POLÍTICA

Câmara aprova nova tentativa para contratação de psiquiatras para os CAPS

Prefeitura ampliou a carga horária e criou gratificação para tentar encontrar profissionais interessados

Cachoeirinha – A Câmara de Vereadores aprovou na Sessão desta terça-feira (9) o projeto de lei do Executivo autorizando a contratação de até dois psiquiatras adultos e um infantil para os Centros de Atenção Psicossocial (CPAS). Os cargos estão vagos hoje e a secretária da Saúde, Bianca Breier, explica que por dez vezes foi tentada a contratação por processos seletivos simplificados, mas não houve interesse de profissionais.

“Nós criamos uma gratificação e ampliamos a carga horária de 8 horas para 20 horas semanais e agora esperamos conseguir preencher essas vagas”, explica. Hoje, conforme a justificativa do projeto, o intervalo de consultas para adultos está em até cinco meses.

Já em relação ao psiquiatra infantil, crianças com doença mental grave aguardam em média dois meses para o primeiro atendimento, e as reavaliações podem chegar até quatro meses, “situação que compromete seriamente a integralidade e resolutividade do cuidado em saúde mental”.

O Ministério da Saúde financia os serviços dos CAPS. Mensalmente, Cachoeirinha recebe R$ 110.681,00 para os serviços CAPS II Adulto e CAPS AD, e R$ 42.994,00 para o CAPS Infantojuvenil. Caso as vagas não sejam preenchidas, a secretaria da Saúde deixará de receber o dinheiro.

Na Tribuna, vereadores defenderam a aprovação do projeto. “Vamos votar favorável a esse projeto. Não é uma quantidade enorme de médicos, mas já vai dar um alívio na carga horária desses médicos [que trabalham hoje]”, disse Mano do Parque.

O parlamentar ainda destacou que o Governo deve se sensibilizar e enviar para a Câmara projetos para aumentar o número de médicos na rede municipal da saúde “porque a população precisa”. A secretaria da Saúde tem tentado contratar médicos, conforme projetos já aprovados pela Câmara, mas encontra dificuldades para preencher todas as vagas por falta de interesse de profissionais.

Já a vereadora Sandrinha, destacando que trabalha muito com enterro assistencial, mas sem citar que a Prefeitura oferece serviços fúnebres para famílias carentes, salientou que mais projetos como os dos psiquiatras devem ser enviados ao Legislativo. Ela revelou que nos últimos 15 dias, três famílias perderam seus filhos por depressão. “Dois deles não tiveram nenhum tipo de atendimento, infelizmente”, disse, mas não explicou se procuraram ajuda na rede de saúde. “A demanda está muito grande [por serviços de saúde mental]”, destacou a parlamentar.

Paulinho da Farmácia também pediu mais projetos na área da saúde para melhorar o atendimento da população. Já Flávio Cabral defendeu um debate mais amplo sobre a gestão da secretaria da Saúde, envolvendo o estabelecimento de metas. O vereador ainda defendeu a necessidade de contratação de mais psiquiatras, porém não explicou de onde sairá o dinheiro.

Gilson Stuart seguiu na mesma linha dos demais e trouxe um assunto novo fora da discussão do projeto: o serviço de traumatologia. Segundo ele, falta vontade de fazer. O parlamentar, contudo, não explicou que a traumatologia está no contrato do Ana Nery para gerir o Padre Jeremias, cuja responsabilidade é do Estado. A traumatologia está prevista para ser implementada, mas depois da ampliação do hospital.

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