POLÍTICA

Consumo de álcool por menores na Ronda Crioula preocupa vereadores

Vereadores querem que a Guarda Municipal e Conselho Tutelar realizem fiscalizações

Cachoeirinha – Relatos sobre adolescentes consumindo bebidas alcoólicas durante a 39ª Ronda Crioula levaram vereadores de Cachoeirinha a pedir reforço na fiscalização do evento. O assunto foi levantado na Tribuna da Câmara de Vereadores durante a Sessão desta terça-feira (15).

A Ronda Crioula ocorre no Parque de Eventos da Associação dos Piqueteiros de Apoio ao Tradicionalismo de Cachoeirinha (Apat) e prossegue até domingo (20), quando é comemorado o Dia da Revolução Farroupilha. O evento permite que o público entre no local com bebidas e caixas térmicas para acompanhar os shows e bailes.

Zeca Transportes afirmou ter presenciado menores de idade consumindo bebidas alcoólicas. Conforme o vereador, as bebidas não teriam sido fornecidas pelos piquetes, mas levadas ao parque pelos próprios frequentadores.

“Eu vi muitos jovens consumindo bebida alcoólica. Não são os piqueteiros, o pessoal traz de fora. Já falei com a Guarda Municipal e precisamos dar uma atenção redobrada. Vi jovens de 13 e 14 anos bebendo. A festa está bonita, mas precisamos acender um alerta”, declarou.

A venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos é proibida pelo artigo 81 do Estatuto da Criança e do Adolescente. O artigo 243 estabelece que vender, fornecer, servir ou entregar bebida alcoólica a uma criança ou adolescente, mesmo gratuitamente, é crime com pena de dois a quatro anos de detenção e multa.

A legislação alcança também a pessoa que entregar a bebida ao menor, ainda que ela tenha sido adquirida fora do evento. Desde 2025, a pena pode ser aumentada de um terço até a metade quando a criança ou o adolescente consumir o produto. Para estabelecimentos comerciais, o ECA prevê multa de R$ 3 mil a R$ 10 mil e interdição até o recolhimento do valor.

Tiago Eli concordou com o alerta feito por Zeca e defendeu a presença da Guarda Municipal e do Conselho Tutelar durante a programação. Segundo ele, a medida pode ampliar a segurança dos jovens e dos demais frequentadores.

“Tem que haver uma fiscalização melhor e mais segura. Acho que deveria ter o Conselho Tutelar e a Guarda juntos no local. As pessoas vão para se divertir e acabam presenciando situações que não deveriam acontecer”, disse Tiago Eli.

Marcelinho também sugeriu que o Conselho Tutelar acompanhe o evento. O vereador afirmou que o consumo de álcool por adolescentes precisa ser tratado como uma questão de saúde pública e receber atenção dos órgãos municipais.

“Acho importante levar a situação ao Conselho Tutelar para que acompanhe alguns dias do evento. A bebida é um problema público e a Secretaria de Saúde também precisa se preocupar, principalmente com os nossos jovens”, afirmou.

Claudine Silveira lembrou que apresentou uma proposta de conscientização sobre o consumo de bebidas alcoólicas. Conforme a vereadora, o trabalho preventivo deve começar nas escolas e mostrar aos adolescentes as consequências do consumo de álcool.

“É um projeto de conscientização e educação sobre o alcoolismo. Como professora, sempre defendi trabalhar essa prevenção nas escolas. Como policial, acompanhei acidentes com mortes de jovens que dirigiram depois de beber. Precisamos mostrar à juventude que o consumo de álcool faz mal”, declarou.

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