Morte de Marta completa 1 ano sem punição. Família fará protesto

Cachoeirinha, 8 de março de 2017, Dia Internacional da Mulher. A jovem Marta Avelhaneda Gonçalves, 14 anos, foi deixada por sua mãe na porta da escola estadual Luiz de Camões. Era seu segundo dia de aula. Horas depois, ela foi ao Hospital Padre Jeremias para reconhecer o corpo da jovem morta dentro da sala de aula.
Um ano se passou e a única menina responsabilizada pela morte, uma menina de 12 anos, continua foragida desde que a Justiça aceitou um pedido do Ministério Público para uma internação provisória de 45 dias enquanto o processo tramitaria.
A família de Marta programou um protesto para o próximo domingo, às 16 horas, no Parcão para pedir justiça. “Peço em nome de todos familiares e amigos, quem puder ir até lá nos apoiar, quanto mais vozes gritarem, mais seremos ouvidos”, disse Jéssica Avelhaneda Gonçalves em uma convocação publicada em seu perfil no Facebook.
Na investigação policial, as testemunhas ouvidas pelo delegado Leonel Baldasso, titular da 1ª Delegacia de Polícia de cachoeirinha, relataram que havia uma divisão dentro da sala de aula. Dois grupos se formaram logo no início do ano letivo e a prática do bullying era uma constante.
A morte de Marta teria sido desencadeada depois de um menino chamar a acusada de feia. Uma colega dela teria dito que havia gente pior e Marta entendeu que a indireta seria para ela. Final das duas primeiras aulas: a professora deixa a sala e o próximo professor demora um pouco para chegar no segundo piso.
Conforme a investigação, a jovem de 12 anos saiu para o corredor para ver se ele já estava vindo e ao retornar teria sido atacada por Marta. A menina teria levado uma rasteira e Marta caiu sobre ela. Foi tudo muito rápido. A troca de agressões não teria durado um minuto.
Marta caiu sobre a acusada, que teria gritado pedindo socorro. Num primeiro momento, todos ficaram assistindo e não conseguiram relatar detalhes da briga. Marta era maior que a acusada e ambas estavam com os cabelos soltos. Um aluno teria dito que viu a jovem desferir um soco em Marta até que uma terceira colega resolveu acabar com a briga.
Esta colega puxou Marta de cima da adolescente e só viu ela cair para um lado, passando mal. Assustados, alguns colegas correram para chamar professores. Uma técnica do posto de saúde ao lado da escola foi a primeira a ser chamada para prestar socorro. Ela encontrou um professor fazendo massagem cardíaca. O Samu foi acionado, mas Marta já chegou sem vida ao Hospital padre Jeremias.
O laudo do Departamento Médico Legal apontou que a jovem morreu em decorrência de asfixia. O corpo foi necropciado. Marta sofreu uma fratura no osso hioide, localizado no pescoço. Ela teve uma hemorragia interna e o sangue coagulou. O laudo apontou ainda que haviam sinais de asfixia. A conclusão final é que ela morreu em decorrência de asfixia mecânica por esganadura.
A médica que fez o primeiro atendimento no hospital Padre Jeremias, segundo o delegado Leonel Baldasso disse durante as investigações, contou que se alguém soubesse da asfixia, Marta poderia ter sido salva através de um procedimento chamado cricotomia. Nele, uma insição é feita no pescoço para a introdução de um cano para permitir a entrada de ar.
A promotora Maria Rita Noll de Campos, no dia 31 de março, convocou uma coletiva de imprensa para informar que denunciou a adolescente de 12 anos por ato infracional equivalente a homicídio e pediu à Justiça a internação provisória por 45 dias até o julgamento do processo. Dias depois, a juíza da 4ª Vara Criminal, Vanessa Caldim dos Santos, aceitou a denúncia e o pedido de internação da jovem na Fundação de Atendimento Socioeducativa (Fase). Desde então, a menina é procurada pela Justiça.
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