POLÍTICA

Projeto cria mais um complicador para proprietários do Mato do Júlio

Vereador quer que gato-do-mato-pequeno seja declarado como Patrimônio Natural de Cachoeirinha

Cachoeirinha – Foi apresentado na Câmara de Vereadores de Cachoeirinha um projeto que cria mais um complicador para as pretensões dos proprietários do Mato do Júlio. O vereador Leonardo da Costa (PT) quer que o gato-do-mato-pequeno (Leopardus guttulus) seja declarado como Patrimônio Natural do município. A proposta também institui o Dia Municipal do Gato-do-mato, a ser celebrado anualmente em 12 de janeiro.

Invadido em setembro de 2021 por índios Mbyá Guarani, a utilização da área segue indefinida e há até uma ação do Ministério Público contra a Prefeitura exigindo a revisão do Plano Diretor. Nele está previsto um estudo para a definição da utilização dos cerca de 240 hectares.

Segundo o texto do projeto do vereador, a espécie possui ocorrência registrada no Mato do Júlio e regiões próximas, consideradas habitat natural do felino silvestre. A data escolhida para a celebração faz referência ao primeiro registro fotográfico do animal em território municipal, realizado em 2023, justamente no Mato do Júlio. Com o projeto sendo aprovado, a área poderá ser declarada como intocável para a preservação do felino.

O projeto, que não apresenta nenhum estudo sobre a presença do gato-do-mato-pequeno no Mato do Júlio, se baseando em apenas uma imagem, estabelece que o poder público municipal deverá promover ações de proteção ao gato-do-mato e ao seu habitat, além de incentivar campanhas de conscientização ambiental, estudos científicos e monitoramento da área onde a espécie ocorre. Entre as medidas previstas estão a divulgação do status de Patrimônio Natural em materiais turísticos e a articulação com entidades científicas e conservacionistas.


Na justificativa apresentada à Câmara de Vereadores, o autor destaca a importância ecológica do gato-do-mato-pequeno, considerado o menor felino silvestre nativo do Brasil. O animal possui hábitos noturnos e solitários e desempenha papel fundamental no equilíbrio ambiental ao controlar populações de pequenos vertebrados.

O texto também alerta para a situação de vulnerabilidade da espécie. Conforme dados citados no projeto, a população do Leopardus guttulus no Brasil pode variar entre 4,7 mil e 7,4 mil indivíduos, com número reduzido de animais adultos e reprodutivos. Estudos apontam ainda uma queda populacional de aproximadamente 26% em uma década, causada principalmente pela perda de habitat, fragmentação florestal, atropelamentos e transmissão de doenças por animais domésticos.

No Rio Grande do Sul, os impactos ambientais são agravados pela expansão urbana e agrícola, além da presença de rodovias que atravessam áreas naturais. De acordo com a justificativa, a baixa taxa reprodutiva da espécie torna ainda mais difícil a recuperação das populações locais.

O projeto menciona ainda que o gato-do-mato-pequeno está classificado como “Em Perigo” no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, conforme critérios adotados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

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