Zaffa projeta R$ 280 milhões de investimentos até 2024
Prefeito inicia em agosto a execução das 217 ações previstas no Mapa Estratégico da nova fase da cidade
Gravataí – Uma nova fase vai iniciar em Gravataí na próxima semana com investimentos projetados em R$ 280 milhões para serem feitos especialmente em infraestrutura até o final de 2024. O prefeito Luiz Zaffalon reuniu a imprensa na manhã desta sexta-feira (30) para abordar os principais pontos do Mapa Estratégico da gestão que tem três eixos, 21 programas e 217 ações. Ao lado dos secretários de Desenvolvimento Urbano, Cláudio Santos, secretária da Educação, Sonia Oliveira, e do secretário de Saúde, Régis Fonseca, o prefeito enfatizou que Gravataí vai iniciar em uma nova fase.
E o trabalho não começou agora. Foi em 2011 com Marco Alba usando o primeiro mandato para cortar despesas e aumentar as receitas. Na segunda gestão, somente nos dois últimos anos, ele investiu R$ 80 milhões. Quase quatro vezes mais é o que Zaffa pretende entregar em serviços e obras para a população para melhorar ainda mais a qualidade de vida.
Há poucos dias, Gravataí apareceu em um balanço feito pela Consultoria E Auditoria Tributária Assertif, de São Paulo, em quarto lugar no Rio Grande do Sul em retorno à população no comparativo com o imposto arrecadado. Ficou atrás somente de Caxias do Sul, Porto Alegre e Santa Maria e a frente, por exemplo, de municípios como Canoas, que tem um PIB bem maior.
É nesta linha que Zaffa quer manter a administração. “Começar a entregar para a sociedade o que ela paga e impostos”, afirma. Com o Plano Plurianual (PPA) aprovado pela Câmara de Vereadores para os próximos quatro anos, projetando receita de R$ 4,2 bilhões, a maior preocupação era a Reforma da Previdência. Sem ela, a Prefeitura não teria como fazer investimentos e faltaria recursos até para o básico.
“Ela nos permitirá que de fato possamos iniciar agora em agosto a fazer o PPA funcionar. Se não tivéssemos aprovado a Reforma, já em setembro sentiríamos os efeitos no caixa”, afirma. Dos R$ 280 milhões, cerca de 80% virão de financiamentos permitidos pela boa capacidade de endividamento da Prefeitura em função do trabalho realizado por Marco Alba. Mas só ter o dinheiro não basta. Zaffa ressalta que vai ser uma corrida para superar entraves burocráticos para colocar em prática muitos projetos.
Ele citou como exemplo a duplicação do trecho da RS-030 a partir da antiga Pirelli. A rodovia está nos planos de concessão do governo do Estado, mas Gravataí quer municipalizar uma parte. A lei para a municipalização já foi aprovada pela Câmara, mas agora a proposta tem que ser protocolada no Daer, depois tem que ser feito todo um levantamento, passar pela Casa Civil do Governo do Estado e chegar na Assembleia Legislativa para aprovação. E depois vêm os projetos, o edital e a licitação. “São de 15 a 20 passos para podermos assinar a ordem de início da obra”, explica.
Executar e acompanhar o andamento das 217 ações previstas no Mapa Estratégico poderia ser ainda mais complicada não fosse a contratação de um software para a gestão permitindo ao prefeito saber diariamente o andamento de cada uma delas. Uma equipe foi estruturada para cuidar somente da gestão da informação de cada passo dado. Com tantas ações previstas, muitas delas relacionadas a obras, duas empresas foram contratadas somente para fazer projetos, já que a prefeitura não tem condições. “Estamos fazendo um conjunto de movimentos para transformar Gravataí em uma cidade que cada vez mais entrega qualidade de vida para o cidadão”, enfatizou. Trabalhar com ferramentas de gestão não é uma novidade para Zaffa, que já as utilizou quando passou pela Corsan e Telefónica, da Espanha, que comprou a CRT.
