POLÍTICA

Reunião com a Corsan não deu resultado e vereadores retomam críticas

Presidente da Câmara, Jussara Caçapava, voltou a criticar a empresa pela qualidade da água, canos de amianto e a ação de regularização dos poços artesianos

Cachoeirinha – A reunião promovida na última sexta-feira (18) pelo prefeito Cristian Wasem entre vereadores e Corsan não deu resultados para efeitos de entendimento do que a empresa vem fazendo. Na Sessão da Câmara desta terça-feira (22), a presidente Jussara Caçapava, voltou a criticar a empresa. Ela não estava na reunião de sexta por motivos de saúde. Outro que criticou a Corsan foi Gilson Stuart, que também não foi na reunião “porque tinha outra agenda”.

Stuart segue com dificuldades para entender alguns assuntos ligados à Corsan. Na Sessão desta terça, por exemplo, ele criticou a abertura de uma vala na Duarte da Costa, que recentemente foi asfaltada. A prefeitura tem exigido que a Corsan instale as redes de esgoto antes de ela asfaltar ou refazer a pavimentação. No caso de reparos, contudo, não há como a Corsan saber o que vai dar problema. “São reparos emergenciais”, explica o secretário de Infraestrutura e Serviços Urbanos, Emerson Santos. O caso na Duarte da Costa foi um reparo da tubulação de esgoto de um morador, que estava entupida. O asfalto foi refeito nesta terça e a secretaria verificou se o reparo foi executado com qualidade.

Já Jussara Caçapava, que é a coordenadora da Frente Parlamentar contra as Taxas Abusivas da Corsan, vai realizar na próxima semana o quarto encontro. O deputado estadual, Dimas da Costa, com quem formará uma dobradinha na eleição do ano que vem, estará presente. E a presidente pediu para os demais vereadores convidarem seus deputados. Ela também vai enviar convite para a Corsan.

“O trabalho da Corsan tá péssimo … eu acho que tem que colocar uma fiscalização rigorosa em cima deles, multa, enfim tudo que possa parar eles … eles, quando vem aqui, é só para mentir na Tribuna … vocês lembram o ano passado, quando veio o Luciano Brandão [ex-gerente institucional] aqui mentir para nós na Tribuna? Que a água tava boa, que a Corsan é maravilhosa, que a água tem tratamento. Eu não sei que tratamento tem essa água, mas eles não tomam essa água, né? Que bonito”, disse.

A presidente abordou a polêmica dos poços artesianos: “A gente não pode aceitar o fechamento dos poços artesianos.” A vereadora se reuniu com o diretor de relações institucional da Corsan, César Luis de Araújo Faccioli, na semana retrasada.  

“Olha, não levei fé, não levei muita fé, achei que 80% só ilusão, mentiras. Pode se ele tiver me ouvindo nesse momento, estou aqui para dizer que que ouvi mentiras porque ele falou muito na saúde e no saneamento para mim. E eu digo: “Ah, que importante, né, o senhor tocar nesse assunto da saúde. Agora gostei. A saúde, que a água do poço faz mal … só agora que tá fazendo mal, só nesse momento?”, questionou.

Jussara revelou que na semana passada atendeu um senhor que recebeu a notificação para fazer a regularização. “… 46 anos de poço artesiano … agora veio a notificação para ele, chegou lá apavorado tremendo, parecia que ia morrer … pelo amor de Deus, isso aí é um absurdo, isso não existe”, criticou.

Regularização de poços artesianos

A regularização dos poços é uma determinação no Termo de Cooperação Técnica assinado entre a Corsan, Departamento de Recursos Hídricos do Estado e Ministério Público. A água de poços não pode ser utilizada para consumo humano ou ter alguma ligação com a rede da Corsan dentro da residência pelo risco de contaminação de consumidores de outras moradias. Além disso, onde passa rede de água tratada, não é permitido ter poço artesiano para consumo humano. A água só pode ser utilizada para algumas atividades, como regar plantas e lavar calçadas, entre outras.

Vereadores pretende procurar o Departamento de Recursos Hídricos do Estado. Na reunião de sexta-feira, Flávio Cabral deu a sugestão que foi reforçada na Sessão desta terça-feira com apoio do vereador Mano do Parque e do Líder de Governo, Otoniel Gomes.

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Em sua manifestação antes do intervalo da Sessão, a presidente ainda abordou o tema dos canos de amianto na rede de distribuição. “Semana que vem vou trazer uns três, quatro canos de novo para a nossa Frente Parlamentar … isso aí pode. A Corsan pode fazer isso aí [usar os canos]. Daí não é proibido. A lei proíbe, a lei não proíbe nós tomar essa água podre. Gente, eu peço aos senhores vereadores e vereadoras para a gente vir assim, ó, com tudo a semana que vem”, destacou.

Os canos de amianto, assim como outros materiais que eram produzidos com esse material, estão proibidos no Brasil desde 2023. O Ministério Público já chegou a ajuizar duas ações contra a Corsan para substituir os canos em Santa Maria e Júlio de Castilhos. Nos dois casos, houve negativa da Justiça. Não há comprovação de que a água que passe por eles fique contaminada. O problema dos canos é outro: as fibras. Quem as aspira na fabricação, consertos e manuseio, corre o risco de desenvolver câncer.

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