POLÍTICA

Pedido de vista em projeto para pessoas com deficiência desagrada

Vereador quer analisar ampliação e autora do projeto não gostou

Cachoeirinha – O pedido de vista ao projeto que cria um programa de proteção para pessoas com deficiência que residem em áreas de risco em Cachoeirinha desagradou a autora, vereadora Pricila Barra. O projeto estava na Ordem do Dia na Sessão desta terça-feira (29) e o vereador Paulinho da Farmácia pediu vista. O pedido, previsto no Regimento Interno para que uma matéria seja analisada por quem pede, faz com que a votação seja adiada por uma semana.

A presidente da Câmara, Jussara Caçapava, quando colocou o projeto em discussão olhou para Paulinho e ficou em silêncio por alguns segundos por não entender o que poderia motivar o pedido. Paulinho, depois da Sessão, explicou à reportagem que é favorável ao projeto, porém entende que ele limita o acesso de famílias com pessoas portadoras de deficiência.

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“Eu pergunto: será que as áreas que alagaram durante a enchente não são também áreas de risco? O projeto é muito bom e eu pedi vista para a gente analisar se não é possível contemplarmos também essas famílias”, argumenta o parlamentar.

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Na manhã desta quarta-feira (30), a vereadora disse à reportagem, lembrando que há um ano a cidade enfrentou a maior enchente da história, que o projeto “é muito importante” para Cachoeirinha e famílias atípicas. “Me surpreendeu o pedido de vista, sendo que cheguei bem cedo e expliquei o projeto para os colegas.  Além disso, o projeto ficou em carga com ele na Comissão de Direitos Humanos, e depois foi liberado pelo próprio vereador, que ontem [terça] pediu vista novamente. O projeto da oposição passou direto sendo mapeamento também e o meu não. A única explicação que vejo é por ser vereadora mulher”, afirmou.

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Nas redes sociais, depois da Sessão, Pricila fez uma publicação sobre violência política contra as mulheres: “De acordo com a Lei 14192/21, a violência política contra as mulheres é toda ação, conduta ou omissão cuja finalidade seja impedir, obstaculizar ou retingir os direitos políticos das mulheres. As mulheres foram caladas durante toda a história, é momento de mudar essa realidade.”

De acordo com o texto do projeto, o programa proposto inclui ações como o mapeamento das famílias com portadores de deficiência em áreas de risco, a elaboração de cadastros centralizados na Defesa Civil, a capacitação de profissionais para o resgate dessas pessoas em situações de desastres naturais, além de definir fluxos específicos para o atendimento de pessoas desalojadas ou desabrigadas com deficiência.

O projeto também prevê a priorização de domicílios dessas famílias em ações de auxílio durante desastres, a indicação de locais acessíveis para abrigos temporários, o mapeamento das vulnerabilidades sociais e de saúde dessas pessoas, e a articulação da rede de assistência social para oferecer atendimento qualificado em situações de emergência. Na próxima terça, o projeto será votado.

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