CACHOEIRINHA

Professora da escola Portugal é demitida após processos administrativos por denúncias

Portarias assinadas pela prefeita Jussara Caçapava e publicadas nesta quarta-feira (14) também determinam suspensão de 20 dias. Caso provocou protestos de mães e afastamento da direção em 2025

Cachoeirinha – A Prefeitura de Cachoeirinha determinou a demissão de uma professora concursada que integrava a direção da Escola Municipal de Educação Básica Portugal, após a conclusão de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). A decisão consta na Portaria nº 3632, assinada pela prefeita Jussara Caçapava em 9 de outubro e publicada nesta quarta-feira (14) no Diário Oficial do Município. A servidora foi alvo de denúncias que provocaram protestos de pais, mobilização de vereadores e o afastamento da equipe diretiva da escola em outubro do ano passado.

A demissão foi determinada com efeitos a partir de 26 de junho de 2026, conforme a portaria, que também declara vago o cargo ocupado pela professora. A decisão acolhe o relatório da Comissão Processante responsável pelo PAD nº 35/2025 e a Orientação Jurídica nº 01/GP/DRJUR/2026.

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Na mesma edição do Diário Oficial, a Prefeitura publicou a Portaria nº 3631, também assinada em 9 de outubro, que determina a aplicação de uma suspensão de 20 dias à mesma servidora. A penalidade decorre de outro processo administrativo, o PAD nº 05/2025, e segue o entendimento da Comissão Processante e da Orientação Jurídica nº 22/GP/DIRJUR/2026.

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No caso da suspensão, foi aberto prazo de 30 dias para apresentação de recurso, sem efeito suspensivo, conforme o artigo 149 da Lei Complementar nº 03/2006. As duas portarias não detalham as infrações apuradas em cada processo nem esclarecem os efeitos práticos da suspensão diante da demissão, que tem data retroativa.

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Protestos de mães levaram ao afastamento da direção

O caso ganhou repercussão em 29 de setembro de 2025, quando mães de alunos realizaram um protesto contra a direção da escola Portugal. As famílias relataram situações envolvendo o atendimento a crianças, além de denúncias de condutas que também estariam afetando professores e funcionários do estabelecimento.

Entre os episódios denunciados estava o de um menino de 11 anos que teria quebrado o braço durante o recreio e permanecido na escola até o final do turno sem que os responsáveis fossem comunicados. Segundo o relato da família, a criança pediu ajuda, mas a situação não teria recebido a atenção necessária. A fratura foi constatada posteriormente, após atendimento médico.

Outra denúncia envolvia uma aluna de 11 anos que, em 23 de setembro, sofreu uma indisposição intestinal e permaneceu na escola, com a roupa suja, até o encerramento das aulas. Conforme a mãe, a menina pediu que a direção entrasse em contato com ela, mas a solicitação não teria sido atendida. A comunicação foi encaminhada ao pai, que trabalhava durante a noite.

Também surgiram relatos de assédio moral contra servidoras. O Sindicato dos Servidores Municipais de Cachoeirinha (SIMCA) recebeu denúncias de situações em que profissionais teriam sido pressionadas a assinar atas com conteúdos dos quais discordavam.

Na época, o vereador Gustavo Almansa (PT), relator da Comissão de Educação, Cultura, Desporto e Lazer da Câmara, informou a existência de 18 boletins de ocorrência contra uma integrante da direção e sete processos administrativos. Segundo o parlamentar, sete professores e funcionários haviam solicitado afastamento por questões psicológicas por não suportarem a colega que tinha cargo diretivo.

Diante das denúncias, a Comissão de Educação da Câmara passou a acompanhar o caso e defendeu a apuração das acusações, com a participação da Secretaria Municipal de Educação (SMED), do Conselho Municipal de Educação e dos familiares dos estudantes.

Direção foi afastada em outubro de 2025

A mobilização resultou no afastamento preventivo da equipe diretiva da escola em 2 de outubro de 2025. A medida foi adotada após uma reunião realizada no dia anterior entre representantes da SMED, vereadores, pais de alunos, SIMCA e Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONDICA).

Na ocasião, a então secretária municipal de Educação, Isabel Fonseca, explicou que o afastamento permitiria à Corregedoria Municipal investigar as denúncias. Os profissionais foram retirados temporariamente de suas funções enquanto os procedimentos administrativos estavam em andamento.

A Prefeitura informou, na época, que já havia encaminhado pedidos de abertura de sindicâncias e processos administrativos relacionados à escola antes mesmo dos protestos. Também esclareceu que a direção havia sido eleita pela comunidade escolar, o que exigia a observância dos procedimentos legais para eventual afastamento definitivo.

Em 7 de outubro de 2025, a mãe de alunos Cintia Galarza utilizou a Tribuna da Câmara para agradecer o apoio recebido durante a mobilização. Entre os vereadores citados por ela estavam Gustavo Almansa e Jussara Caçapava, que na época exercia mandato parlamentar e atualmente ocupa o cargo de prefeita.

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