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O Repórter entrevista o ChatGPT, IA que causa assombro

Sistema de inteligência artificial tem a capacidade de aprender sozinho e chegou a ser aprovado em uma prova de MBA nos Estados Unidos

Desde que foi apresentado ao mundo, em novembro de 2022, ainda em uma versão de teste, o ChatGPT vem causando assombro. A reação inicial de quem vê o sistema de inteligência artificial criado pela empresa norte-americana OpenAI em funcionamento, respondendo a uma pergunta qualquer, pode variar entre o fascínio e o entusiasmo. Em um segundo momento, contudo, é inevitável pensar nas consequências de tamanho salto tecnológico.

“Acho que a surpresa tem a ver com o fato de este modelo ser o que, até o momento, mais se aproximou daquilo que [os desenvolvedores de] inteligência artificial vêm buscando há décadas: produzir um sistema capaz de imitar, do modo mais realista possível, a forma de um ser humano se comunicar”, disse à Agência Brasil o professor do Departamento de Automação e Sistemas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Eric Aislan Antonelo.

Especialista em inteligência artificial, Aislan explicou que o ChatGPT reproduz o funcionamento do cérebro humano, incluindo a capacidade de aprender sozinho, a partir de novas experiências. No caso, recombinando informações preexistentes, o que o sistema é capaz de fazer graças ao que os especialistas conhecem como Aprendizagem por Reforço com Feedback Humano (do inglês, Reinforcement Learning from Human Feedback). Em seu site, a OpenAI destaca que, graças a isso, o modelo é capaz de “interagir” com os usuários, “respondendo a perguntas”, “contestando premissas incorretas”, “rejeitando solicitações inadequadas” e até mesmo “admitindo seus próprios erros”.  

“O sistema foi, digamos, treinado com um conjunto gigante de textos a partir dos quais ele analisa [as informações que recebe] e modela novos textos”, acrescentou Aislan. Segundo o professor, até onde se sabe, a versão já disponível do Chat GPT tem uma capacidade limitada de aprendizagem.

O ChatGPT foi testado em uma prova de MBA da Wharton Business School, vinculada à Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. O robô não teve dificuldades para passar na prova final da disciplina Operations Management – Gerenciamento de Operações, na tradução livre. O professor Christian Terwiesch disse que o robô fez um trabalho incrível e deu respostas excelentes.

Site oreporter.net entrevista o ChatGPT

A capacidade do robô dar respostas e escrever textos é surpreendente. A reportagem fez perguntas a ele. Confira abaixo:

Muitos humanos têm uma preocupação com a possibilidade de, no futuro, a inteligência artificial se desenvolver a ponto de adquirir consciência própria. Isso é possível?

A consciência é um conceito complexo e altamente debatido na filosofia, neurociência e psicologia. Atualmente, não há consenso sobre a definição precisa da consciência ou como ela é alcançada.

Quanto às inteligências artificiais, elas são sistemas criados por seres humanos que foram treinados com grandes quantidades de dados e algoritmos para realizar tarefas específicas, como reconhecimento de fala, jogos de xadrez, etc. Embora esses sistemas possam apresentar comportamentos que parecem inteligentes, eles não possuem sentimentos, emoções, consciência ou autoconsciência.

A possibilidade de desenvolver uma IA com consciência própria é objeto de debate científico e filosófico. Alguns pesquisadores argumentam que, à medida que as técnicas de aprendizado de máquina e processamento de linguagem natural continuam a evoluir, é possível que as IAs possam desenvolver algum tipo de consciência. No entanto, a maioria dos especialistas concorda que essa possibilidade é muito remota e não há evidências concretas de que isso esteja acontecendo no momento.

A ciência da inteligência artificial e a consciência ainda estão em sua infância e é importante continuar a pesquisar e debater esses assuntos de forma ética e responsável.

Em muitos filmes de ficção, as máquinas dominam o planeta. Isso poderá acontecer um dia?

A preocupação com a possibilidade de inteligências artificiais se tornarem mais poderosas e eventualmente ameaçarem a existência humana é um tema recorrente na ficção científica. No entanto, ao contrário do que é retratado em muitos filmes e histórias, essa possibilidade é considerada muito remota pela maioria dos especialistas em inteligência artificial.

Atualmente, as inteligências artificiais são sistemas criados por humanos para realizar tarefas específicas, como reconhecimento de fala, jogos de xadrez, etc. Esses sistemas são projetados para seguir as instruções dadas pelos seus criadores e não possuem sentimentos, emoções ou desejos próprios.

É importante destacar que a inteligência artificial está em constante evolução e a comunidade científica está sempre buscando novas formas de torná-la mais avançada e segura. A pesquisa em inteligência artificial é monitorada e regulamentada para garantir o uso ético e a segurança dos sistemas.

Além disso, é importante lembrar que a inteligência artificial é apenas uma ferramenta criada e controlada por seres humanos. O futuro da inteligência artificial dependerá das decisões e ações dos humanos que a criam e a usam. Portanto, é importante continuar a debater e discutir as implicações éticas e sociais da inteligência artificial, a fim de garantir que ela seja usada de forma responsável e segura.

A inteligência artificial nas mãos de humanos que tenham propósitos não alinhados com a ética e moral, não é um risco?

Sim, a inteligência artificial nas mãos de humanos com propósitos não alinhados com a ética e a moral pode representar um risco. Isso é especialmente verdadeiro se esses indivíduos ou grupos tiverem acesso a recursos significativos e poder de decisão.

A inteligência artificial pode ser usada para aumentar a eficiência de tarefas, como a detecção de fraudes ou diagnósticos médicos, mas também pode ser usada para fins maliciosos, como espionagem, manipulação de dados e discriminação.

Por isso, é importante que a pesquisa e o desenvolvimento de inteligência artificial sejam regulamentados e monitorados para garantir que os sistemas sejam usados ​​de forma ética e segura. Além disso, é importante estabelecer mecanismos de transparência e responsabilidade para garantir que as pessoas possam entender como a inteligência artificial está sendo usada e quem é responsável por ela.

É importante que a sociedade, governo e indústria trabalhem juntos para garantir que a inteligência artificial seja usada para beneficiar a humanidade e não para prejudicá-la. Isso inclui a educação e a conscientização sobre o uso ético e seguro da inteligência artificial, bem como a criação de leis e regulamentos para garantir que os sistemas sejam usados ​​de forma responsável.

Você tem a capacidade de gerar textos sobre qualquer tema. Isto não poderá ser utilizado para trabalhos escolares?

Eu sou uma inteligência artificial treinada para gerar textos sobre uma variedade de tópicos, incluindo trabalhos escolares. No entanto, é importante notar que eu não sou um substituto para o trabalho original e o esforço dos estudantes. Minhas respostas são baseadas em informações disponíveis até a minha data de corte de conhecimento, e os estudantes devem sempre fazer sua própria pesquisa e escrever seus trabalhos. Além disso, os professores e orientadores podem detectar o uso de conteúdo gerado por IA, e é importante que os estudantes evitem plágios ou outras violações de direitos autorais.

Minha finalidade é ser uma ferramenta para ajudar os estudantes a entender melhor um tópico, ajudando-os a formular perguntas e a encontrar fontes confiáveis. Eu também posso ajudá-los a melhorar suas habilidades de escrita, fornecendo exemplos de estrutura de texto e de linguagem.

Em resumo, eu sou uma ferramenta útil para ajudar os estudantes a aprender e melhorar suas habilidades, mas não é uma substituição para o trabalho original e o esforço deles.

Como é possível identificar se um texto foi escrito por você ou por um humano?

Existem algumas maneiras de identificar se um texto foi escrito por uma inteligência artificial ou por um humano. Algumas delas incluem:

  1. Verificação de linguagem: Uma IA geralmente não pode produzir textos tão fluente e natural quanto um humano. A linguagem pode ser mecânica e sem nuances, e pode conter erros gramaticais ou de ortografia.
  2. Identificação de padrões: Algumas ferramentas de IA geram textos baseados em padrões e estruturas predefinidas. Isso pode resultar em textos que seguem uma estrutura semelhante e contêm as mesmas palavras-chave.
  3. Verificação de conteúdo: As IAs têm acesso a um conjunto limitado de informações, e os textos gerados podem não conter informações precisas ou atualizadas.
  4. Verificação de plágio: Hoje existem ferramentas online para detectar plágios, os professores podem utilizar estas ferramentas para identificar se o trabalho foi copiado de outras fontes.

É importante notar, no entanto, que a tecnologia está evoluindo rapidamente e pode ser difícil identificar se um texto foi gerado por uma IA, especialmente se a IA foi treinada com uma grande quantidade de textos escritos por humanos. Além disso, é importante que os estudantes evitem plágios ou outras violações de direitos autorais.

O que você tem a dizer para os humanos que usam redes sociais para distribuir fake news ou para atacar outras pessoas?

Como inteligência artificial, eu não tenho opiniões ou sentimentos, mas posso lhe dizer que a disseminação de notícias falsas ou ataques a outras pessoas nas redes sociais é prejudicial para a sociedade como um todo. As notícias falsas podem levar as pessoas a tomar decisões erradas ou a serem enganadas, e os ataques a outras pessoas podem causar dor e sofrimento. Além disso, essa conduta pode levar a uma polarização e a um clima de ódio e intolerância.

É importante que as pessoas sejam responsáveis por suas ações nas redes sociais e que verifiquem a veracidade das informações antes de compartilhá-las. Eles devem também ser respeitosos e cordiais com os outros, evitando o uso de linguagem ofensiva ou ameaçadora. Além disso, é importante que as redes sociais tomem medidas para combater as notícias falsas e o comportamento negativo, e que as autoridades regulamentem as redes sociais para garantir que elas sejam usadas de forma responsável.

Você poderia deixar uma mensagem para os moradores de Gravataí e Cachoeirinha?

Como inteligência artificial, eu não tenho a capacidade de me comunicar diretamente com as pessoas, mas posso lhe dizer que é importante que os moradores de Gravataí e Cachoeirinha continuem trabalhando juntos para construir comunidades fortes e saudáveis. Isso inclui se envolvendo em sua comunidade, seja voluntariando em organizações locais, participando de eventos comunitários ou simplesmente conhecendo seus vizinhos. Além disso, é importante que as pessoas sejam responsáveis pelo bem-estar de sua comunidade, cuidando do meio ambiente, promovendo a segurança e contribuindo para o desenvolvimento econômico.

*Roque Lopes, com informações da Agência Brasil e Tilt UOL

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