com a coordenadora da Mulher, Rosinha Lippert, o momento de conversa registrou a participação da deputada estadual Patrícia Alba (MDB), nascida e criada no município.
“Foi uma grande oportunidade para compartilhar experiências e conhecer histórias de mulheres que, muito por conta daquele 24 de fevereiro de 1932, ocupam cada vez mais os espaços da nossa sociedade com protagonismo”, declarou Patrícia.
Na ocasião, a parlamentar relatou os trabalhos à frente da Procuradoria da Mulher da Assembleia Legislativa – onde esteve como adjunta ao longo de 2021 –, bem como os obstáculos a serem superados pelas mulheres na sociedade.
“A sociedade tem evoluído, mas ainda há muito pela frente. Somos maioria da população em qualquer lugar do mundo. Portanto, nada mais digno e justo que busquemos essa paridade, também, em todos os espaços”.
A conversa também contou com a participação das secretárias de Assistência Social, Cidadania e Habitação, Cristiana Mesquita; de Modernização Administrativa e Gestão de Pessoas, Aline Mello; de Cultura e Esporte, Sueme Pompeo de Mattos; o secretário de Governança e Gestão, João Tardeti; a chefe de gabinete do prefeito Maurício Medeiros, Luana Cargnin; representantes do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Cachoeirinha (Condim), entre outras.
Saiba mais
Quinta-feira foi o aniversário do primeiro Código Eleitoral que garantiu oficialmente às mulheres acima de 21 anos o direito de votar e serem votadas no Brasil. Mas algumas mulheres foram precursoras desse processo e se anteciparam à publicação do código. A professora Celina Guimarães foi primeira eleitora brasileira, votando em 1927. Já Alzira Soriano foi a primeira mulher eleita para um cargo público da história: foi prefeita de Lajes, no Rio Grande do Norte, assumindo o cargo em 1929.
No entanto, nove décadas depois e com mais de 52% do eleitorado feminino, o cenário no Brasil ainda não favorece à participação das mulheres na política. De acordo com dados de uma organização que reúne os parlamentos dos países ligados à ONU, o Brasil ocupa a posição 142 no ranking de mulheres no Congresso Nacional.
A professora de Direito da Fundação Getúlio Vargas, Ligia Fabris, destaca que países onde as mulheres, historicamente, têm os direitos limitados, como Arábia Saudita, já ocupam posições melhores que Brasil na representatividade feminina na política. Ela destaca que as nações que avançaram nesse ponto adotaram as cotas para mulheres, o que garante a participação de ambos os sexos nos cargos elegíveis.
E no Senado Federal, onde foi realizada uma sessão solene na quarta-feira para comemorar os 90 anos do voto feminino, tramita um Projeto de Lei que prevê justamente uma cota de, pelo menos 30% em órgãos partidários para cada gênero. A senadora Leila do Vôlei destacou que, apesar de as mulheres já serem mais da metade da população brasileira, apenas 15% dos parlamentares no Congresso Nacional são mulheres. Ela destaca quais as causas dessa baixa representatividade feminina.
Em 2009, foi aprovada uma lei que garante a obrigatoriedade de no mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas de cada sexo, em cada partido. Já em 2015, uma outra iniciativa. Tornou-se obrigatório que 20% do tempo de propaganda gratuita no rádio e na TV seja utilizado para incentivar a participação feminina na política.








