CACHOEIRINHA

Emprego recua em maio em Cachoeirinha e reforça sinais de desaceleração da economia

Cachoeirinha fechou o mês com saldo negativo de cinco vagas formais. Indústria e Construção Civil lideraram as demissões, enquanto Serviços evitou uma queda maior em meio ao avanço do endividamento das famílias brasileiras

Cachoeirinha – Depois de já dar sinais de perda de fôlego em abril, quando criou apenas 15 empregos com carteira assinada, Cachoeirinha registrou em maio o primeiro saldo negativo do ano no mercado formal de trabalho. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta terça-feira (30), mostram que o município encerrou o mês com cinco vagas a menos, resultado de 2.225 admissões e 2.230 desligamentos.

O desempenho reforça um cenário de desaceleração da atividade econômica, impulsionado pelo enfraquecimento do consumo das famílias. Em âmbito nacional, o endividamento atingiu 81,6% em maio, o maior nível da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Os números mostram que a retração do emprego em Cachoeirinha foi puxada principalmente pela Indústria e pela Construção Civil. A indústria fechou 25 postos de trabalho ao admitir 397 trabalhadores e desligar 422. Já a Construção Civil perdeu 50 vagas, resultado de 59 admissões e 109 demissões.

Em contrapartida, o setor de Serviços voltou a sustentar o mercado de trabalho local. Foram 1.288 contratações e 1.229 desligamentos, garantindo saldo positivo de 59 vagas. O Comércio também terminou o mês no azul, com 11 novos postos, ao registrar 481 admissões e 470 desligamentos. O Caged mede o desempenho de cinco setores econômicos e em Cachoeirinha não há atividade agropecuária.


Consumo perde força

Especialistas apontam que o elevado comprometimento da renda das famílias reduz o consumo e acaba refletindo diretamente na contratação de trabalhadores. Segundo a pesquisa da CNC, 84,6% das famílias endividadas possuem dívidas no cartão de crédito, modalidade que concentra os juros mais elevados do mercado, chegando a 428,3% ao ano no crédito rotativo.

O levantamento diferencia dois indicadores importantes. O endividamento representa as famílias que possuem contas ou financiamentos a pagar, enquanto a inadimplência identifica aquelas que já não conseguem quitar seus compromissos financeiros.

Entre as famílias com renda de até três salários mínimos, a situação é ainda mais preocupante. A inadimplência alcançou 38,6% em maio, alta de 1,7 ponto percentual em relação ao mês anterior, indicando aumento do número de consumidores que deixaram de pagar suas dívidas.

Serviços evitam resultado pior

Embora o saldo geral tenha sido negativo, os números mostram que o setor de Serviços continua sendo o principal responsável pela sustentação do emprego formal em Cachoeirinha. Sozinho, o segmento respondeu por praticamente seis em cada dez admissões realizadas no município durante maio.

Ainda assim, o resultado geral confirma uma tendência de perda de ritmo observada nos últimos meses. Depois de um saldo modesto de apenas 15 vagas em abril, a passagem para um resultado negativo em maio sinaliza que empresas vêm adotando maior cautela diante da redução do consumo e do cenário de crédito caro.

O Rio Grande do Sul foi o Estado que liderou a queda na geração de empregos no país com o fechamento de 5.657 vagas em maio.

Caged de maio em Cachoeirinha

SetorAdmissõesDesligamentosSaldo
Agropecuária0
Indústria397422-25
Construção Civil59109-50
Comércio481470+11
Serviços1.2881.229+59
Total2.2252.230-5

O resultado indica que, apesar da resiliência do setor de Serviços, o mercado de trabalho de Cachoeirinha começa a sentir os efeitos de um ambiente econômico mais restritivo, marcado pelo elevado endividamento das famílias, aumento da inadimplência e redução da capacidade de consumo da população.

Artigos relacionados

error: Não autorizamos cópia do nosso conteúdo. Se você gostou, pode compartilhar nas redes sociais.