Câmara aceita denúncia que pede impeachment de Cristian e João Paulo
Após a votação, foi escolhida a Comissão Processante, que ser reunirá na próxima semana e abrirá prazo para o prefeito e vice apresentarem a defesa prévia
Cachoeirinha – A Câmara de Vereadores de Cachoerinha aceitou a denúncia contra o prefeito Cristian Wasem e o vice, delegado João Paulo, e abriu o processo de impeachment na noite desta terça-feira (21). A aceitação da denúncia apresentada pelo suplente de vereador do PL, Almeida Xereta, foi aprovada por 13 a 4 na Sessão que foi realizada exclusivamente para analisar os fatos apresentados, todos com base na Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) movida na Justiça Eleitoral pelo ex-candidato a prefeito, David Almansa, cuja audiência para que testemunhas fossem ouvidas foi realizada nesta terça.
O pedido de impeachment de Xereta foi baseado na AIJE, que apresenta oito fatos supostamente irregulares que os então candidatos teriam cometido no período pré-eleitoral, no ano passado. Dos oito, Xereta coloca dois como os mais graves para fundamentar o pedido de impeachment: a distribuição de 14 mil pares de tênis para estudantes da rede municipal e repasses de recursos, cerca de R$ 2,75 milhões, para terceiros e pessoas jurídicas durante a enchente do ano passado para supostamente obterem vantagens políticas. Clique aqui para ler a denúncia na íntegra.
Entre os oito fatos narrados na ação, Xereta destaca o seguinte:
- Distribuição de 14 mil pares de tênis a poucos dias da eleição, custeados com quase R$ 1 milhão dos cofres públicos.
- Uso de páginas e redes sociais financiadas pela prefeitura para atacar adversários e enaltecer a própria gestão.
- Repasses de R$ 2,75 milhões a uma servidora ligada à base política do prefeito durante as enchentes, em pleno período eleitoral.
- Postagens no perfil oficial da prefeitura atacando partidos e candidatos da oposição.
Vitória da população, diz Xereta
O autor da denúncia, Almeida Xereta, disse logo após o encerramento da votação que o resultado foi uma vitória da população. “Uma vitória da população, não minha. A gente sabe que a cidade está abandonada, Polícia Federal na Prefeitura investigando, então, para mim é uma lavada. Agora, a responsabilidade é dos vereadores. Eu como cidadão, junto com minha assessoria, jogados no colo dos vereadores. Agora, a responsabilidade é deles. E eu vou cobrar”, disse.
Jussara não permitiu questões de ordem
A presidente da Câmara, Jussara Caçapava, não permitiu questões de ordem e logo após a leitura da denúncia a colocou em votação. O vereador Edson Cordeiro queria questionar o texto por ele não deixar claro o que seria votado pois não teria ficado evidente que a peça denunciava infrações político-administrativas.
Já a vereadora Claudine, que apesar de ser esposa do vice-prefeito, votou, queria justificar o voto. Jussara explicou que o rito definido para a Sessão é o Decreto-Lei nº 201/1967 e, nesse caso, o previsto no Regimento Interno não seria seguido. Jussara também votou. Ela chegou a ficar em dúvida dizendo que não poderia votar, mas a assessoria jurídica da Mesa Diretora disse que ela poderia. E o voto foi pela aceitação da denúncia.
Formação da Comissão Processante
Após a votação, a presidente da Câmara fez um intervalo para esclarecer como seria escolhida a Comissão Processante, composta por três parlamentares. Foram sorteados Zeca Transportes, Gilson Stuart e Mano do Parque. Após nova suspensão da Sessão, ficou definido que Zeca é o presidente, Mano relator e Gilson membro.

Como funciona o processo de impeachment
O pedido de impeachment é regulado pelo Decreto-Lei nº 201/1967, voltado a apurar infrações político-administrativas, cuja competência para processamento e julgamento é da Câmara de Vereadores. Com a aceitação da denúncia, a Comissão Processante se reunirá dentro de cinco dias para iniciar a investigação. O prefeito e vice serão intimados para apresentarem defesa prévia por escrito e poderão relacionar até 10 testemunhas.
“Decorrido o prazo de defesa, a Comissão Processante emitirá parecer dentro em cinco dias, opinando pelo prosseguimento ou arquivamento da denúncia, o qual, neste caso, será submetido ao Plenário. Se a Comissão opinar pelo prosseguimento, o presidente da Comissão designará o início da instrução, e determinará os atos, diligências e audiências que se fizerem necessários, para o depoimento do denunciado e inquirição das testemunhas”, define o Decreto-Lei.
Concluída a instrução, será aberta vista do processo ao denunciado, para razões escritas, no prazo de cinco dias, e, após, a Comissão processante emitirá parecer final, pela procedência ou improcedência da acusação, e solicitará ao Presidente da Câmara a convocação de sessão para julgamento.
Na sessão de julgamento, serão lidas as peças requeridas por qualquer dos Vereadores e pelos denunciados, e, a seguir, os que desejarem poderão manifestar-se verbalmente, pelo tempo máximo de quinze minutos cada um, e, ao final, o denunciado, ou seu procurador, terá o prazo máximo de duas horas para produzir sua defesa oral. Após, ocorre a votação e caso o impeachment seja aprovado por dois terços dos votos, ou seja, 12 votos, o prefeito e vice deixam o cargo imediatamente e quem estiver na presidência da Câmara assume.
Votaram pela aceitação da denúncia:
- Flávio Cabral (MDB)
- Gilson Stuart (Republicanos)
- Gustavo Almansa (PT)
- Léo da Costa (PT)
- Mano do Parque (PL)
- Marcelinho (MDB)
- Otoniel Gomes (MDB)
- Paulinho da Farmácia (PDT)
- Sandrinha (Republicanos)
- Tiago Eli (PP)
- Zeca Transportes (MDB)
- Jussara Caçapava
- Pricila Barra (Podemos)
Votaram pela não aceitação da denúncia:
- Cléo do Onze (MDB)
- Edison Cordeiro (Republicanos)
- Uilson Dropa (Podemos)
- Claudine Silveira (PP)





