POLÍTICA

Cachoeirinha do Governo Cristian cai 66 posições e fica entre os piores índices de educação do RS

Cidade está entre as 49 piores do Estado no índice cujo resultado entra no cálculo da Participação no Rateio da Cota-Parte da Educação (PRE), um dos critérios usados para dividir entre as prefeituras a parcela municipal do ICMS

Cachoeirinha – Cachoeirinha terminou 2025, durante o Governo Cristian Wasem, na 449ª posição entre os 497 municípios gaúchos no Índice Municipal da Educação do Rio Grande do Sul (Imers). A cidade perdeu 66 posições em relação a 2024, quando ocupava o 383º lugar. Sua nota caiu de 56,3885 para 53,9242 pontos, enquanto a média dos municípios do Estado subiu de 63,56 para 66,97. Cachoeirinha está, assim, entre os 49 municípios com os menores resultados do ranking, apesar de integrar o grupo das cidades gaúchas com mais de 75 mil habitantes. Os dados foram divulgados na última segunda-feira (21).

A maior queda ocorreu na alfabetização, avaliada no 2º ano do Ensino Fundamental. O Índice de Qualidade da Alfabetização (IQA) do município passou de 52,9385 em 2024 para 44,2423 em 2025, recuo de 8,6962 pontos. No mesmo período, a média estadual desse componente avançou de 59,50 para 64,34. A alfabetização tem o maior peso no Imers e responde por 40% da nota final.

O problema já havia aparecido em outro indicador. Na justificativa do Projeto de Lei nº 5302/2026, encaminhado pela Prefeitura à Câmara em agosto e aprovado no início de setembro, o Executivo informou que, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) referentes a 2025, apenas 46% das crianças de Cachoeirinha estavam alfabetizadas na idade certa.

Trata-se de uma medida diferente do IQA do Imers, mas ambas apontam dificuldades na alfabetização. O projeto propõe criar o programa Alfabetiza Cachoeirinha, com a meta de chegar a pelo menos 80% das crianças alfabetizadas ao final do 2º ano nos próximos cinco anos e à totalidade em dez anos.

Nos demais componentes do Imers, Cachoeirinha teve resultados distintos. O índice do 5º ano melhorou de 57,7176 para 61,6686 pontos. Já o indicador do 9º ano caiu de 38,4800 para 36,0220. O índice de aprovação permaneceu em 92,40. A melhora no 5º ano não compensou as quedas nas outras etapas.

O que o índice mede e como afeta os repasses

Calculado pelo governo do Estado com base nas avaliações de Língua Portuguesa e Matemática do 2º, 5º e 9º anos da rede municipal, o Imers considera a aprendizagem, a evolução dos resultados e a aprovação escolar. Além dos 40% atribuídos à alfabetização, o 5º ano representa 35% da nota, o 9º ano corresponde a 15% e a aprovação, a 10%.

O resultado entra no cálculo da Participação no Rateio da Cota-Parte da Educação (PRE), um dos critérios usados para dividir entre as prefeituras a parcela municipal do ICMS. Em 2027, a PRE terá peso de 14,2% no Índice de Participação dos Municípios (IPM), acima dos 12,8% previstos para 2026. O cálculo da PRE combina o desempenho no Imers com fatores ligados ao porte do município e à rede de ensino. Por isso, a queda da nota de Cachoeirinha pode pressionar sua participação nesse critério, mas não permite concluir, isoladamente, quanto dinheiro o município receberá a menos. O repasse final depende dos demais componentes do IPM e da arrecadação do imposto.

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