Gravataí cria grupo reflexivo com homens para debater a violência de gênero

Ação faz alusão ao Dia do Homem, celebrado, nacionalmente, em 15 de julho
Gravataí – O Dia do Homem, celebrado, nacionalmente, em 15 de julho, busca atrair a atenção da sociedade sobre situações que afetam pessoas do sexo masculino, principalmente, casos relacionados à saúde do homem, como a conscientização sobre o câncer de próstata. No entanto, a definição de saúde vai além da ausência de doença e engloba o completo bem-estar físico, psicossocial.
Pensando nisso, a Prefeitura de Gravataí, por meio da Casa Lilás, mantida pela Secretaria Municipal de Governança e Comunicação (Sgcom), em parceria com o Centro Educacional de Gravataí ( Cedugra), o Núcleo Interdisciplinar de Apoio ao Encaminhamento à Rede Biopsicossocial ( Niarb), a Rede de Proteção à Mulher de Gravataí e a juíza da 2ª Vara Criminal, Dra. Luciana Barcellos Tegiacchi, promoveu a criação de um Grupo Reflexivo com homens envolvidos em situação de violência de gênero.
A Rede de Proteção à Mulher de Gravataí, composta por Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM), Patrulha Maria da Penha, Defensoria Pública, Promotoria de Justiça, Fórum e Casa Lilás, busca aprimorar o atendimento aos homens envolvidos em situação de violência de gênero, tanto encaminhados pelo Poder Judiciário quanto pela Casa Lilás. Segundo o secretário da Sgcom, Airton Leal, as reuniões serão realizadas nas quartas-feiras, por meio de oito encontros promovidos via Google Meet. Os homens que se enquadram nesta situação e que desejam participar das reuniões podem entrar em contato pelo WhatsApp do Niarb: (51) 99452-1612.
Segundo o psicólogo da Cedugra, Felipe Petry, e a assistente social da Casa Lilás e vice-presidente do Cedugra, Lígia Callíari, o Grupo Reflexivo foi criado para complementar o atendimento às vitimas de violência, citando um exemplo: “João casado com Maria. Maria passa a ser agredida por João e, após buscar auxílio na rede de proteção do município depois de muito sofrer por vários tipos de violência, finalmente, consegue romper com a situação, e no fim se separa de João, cada um seguindo sua vida. A história de Maria e João até pode ter se encerrado, desconsiderando, neste caso hipotético, todos os tipos de cicatrizes físicas e/ou emocionais acometidas por muito tempo de sofrimento. E se João continua sendo violento nas suas outras relações? Casando com Joana e sendo violento com esta? O atendimento à Joana nós temos, mas e quanto ao João? Aqui entra a importância do atendimento para homens. Estatísticas apontam que há diminuição significativa de reincidência de homens autores de violência quando realmente aderem aos grupos reflexivos”.
De acordo com a coordenadora da Casa Lilás, Analu Sônego, uma antiga campanha sobre o tema dizia que “quem bate em mulher machuca a família inteira”. Pensando nisso, o trabalho com homens tem como objetivo levá-los à reflexão sobre alguns temas (Saúde mental, machismo, tipos de violência…) que, de alguma forma, podem contribuir para atos violentos.
E, quando um homem deixa de agir de forma violenta, ele não está, apenas, se beneficiando por não cometer um crime e responder legalmente, mas, sim, contribuindo para um melhor bem-estar dele, da sua família e da sociedade como um todo.



