Prefeitura instala Cruz Missioneira na ERS -118 - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
O prefeito acompanhou a instalação da Cruz Missioneira - Foto: PMG/Divulgação

Prefeitura instala Cruz Missioneira na ERS -118

Também estão sendo lançados um documentário e uma revista ilustrada contando a saga dos indígenas saídos da região das Missões para povoar a Aldeia da Nossa Senhora dos Anjos

Gravataí – Na semana em que Gravataí comemora 256 anos (1763 – 2019) dos primeiros registros históricos de povoamento, a Prefeitura instala uma Cruz Missioneira – também conhecida como Cruz de Caravaca ou Cruz de Lorena – às 10h30 desta sexta-feira (12), na rótula de acesso à ERS-118, na Avenida Centenário, resgatando e valorizando a presença dos índios guaranis vindos dos Sete Povos das Missões na formação do município. A Prefeitura também está lançando uma revista ilustrada e um documentário contando a saga do povo guarani em seu deslocamento das Missões e instalação na Nossa Senhora da Aldeia dos Anjos.

“Com esse gesto, estamos resgatando e reafirmando um aspecto fundamental da origem da nossa cidade, que é a presença do índio guarani, o índio missioneiro, na formação do povoado da Aldeia da Nossa Senhora dos Anjos, em 1763, que em 1880, com a emancipação política e administrativa, passaria a ser o município de Gravataí”, afirma o prefeito Marco Alba. “Nosso Estado traz a marca do trabalho e da fé do povo missioneiro, e Gravataí tem esse legado, que é o mesmo que estabeleceu a matriz social do povo rio-grandense, e partir de hoje, mais do que nunca, estamos irmanados com os Sete Povos das Missões”, ressalta Marco Alba.

A Cruz Missioneira de Gravataí é obra do artista Hermes Fonseca Vega Costa, o Ferreiro Veja. Feita em ferro, tem cerca de quatro metros de altura. É a cruz de dois braços, trazida para o Rio Grande do Sul pelos padres jesuítas em 1626 durante a colonização do Brasil. O que diferenciava a Cruz de Jesus Cristo das outras é o segundo braço pequeno que representava a placa onde havia sido escrito INRI (que em Latim quer dizer Jesus Nazareno Rei dos Judeus). “Após ter minhas obras na novela ‘Deus Salve o Rei’, da Rede Globo, veio o desafio de criar a ferro e fogo a Cruz Missioneira, para se eternizar como um monumento à vinda de índios missioneiros para esta comarca. Foram dias de trabalho intenso com batidas de martelo e junto uma emoção muito gratificante por ficar presente na história da Arte”, comenta Vega.

REVISTA E DOCUMENTÁRIO – “Gravataí Missioneira – Origens” é o título dado para a revista ilustrada e videodocumentário produzidos pela Prefeitura de Gravataí, que será lançado também no dia 12 de abril. Além do Ferreiro Vega e do Prefeito Marco Alba, profissionais renomados em suas áreas participaram da construção do material. Fábio Kuhn, é professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). Possui graduação (1992) e mestrado (1996) em História pela Ufrgs com experiência na área de História Social, com ênfase em História do Brasil colonial, atuando principalmente nos seguintes temas: história do Rio Grande do Sul setecentista, Colônia do Sacramento, fronteira, estratégias familiares, elites locais, administração colonial, contrabando de escravos e redes mercantis.

Como historiador, ele saudou a relevância da iniciativa, especialmente pelo destaque conferido ao grande aldeamento indígena na história inicial do Rio Grande do Sul. “O resgate do passado indígena de Gravataí é um dos grandes méritos do projeto. A reconstituição da história da Aldeia dos Anjos permite constatar a importância dos guaranis missioneiros na formação original da cidade.”

Autor de romances publicados em 10 idiomas, com incursões também no universo dos quadrinhos, além de roteirista de cinema, Tabajara Ruas é o roteirista do documentário “Gravataí Missioneira – Origens”. “Fiquei muito honrado com o convite, pois tratar da memória é sempre saudável para indivíduos e instituições. A comunidade de Gravataí está de parabéns, pois ganhou instrumentos úteis e eficazes para fortalecer orgulho e autoestima. Particularmente, fiquei feliz de voltar a trabalhar com Beto Souza, meu parceiro no épico ‘Netto Perde sua Alma’. E conhecer um artista talentoso, Jader Corrêa, autor das belas ilustrações do documentário e da revista”, disse.

Beto Souza é jornalista e cineasta, estreou na direção de longa-metragem com o filme “Netto Perde sua Alma (2001)”, drama histórico ambientado nos pampas gaúchos no século XIX, realizado em codireção com seu conterrâneo Tabajara Ruas. Convidado para dirigir o documentário “Gravataí Missioneira – Origens”, Beto Souza explica: “A experiência missioneira dos Guaranis com os Jesuítas espanhóis e depois a sua miscigenação com portugueses, que vieram fixar a fronteira sul, dá ao Rio Grande uma formação social única no Brasil. Ao perceber esta história, o município dá um legítimo passo ao apoderar-se desta cruz, eternizando-a como um monumento simbólico. Como diretor do documentário, fico feliz e agradecido por poder contar e deixar às futuras gerações essa grande narrativa, desde a diáspora guaranítica no século XVIII, até a moderna e industrial Gravataí de hoje”, revela.    

Jader Corrêa é formado em Artes e trabalha há cerca de 27 anos com produções de charges, quadrinhos e ilustrações. Atualmente, é integrante do Dínamo Estúdio de Porto Alegre, onde desenha Sketch Cards, em diversas franquias como Marvel, DC Comics, Walking Dead e Game of Thrones. Jader é o responsável pelas ilustrações da revista e documentário “Gravataí Missioneira – Origens. “Foi muito legal participar deste projeto, que permitiu me aprofundar na história do município e deste evento histórico marcante do Rio Grande do Sul que foi a diáspora das Missões”, explicou. (Imprensa/PMG)

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