Chapolin faz denúncia pedindo cassação de Claudine e ato é visto como retaliação política
Claudine foi candidata a prefeita pelo Progressistas que move duas ações tentando cassar a prefeita Jussara Caçapava e o vice, Mano

Cachoeirinha – O vereador Santo Edir Oliveira (MDB), o Chapolin, que participou da sua primeira Sessão da Câmara na última terça-feira (12) diante da licença do titular, Zeca Transportes, protocolou no Legislativo uma representação contra a vereadora Claudine Silveira (PP) pedindo a cassação do mandato.
No pedido direcionado à Comissão de Ética, Chapolin sustenta que a vereadora quebrou o decoro parlamentar por ter contratado para seu gabinete uma testemunha no processo que culminou com a cassação do vice-prefeito e seu marido, delegado João Paulo.
Conforme a narrativa que a reportagem teve acesso, a testemunha ocupava cargo comissionado na gestão passada da Prefeitura e era a fiscal do contrato de uma empresa contratada sem licitação para fazer a limpeza de unidades de saúde. João Paulo sustentou durante o processo que não houve irregularidade na contratação porque uma licitação não pode prosseguir devido a um erro e era necessário contratar uma empresa emergencialmente para evitar o fechamento dos postos, prejudicando a população. João Paulo foi cassado por esse motivo.
Para Chapolin, segundo narrado na representação, ficou evidenciado que a testemunha tinha relação próxima com o vice-prefeito, a vereadora e a empresa. O que reforçaria isso foi o fato de a testemunha ter sido contratada para o gabinete de Claudine esse ano.
Outro ponto da denúncia é que a vereadora teria omitido em mandado de segurança, quando tentava obter judicialmente o direito de votar na Sessão de Julgamento do prefeito e vice, que era esposa de João Paulo. A reportagem teve acesso ao documento e nele, embora Claudine não diga explicitamente que era esposa, ela sustenta que o Decreto-Lei 201/67, que disciplina os processos de cassação, não estabelece que um parlamentar fica impedido de votar caso possua “vínculo pessoal ou político” com um investigado.
Representação é vista como vingança
Nos bastidores, a representação foi vista com uma retaliação política. O Progressistas, presidido por João Paulo, ingressou com duas Ações de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra a chapa de Jussara Caçapava e Mano alegando o uso indevido da máquina pública e redes sociais durante a campanha. Como suposta vingança, Chapolin teria sido escolhido por integrantes do seu grupo político para fazer a representação.
Caso a vereadora seja cassada, quem assume é Fernando Medeiros. Ele é primeiro suplente do PP e na Sessão de Julgamento do prefeito e vice, ocupou a vaga de Claudine e votou pela cassação de João Paulo, presidente do seu partido.
O que dizem os envolvidos
A reportagem entrou em contato com o vereador Chapolin e sua assessoria na quinta-feira (14) à tarde e não obteve retorno. Já Claudine disse que vai se manifestar somente após ter acesso ao documento. O protocolo ocorreu no final do expediente da Câmara, que encerrou ao meio-dia desta quinta. Como essa sexta é feriado municipal, a Câmara só retoma as atividades na segunda-feira (18).
A reportagem apurou que a iniciativa de Chapolin e seu grupo não teve influência de Jussara e Mano, que defendem o fim da instabilidade política para evitar prejuízos para a cidade e população.




