Advogado da acusada pela morte de Marta fala sobre o caso

“Foi uma fatalidade”. A afirmação é do advogado Marcos Vinícius Barrios, que defende a adolescente de 12 anos apontada pelas investigações como a responsável por provocar a morte da estudante Marta Avelhaneda Gonçalves, 14 anos, dentro de uma sala de aula na escola estadual Luiz de Camões em 8 de março do ano passado.
Desde que a juíza da 4ª Vara Criminal, Vanessa Caldim dos Santos, aceitou a denúncia do Ministério Público e o pedido de internação provisória por 45 dias da jovem na Fundação de Atendimento Socioeducativa (Fase), ela não foi mais encontrada. “Eu não tenho conhecimento sobre aonde estão”, afirma.
Marcos impetrou na Justiça um pedido de habeas corpus. Depois de ser negado no Tribunal de Justiça do Estado, houve um recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e aguarda julgamento. Ele acredita que se for favorável, a mãe da jovem a apresentará para que o processo, atualmente parado, prossiga.
“Pela grande repercussão do caso, ela ficará sabendo de alguma forma que a menina poderá responder ao processo sem ter que passar pela internação provisória e deverá aparecer”, supõe.
No habeas, o advogado sustenta que alguns requisitos não foram preenchidos para determinar a internação provisória e que não é possível afirmar com certeza que a adolescente foi a responsável pela fratura no osso do pescoço de Marta, o hioide, que provocou a asfixia.
“Pelos depoimentos colhidos, ficou claro que a Marta montou em cima da jovem desferindo tapas e puxões de cabelo. Ela tinha o dobro do tamanho e não havia como a menina praticar um ato de estrangulamento ou gravata em função da sua força e da posição em que se encontrava”, argumenta.
A título de argumento, sustenta Marcos, se a jovem tivesse força e espaço para desferir algum golpe em Marta, teria agido em legítima defesa. “Eu lamento profundamente o desfecho desta briga. O resultado foi uma tragédia muito triste para família da Marta”, frisa,
Segundo o advogado, conforme os depoimentos no processo, uma ou duas colegas puxaram Marta e ela ficou desacordada no chão. “Não há como afirmar com convicção quem provocou a morte. Infelizmente, foi uma fatalidade”, afirma.
Sobre a conduta da mãe da jovem de não apresentar a filha à Justiça e se mudar sem informar para aonde iria, o advogado argumenta que não cabe a ele avaliar se esta foi uma boa decisão. “Só os responsáveis por ela têm condições de avaliar se esta foi a melhor escolha. O nosso papel se resume ao processo”, diz.
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