POLÍTICA

Base governista “amassa” projeto de Cléo do Onze e o classifica de demagógico

Vereador propôs regras mais duras para obras da Corsan e Líder do Governo disse que o Executivo está elaborando um projeto mais amplo

Cachoeirinha – A base governista da Câmara de Vereadores de Cachoeirinha rejeitou, durante a sessão realizada na noite desta quinta-feira (21), o Projeto de Lei do Legislativo 42/2026, de autoria do vereador Cléo do Onze (MDB), que hoje está na oposição. A proposta previa regras mais rígidas para concessionárias e empresas responsáveis por obras que abrem valas em ruas e calçadas da cidade, com foco principal nos reparos feitos pela Corsan.

O projeto acabou sendo alvo de críticas de vereadores da base da prefeita Jussara Caçapava, que classificaram a iniciativa como “demagógica”, argumentando que Cléo integrou o governo anterior como secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Urbanos e não teria adotado medidas semelhantes quando estava no Executivo.

O debate ocorreu em meio às constantes reclamações da população sobre a qualidade dos reparos realizados após obras da Corsan. Há anos, moradores reclamam da demora para fechamento de buracos abertos para instalação de redes de água e esgoto, além de afundamentos e má qualidade no asfalto recomposto.

O primeiro a falar contra o projeto foi o vereador Paulinho da Farmácia (PDT). Ele relembrou reuniões realizadas no período em que Cléo era secretário e criticou a postura do parlamentar.


“Eu votarei contra esse projeto porque, para mim, é uma demagogia. Tivemos diversas reuniões enquanto a ex-gerente da Corsan estava lá e o colega vereador Cléo era secretário. A cidade era um caos assim como é até hoje”, afirmou.

Na sequência, a vereadora Cláudia Frutuoso (PL), reconheceu que a população sofre com os buracos deixados pela Corsan, mas também classificou a proposta como oportunista politicamente.

“Esse projeto é colocado pelo colega vereador Cléo para que haja rapidez nos consertos da Corsan e eu acho realmente que isso é válido. Acontece que durante quantos anos estiveram no poder aliados com a gestão da Corsan e não foram realizados esses trabalhos. Então é demagogia porque são contra este governo”, disse.

Já o vereador Gelson Braga (Avante), afirmou que o problema é real e atinge diretamente os moradores, mas defendeu que o tema seja tratado pelo Executivo.

“Recebi reclamações de moradores que não conseguiam nem tirar o carro da garagem por causa das crateras abertas. O projeto é importante, mas acreditamos que o Executivo deve apresentar uma proposta que permita uma fiscalização efetiva da Corsan”, declarou.

O Líder do Governo na Câmara, Flávio Cabral (MDB), também votou contra o texto e afirmou que a Prefeitura pretende encaminhar um projeto próprio sobre o tema. Segundo ele, o problema central é a ausência de uma estrutura adequada de fiscalização por parte do município.

“O projeto é interessante, porque a Corsan abre buracos e não atende os vereadores. Mas como aprovar um projeto sendo que a Prefeitura não tem estrutura de fiscalização? O governo vai apresentar um projeto para que a Corsan não possa abrir buracos sem autorização”, afirmou.

Durante sua fala, Flávio também criticou o fato de Cléo apresentar a proposta agora, após deixar o governo. “O vereador tinha que ter feito isso quando era secretário ou quando o grupo político dele tinha relação direta com a Corsan”, disse.

O que previa o projeto

O Projeto de Lei 42/2026 estabelecia que concessionárias e empresas responsáveis por obras no município seriam obrigadas a realizar reparos integrais e de qualidade nas vias públicas.

Entre as exigências estavam:

  • uso de material igual ou superior ao pavimento original;
  • nivelamento perfeito da pista;
  • proibição de “remendos” do tipo tapa-buraco;
  • recomposição completa da vala aberta;
  • prazo máximo de 10 dias úteis para o reparo definitivo;
  • aplicação de multa diária de 100 URMs em caso de descumprimento.

O texto também previa que a Prefeitura poderia executar o serviço e cobrar os custos da empresa responsável, acrescidos de taxa administrativa de 20%.

Na justificativa, Cléo argumentou que os reparos mal executados geram prejuízos aos motoristas, aumentam os riscos de acidentes e aceleram a deterioração do asfalto da cidade. “O projeto confere ao Poder Executivo ferramentas necessárias para fiscalizar e exigir um serviço de qualidade”, sustentou o vereador no documento apresentado à Câmara.

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