EXCLUSIVO: Estado não decidiu mudar a gestão do hospital Padre Jeremias
O Instituto de Cardiologia poderá participar da licitação e seguir administrando o hospital de Cachoeirinha
Cachoeirinha – A possível mudança na gestão do hospital Padre Jeremias não tem nenhuma relação direta com pedidos do prefeito Cristian Wasem, do vice João Paulo e da secretária de Saúde Bianca Breier. A secretaria estadual da Saúde vai abrir um processo para escolher o gestor e o Instituto de Cardiologia – Fundação Universitária de Cardiologia (IC-FUC), que atualmente administra o hospital, poderá participar da licitação e se a proposta for a melhor, conforme os critérios da seleção, será mantido.
Nas últimas semanas, o Padre Jeremias tem sido alvo de muitas reclamações e até uma CPI quase foi aberta na Câmara de Vereadores para investigar o que vem acontecendo. A maioria dos vereadores da base do governo foi contra a proposta do vereador Mano do Parque. Logo depois, a diretoria do hospital compareceu em reunião da Comissão de Saúde para abrir seus dados de gestão.
O Padre Jeremias, que vai passar por uma ampla reforma com R$ 3,25 milhões do projeto Avançar na Saúde do Governo do Estado, também teve dificuldades no mês passado para pagar os médicos contratados como empresas. O vice-prefeito chegou a divulgar um vídeo afirmando que conversou com o vice-governador, Gabriel Souza, e obteve a informação de que o Estado havia decidido antecipar R$ 3,2 milhões para que os atrasados fossem pagos. O Estado fez antecipações para outros hospitais que também enfrentavam dificuldades.
A secretária estadual da Saúde, Arita Bergmann, chegou a afirmar em entrevista para a Rádio Gaúcha que alguns hospitais conseguem gerir recursos e apresentar resultados, outros não. Ela não citou o de Cachoeirinha, mas no contexto da entrevista, o Padre Jeremias estava inserido. Já a direção da casa de saúde, disse ao site oreporter.net que os recursos que recebe do SUS não são suficientes para cobrir todas as despesas.
Semanas atrás, a secretária estadual da Saúde visitou os hospitais de Alvorada e Cachoeirinha. Ela se reuniu com o prefeito Cristian Wasem. As visitas foram realizadas para conhecer de perto a realidade dos hospitais, que também visitou. Junto com o hospital de Cachoeirinha, também será realizada uma licitação para o novo contrato de gestão do hospital de Alvorada. Ambos são geridos pelo Instituto de Cardiologia.
A diretora de Gestão da Atenção Especializada da secretaria estadual da Saúde, Lisiane Fagundes, por intermédio da assessoria de imprensa, disse à reportagem que o Estado não decidiu tirar o Instituto de Cardiologia da administração do Padre Jeremias. “Não é assim que aconteceu. É importante fazer uma contextualização maior. Então, o Estado tem seis hospitais próprios sob gestão de terceiros, com o Hospital de Rio Pardo. Esses hospitais foram sendo geridos por outras instituições ao longo dos anos, cada um na sua época. Cachoeirinha e Alvorada, por exemplo, é da década de 90”, disse.
A diretora segue explicando que o hospital de Tramandaí passou para a Fundação Getúlio Vargas em 2011 quando a Ulbra faliu. “Esse hospital passou para a União, junto com outros hospitais, que eram da Ulbra. A União pega esses bens em troca de uma série de dívidas que a Ulbra tinha com a União e repassa. Obviamente a União não vai fazer a gestão de hospitais, e nessa organização passou o Álvaro Alvim para o Município de Porto Alegre, com termo de cessão, o Hospital Universitário para o município de Canoas, e o hospital de Tramandaí para o Estado. O Regional de Santa Maria tem sua história, foi construída aí ao longo dos anos, uma proposta que começou lá em 2003 e aí precisava abrir, fazer funcionar, se buscou instituições que tivessem interesse em fazer gestão, não se logrou êxito com várias instituições que tinham sido consultadas e nisso entrou o Instituto de Cardiologia. Então, cada um tem sua história. O geral de Caxias do Sul também”, detalhou.
O último hospital que passou a integrar o rol de bens de hospitais próprios do Estado sob gestão de terceiros foi o de Rio Pardo. “Ele veio para o Estado por uma decisão judicial. E depois o Município e a Irmandade [de Caridade do Senhor Bom Jesus dos Passos], que tinham se acertado de quem era o bem, cederam para o Estado e aí o Estado precisava buscar uma instituição, através de um processo licitatório, transparente, porque é assim que manda a legislação. E foi o que fizemos. Inicialmente foi um contrato emergencial, então o [Hospital] Ana Nery [de Santa Cruz do Sul] assumiu no dia 1º de maio, lá, depois de um processo, que apesar de ser um contrato emergencial [de seis meses], foi um processo transparente, com edital público, com concorrência. Agora na sequência vamos fazer um edital para uma contratação definitiva, digamos assim”, salienta.
Alvorada e Cachoeirinha são sequência do trabalho
As licitações para as gestões dos hospitais de Alvorada e Cachoeirinha são uma sequência do trabalho que vem sendo realizado. “O Estado vem trabalhando para adotar a mesma medida para os outros hospitais. Nós temos um tempo. O Estado não teria nem como fazer tudo de uma única vez, nem é o objetivo, e então está se fazendo de todas as instituições, até porque os hospitais todos estão funcionando, não estão fechados, a gente não tem uma urgência de fazer tudo correndo, mas a gente entende que é importante que a gente faça o processo como manda a legislação. Com base nisso vai se abrir o edital, neste momento para Alvorada e Cachoeirinha”, destacou.
Lisiane salientou à reportagem que o Estado está seguindo um rito. “Um rito que o poder público deve cumprir de ter sempre um processo seletivo, transparente, que garanta ampla concorrência, para fazer a gestão de um bem que é seu. E nesse momento vai ser Alvorada e Cachoeirinha. E que, eventualmente, poderão seguir sendo administrados pelo Instituto de Cardiologia. Porque essa instituição também pode participar desse processo se assim entender adequado. Então, o objetivo não é tirar essa ou aquela instituição e sim trabalhar num processo licitatório para buscar uma instituição parceira para fazer a gestão de um bem que é do Estado, sempre com foco na qualidade do serviço que é prestado para a população”, frisou.
O que disse a prefeitura
No seu perfil no Facebook, a prefeitura de Cachoeirinha fez uma publicação afirmando que por pedido do prefeito, vice e secretária da Saúde, haveria uma mudança na gestão do Padre Jeremias.
“Depois de muita articulação e conversa, o Prefeito Cristian Wasem, o Vice-Prefeito Delegado João Paulo e a secretária de Saúde Bianca Breier, conseguiram junto ao Governo do Estado a autorização para a substituição da gestão da Administração do Hospital Padre Jeremias”, afirma a publicação da prefeitura.
O prefeito Cristian Wasem, na publicação fez agradecimentos. “Agradecemos ao incessante trabalho da secretária da Saúde Bianca, da secretária da Saúde/ RS Arita Bergmann e do vice-governador Gabriel Souza pela atenção e resolução desta demanda tão importante para a nossa população.”
A prefeitura publicou o card abaixo no Facebook. A reportagem entrou com contato com a assessoria de imprensa e obteve como retorno que a publicação não está desalinhada com a verdade.

Atualizada – 03/05/2023 – 12h03min


