Polícia ainda investiga compras suspeitas durante a enchente; Cristian explica o que fez
Polícia tem três inquéritos abertos para investigar a suspeita de que ocorreu sobrepreço em compras durante a enchente

Cachoeirinha – Compras realizadas pela Prefeitura de Cachoeirinha durante o período da enchente de 2024, na gestão do prefeito cassado, Cristian Wasem, e do vice, também cassado, delegado João Paulo, ainda estão sendo investigados pela Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública. No final do mês passado, a atual gestão da Prefeitura recebeu um ofício solicitando algumas informações sobre determinadas compras sobre as quais recaem suspeitas de sobrepreço, ou seja, preços acima dos praticados no mercado. Ele foi respondido esse mês.
Segundo o delegado Guilherme Calderipe Costa, três inquéritos estão abertos e as conclusões deverão ocorrer “em breve”. Ele explicou à reportagem que não pode dar detalhes sobre o andamento dos trabalhos para não atrapalhar as investigações.
A gestão interina de Jussara Caçapava, em um levantamento preliminar, apurou que a Prefeitura gastou pelo menos R$ 10 milhões durante o período da enchente na compra de diversos tipos de produtos a serem utilizados no socorro de vítimas da enchente. O que a Polícia investiga é se ocorreu de fato um sobrepreço e se produtos comprados pela Prefeitura foram realmente entregues.
Estão nas compras, por exemplo, capas de chuva compradas por R$ 199,00. O preço, em condições fora de uma calamidade pública, ficaria ao redor de R$ 40,00. Há lanternas que teriam custado R$ 359,00. Seria possível comprar uma similar por R$ 120,00. Um produto que tem uma diferença grande é a calça pantaneira. A Prefeitura teria paga R$ 799,00 por peça enquanto produtos parecidos custariam R$ 200,00.
Nas investigações também estão compras que culminaram com a demissão do chefe de Gestão Administrativa do prefeito. O cargo em comissão chegou a ter a casa no Parque da Matriz incendiada, o que poderia ter relação com o caso. Notas apontam que a Prefeitura pagou em maio de 2024, por exemplo, R$ 23,30 por um quilo de açúcar, quase quatro vezes o preço praticado em hipermercados. As cestas básicas teriam custado, pelo menos, o dobro do que custariam se os produtos fossem comprados em hipermercados.
O que diz Cristian
Cristian Wasem disse à reportagem que abriu sindicâncias para investigar as suspeitas de irregulares. Todas foram concluídas e os relatórios, entregues por ele e pelo então vice-prefeito, delegado João Paulo, ao Ministério Público. “Abrimos as sindicâncias naquela oportunidade, fizemos tudo que tinha que fazer para poder se resguardar e colaborar com as investigações. É claro que naquele momento, naquela época, nós não fizemos nenhuma divulgação disso tudo que nós fizemos para manter em segredo, já que era uma investigação”, explicou.
O ex-prefeito afirmou que não lembra dos resultados das sindicâncias. “Eu não lembro mesmo, era muita coisa, mas tem uns apontamentos para a Polícia neles. Talvez agora esse assunto tenha retornado porque ocorreu algum movimento nos inquéritos e a Polícia precisa esclarecer alguma coisa”, disse, reforçando que tudo o que foi apurado foi entregue ao Ministério Público.