Os desafios até 2024 não são poucos, conforme o prefeito. No encontro durante a manhã, ele abordou diversos temas com jornalistas. O caso da Sogil, por exemplo, foi um. Os polêmicos R$ 5 milhões de ajuda para a empresa, repassados após acordo judicial, não encerrou o problema do transporte coletivo. O acordo vale até o final deste ano e depois a prefeitura terá que ter um plano pronto para cobrir o rombo mensal hoje estimado entre R$ 400 e 500 mil. Muitas ideias já surgiram, conforme o prefeito. Entre eles, o acréscimo de uma taxa no IPTU ou algo envolvendo o estacionamento pago para cobrar o déficit, necessário para dar ao contrato o reequilíbrio no contrato.
Centro Administrativo
A prefeitura tem hoje diversos prédios alugados espalhados pela cidade. A ideia é reunir todos em um Centro Administrativo no Distrito Industrial. Os gastos mensais hoje com alugueis chegam a quase R$ 400 mil e há secretarias que estão em estruturas precárias sem condições de abrigar os servidores e até de atender os contribuintes.
Plano Diretor
Um novo Plano Diretor já está sendo discutido. O atual é do final da década de 90 e já não contempla mais a realidade da cidade. O secretário de Desenvolvimento Urbano, Cláudio Santos, comenta que o debate com a sociedade será longo. Serão realizadas seis audiências públicas, reuniões em determinadas regiões, haverá um centro para recebimento de sugestões no shopping e ainda um canal pelo site da prefeitura. A ideia é ter o novo Plano Diretor aprovado até o final do próximo ano.

Depois da mudança, muitas outras precisarão ocorrer, como atualização dos códigos de Posturas e Tributário, entre outros. Uma nova Planta de Valores também terá que ser elaborada. “Vamos fazer, mas não de olho no caixa. Não quero aumento de impostos”, frisa Zaffa. O conjunto de ajustes na legislação tem por objetivo a atualização de forma que permita também a regularização de muitas áreas.
Municipalização da água
A privatização da Corsan é outra preocupação de Zaffa. Uma empresa foi contratada para fazer um estudo sobre o atual contrato de concessão e o que pode acontecer com a privatização. Não está descartada a possibilidade de surgir um movimento para a criação de um consórcio com Cachoeirinha, já que as duas redes estão interligadas, para a criação de uma autarquia independente.
Tecnologia
A instalação do polo tecnológico da Unisinos em Gravataí é apontada por Zaffa como uma forma de incentivar startups e permitir o aumento de arrecadação do município. Em São Leopoldo, citou o prefeito, hoje cerca de 40% da receita da prefeitura vem de empresas que passaram pela incubadora. Na cidade já existem várias, mas andando sozinhas. Uma delas chegou a fazer um convênio com a matriz da Toyota no Japão para desmanchar carros e carcaças são direcionadas para outra startup para a montagem de carros elétricos.
Novo distrito industrial
Gravataí vai ter um novo distrito e já tem 16 empresas selecionadas para ocupar a área. Vão sair do aluguel e se tornarem mais competitivas. A área fica ao lado do complexo da GM. O foco são pequenas empresas e algumas já tinham planos de deixar a cidade e irem para Alvorada tendo em vista os benefícios oferecidos.
Educação
A secretária da Educação, Sonia Oliveira, revela que o foco segue sendo reduzir o déficit de vagas para o atendimento de crianças de 0 a 3 anos. Ele chegou a 4 mil vagas e hoje está em 1,6 mil. Para isso, são necessárias 10 escolas. Cinco obras paradas de um projeto do Governo Federal que não deu certo serão retomadas e mais duas serão construídas.
Saúde
Na saúde os investimentos são diversos. O secretário Regis Fonseca revela que além da parceria com o hospital Dom João Becker, a rede de atenção básica receberá uma atenção especial. Das 29 unidades de saúde, 10 serão demolidas para a construção de prédios mais modernos e outra passará por uma ampla reforma.
O secretário ainda revela que está programado para o dia 27 de agosto o encerramento das atividades do Hospital de Campanha que custa cerca de R$ 1,3 milhão por mês. Os dados da Covid-19, segundo ele, já permitem não dispor mais da estrutura. Uma UPA terá estrutura com oxigênio para atender pacientes e os casos mais graves serão atendidos pelo Hospital Dom João Becker em parceria que está sendo fechada com a Santa Casa.



