Padre Jeremias abre caixa preta e revela que passará por reforma
Direção do hospital participou de reunião da Comissão de Saúde, Assistência Social e Meio Ambiente da Câmara
Cachoeirinha – O Hospital Padre Jeremias vai passar por uma ampla reforma com as obras iniciando esse ano ainda. O investimento será de R$ 3,25 milhões com recursos do programa Avançar na Saúde, etapa 3, do Governo do Estado. Haverá a reforma da UTI Neonatal, da emergência e da entrada de energia elétrica. Já outros recursos, o gerador será substituído por um com maior capacidade de geração de energia. Este foi um dos dados que a direção do hospital apresentou na reunião desta quinta-feira (9) da Comissão de Saúde, Assistência Social e Meio Ambiente da Câmara, presidida por Felisberto Xavier.
A vinda da direção do hospital ocorreu dois dias depois de a maioria dos vereadores terem desistido de abrirem uma CPI para investigaram o que vem acontecendo na casa de saúde. A proposta da CPI foi do vereador Mano do Parque diante de muitas reclamações da população, falta de comunicação sobre aplicação de recursos de emendas parlamentares e projetos para melhoria das instalações e serviços.
O coordenador do hospital, Carlos Alberto Grossini, revelou que os editais para as licitações estão sendo elaborados e a previsão é de que os certamos ocorram ainda neste primeiro semestre. As obras, deverão ser iniciadas até o final do ano. A maior fatia dos recursos será empregada na emergência, que tem 644 metros quadrados. O hospital ganhará também uma nova fachada. Já a UTI Neonatal tem 262 metros quadrados e nos projetos está prevista a separação da recepção dos pacientes pediátricos dos demais.
Grossini revelou que no final deste mês vai se completar 25 anos da nova gestão do Padre Jeremias, cuja responsabilidade é do Instituto de Cardiologia. O hospital foi inaugurado em 1985 e em 1998 passou para a nova gestão. No início, tinha 50 leitos e hoje são 104 no total. O número de internações passou de 2.400 ao longo dos anos iniciais para 4.300, número de 2022. No ano passado, foram realizados 64 mil atendimentos e 300 mil exames complementares para diagnósticos.
A última grande obra aconteceu em 2001 com a inauguração da UTI Neonatal. A gerente administrativa do hospital, Angélica Konrad, destacou que a população da cidade dobrou e que o número de leitos clínicos, hoje em 18, não suprem a necessidade. Havia um projeto de ampliação, com a construção de um prédio de 4 andares com 60 leitos em cada um. O coordenador explicou que no Governo Tarso Genro foram liberados R$ 5 milhões que não foram aplicados porque o projeto Estadual não avançou.

Diretora técnica, Maria José – Foto: Reprodução
Os vereadores puderam fazer perguntas que foram respondidas por Grossini, Angélica e pela diretora técnica Maria José. Algumas perguntas se relacionaram a procedimentos que são de competência exclusiva dos médicos que prestam o atendimento aos pacientes. Um dos exemplos é se uma gestante será submetida a um parto ou cesariana. Maria revelou que no ano passado foram realizados 756 partos e 432 cesarianas. A definição se a gestante vai ou não ser submetida a uma cesariana é decisão médica.

Diretora administrativa, Angélica Konrad – Foto: Reprodução
O vereador Otoniel Gomes questionou a direção sobre o motivo pelo qual a área administrativa tem ar-condicionado enquanto os pacientes precisam trazer ventiladores. Comentou ainda que pacientes ficam em pé por longos períodos aguardando atendimento. Grossini disse que ventiladores nem poderiam ser usados por uma norma da saúde, porém isso vem sendo permitido porque a rede elétrica do hospital não comportaria a instalação de mais aparelhos. O problema será resolvido em parte com a troca da entrada da rede elétrica. Posteriormente, será necessário fazer uma avaliação da renda interna e viabilização de recursos para o investimento nos aparelhos. Sobre os pacientes aguardando em pé, não houve um aprofundamento. O problema deverá ser resolvido com a reforma.
Sobre as emendas parlamentares, questionamento de Mano do Parque, Angélica explicou que os recursos são aplicados conforme um plano de trabalho e que, obrigatoriamente, uma prestação de contas é feita em ferramentas utilizadas pelo SUS. No ano passado, foram aplicados R$ 700 mil de emendas.

Coordenador Carlos Grossini – Foto: Reprodução
A remoção de pacientes para exames complementares fora do hospital, como tomografia, foi outra dúvida. Grossini revelou que o hospital mantém uma ambulância terceirizada para agilizar os procedimentos. Isso, contudo, contraria uma norma do Estado. O Padre Jeremias não pode ter ambulância. O deslocamento, tanto para exames como para transferência de pacientes, deveria ser feito pelo Samu ou ambulância do município. Para casos nos quais o paciente tem condições de ser transportado sem correr risco de vida, o hospital tem feito conforme a disponibilidade da ambulância terceirizada, mas esse serviço deverá ser suspenso ainda esse ano.
Uilson Droppa questionou a direção se não seria possível a instalação de um tomógrafo no hospital para qualificar o atendimento e evitar deslocamento de pacientes internados. O coordenador disse que o investimento seria de R$ 1,4 milhão e haveria ainda a necessidade da construção de um prédio de 150 metros quadrados para abrigar o equipamento. Ele chegou a sugerir que os vereadores poderiam apoiar um movimento para a compra. O hospital hoje conta com Raio-X, porém os exames não são digitalizados, o que causa demora. Ainda esse ano será implantada a digitalização, dando agilidade na elaboração dos laudos.
O vereador Mano do Parque, que havia proposto a CPI, disse à reportagem ao final da reunião da Comissão, que ficou parcialmente satisfeito com as explicações. “Temos muitas coisas para serem resolvidas e esclarecidas e vou trabalhar nisso”, resumiu.
Alguns vereadores chegaram a se surpreender com o que vem acontecendo no hospital Padre Jeremias de positivo e que não é divulgado. O vereador David Almansa sugeriu a Grossini que seja pensado um projeto de comunicação social. Já Mano do Parque sugeriu que a direção use a Tribuna Popular do Legislativo para divulgar o que vem fazendo. “Assim a comunidade vai entender o que acontece e o que não acontece dentro do Padre Jeremias”, disse.
Confira abaixo, na íntegra, como foi a reunião da Comissão:


